terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mantra

Você olha ao seu redor
Compara-se a seus pares
Não se acha tão sacana

Nunca se esqueça
O excremento que mais fede é a borra humana

30-12-2014

Namastê da virada

As essências da Champagne
Da cerveja
Da cachaça
Do vinho
Que habitam alguns seres vivos

Saúdam

As essências da Champagne
Da cerveja
Da cachaça
Do vinho
Que habitam outros seres vivos

30-12-2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

Das cozinhas até as salas

Primeiro os pés, depois as súbitas pegadas
Desfilam pelas casas as belezas nuas

Brincos inquietos rolam pelos tapetes
Ao léu
Em noites de lua

27-12-2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Das pedras que não rolam

O cara é rico, bom de cama e de jazz
Não necessariamente nessa ordem

Você não o ama, jamais o amaria
Nem que Guantanamo tivesse sido um acampamento hippie
Mas, você quer "se dar bem"

A pessoa que você ama não tá nem aí pra você
Você espalha que ela é babaca, vê uma janela na vingança
Seu "problema" não se resolve injetando speedball nas veias.
Você não serve pra personagem de Like a Rolling Stone, do Bob Dylan

Não se afogue no mar num verão qualquer
Livre-se do lastro, há ar na superfície
Se você nada sentisse seria pesada, muito pesada
Mais pesada que uma pedra que não rola, a vida que você leva

28-03-2011 e 21-12-2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Depois

De plástico eram as flores
Que cultivavam os jardineiros
Antes de ver-te passar

No mar não havia vida
Antes de ver-te passar
Chuva não era bem-vinda

Artificial era o caminho
Sinônimo de sonho era entrave

Antes de ver-te passar
Havia  canto nas árvores
Mas não era de passarinho

16-12-2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Em ondas

Pra valer, mesmo
Só temos uma chance

Então, se você olhar nos olhos do mar
Saiba que viemos dele

Nade, durante sua existência

Nade além dos oceanos
Braçadas e mais braçadas de imaginação

Quando cansada
Entregue-se às correntes
Àquelas que fazem troça dos ponteiros dos relógios

Mar pode ser lençol
Pode ser travesseiro


09-12-2014

Fragmento IX

Amanhecido de orvalho
Jaz o brinquedo

09-12-2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

Imã

Nunca nado
na direção de uma ilha qualquer

Chama pela outra, dentro de mim
aquela que me atrai

Se ela quiser
que eu não vá ao seu encontro
claro que me desaponto

Que o tempo afague
meu alheado coração
Quando me (dis)....traio

Sem o risco da ilusão
nem por um Deus
nem por um Diabo

Haverá um acaso
que possa ser bem-vindo

06-12-2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dos enganos

A mulher
Que você diz ser insana
E imagina desiludida

Pra seu desprazer
Não deseja
Outra vida

Encanta-se com luares
Arranjos de jardins
Parece saborear
Felicidade sem fim

Se uma onda ergue-se
Aprumando sua crista
Pra ela é sintoma
De fascínio à vista

03-12-2014

Fotografia, dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fragmento VIII

Toda vez
Que perece uma árvore

Cachoeiras derramam lágrimas
De passarinho

01-12-2014

Fotografia, novembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

Cotidiano

Ladeira abaixo, vinha ela
Arrastava pela guia
Maltratando sua cadela

Tomada de ais, a doidivana
Amaldiçoava o animal, o pai e a madrasta
...................................(a "puta sacana")


O bibelô fazia jorrar da boca pra fora
Tudo que vinha de dentro

Na letra do Canto de Ossanha
Nunca buscou conhecimento

22-11-2014



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

De carona na poesia

                       .................."enquanto me for dada a sorte, sumirei"................................

                  I            
Refugio-me
Esgueiro-me silêncio adentro
Como navio no denso nevoeiro

                II

Me esvaio
Em conta-gotas

                III

Fujo em baldes de licores
Dos teoremas regentes do universo

                IV

Invento labirintos de mel
Sem precisar de um motivo

Até que retroceda a aurora
Pois assim deseja a madrugada

14-11-2014



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

farewell Letter

Somewhere in springtime
We'll met
During the rain
At a new show

Even in a quietest moment
Another ticket
When it snows

10-11-2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A lenda

O poema só é livre
Quando encontra sua dona

06-11-2014

Timidez dos falantes

Me diz
Dos atributos
Que Vulcano te deu

No meu ouvido
Fala mansinho
Sobre o presente do Deus

Da tua pele,  a textura
Qual a cor que desponta
Dos recatos das tuas matas
Me conta

Das tuas enseadas, grutas e ilhas
Me diz

Arrepios, sulcos
Areias
Sussurra pra esse párvulo aprendiz
Dos teus desejos na esteira

06-11-2014



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Avalanches

Desatou pelas ruas
A entoar palavras melódicas
Nexo, sem nenhum

Descontroladamente, no absurdo do mundo

Desabava

Desabava cada pedaço de si
Rasgando as barreiras da pele

05-11-2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Orquídea

Nem a flor existe

O que existe é o vestido
Dentro da flor

02-11-2014..................................."O que nós vemos das coisas são as coisas"
                                                                   (Fernando Pessoa)

Fotografia, novembro de 2014

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sede

Vai além do gênero musical
Esse apego ao blues

Alegre e triste
Ele é como a vida

Como uma estrada
Nem sempre plana
Um chão de conhecimento

Neste caminho
Encontra-se água potável

28-10-2014

Fotografia, outubro de 2014





segunda-feira, 27 de outubro de 2014

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Os loucos

O mundo
Como posto está
Não nos interessa

Vocês o inventaram
Com suas gasolinas
Seus ranços de naftalina

Navegamos em canoas
Nos espelhamos nos índios
Os legítimos donos da terra

À noite, em vez de poluir pelas chaminés
Seguimos  estrelas
Porque somos pirados

Não é preciso ser normal
Pra saber
Que isso daí
Esse (des)troço, não deu certo

Vocês competem pelo poder
Justificam as guerras

Nós, apenas, flanamos

24-10-2014




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sendas

Andam de mãos dadas pelas esquinas
As indolências
A da ninfa Quelone e a minha

Ousadas
Esnobam os convites para as festas de Júpiter e Juno
Mas estão atentas a tudo aquilo que não acontece

A cidade se abre para a nova estação
Mesmo que nunca se esconda por inteira

Ela imagina
Não passar por desapercebida

Há coisas que o mundo urbano mostra
Embora a gente não  veja

23-10-2014

Fotografia, junho de 2014, em Amsterdam






sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Noturna

Abrigo-me
Entre os seios da escuridão

Aguardo um menestrel
Um encantador de sacadas
Que empreste seus versos

Para que eu os diga
Quando a janela se abrir

Se o vizinho do lado
Jogar o vaso de flores
Farei dele
Meu ramalhete pra ela

17-10-2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

África



                                         SAMBA
                                                  L
                                                U
                                                     E
                                                  S


15-10-2014



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Homem banda

Um clarão nas trevas
O artista de rua

Louco inocente
Inocente louco
A escolha é sua

Batalha  pela grana honesta

Merece um teatro lotado
Por tornar o dia suportável aos passantes

Parece uma formação de coral no mar morto

Um oásis, onde bebe a estúpida
Insossa cáfila

10-10-2014


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

sábado, 4 de outubro de 2014

Tira mi sù

Eu tinha fome de salgados
Vontade de temperos

Até lhe avistar
Estavam fora dos meus planos
Os exageros

04-10-2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Presságio

Sempre que partires
Indignar-se-ão espelhos e quadros
Mas não será o final dos tempos

Teu cheiro estará presente
A casa, embora vazia
Gemerá contente

Ela te sentirá viva
Ficará teu carinho

Terei paz interior
Porque me encantas

Porque fascinarás

01-10-2014




quarta-feira, 24 de setembro de 2014

domingo, 21 de setembro de 2014

Haicai

Noite e dia
Parabéns......................para o bem
Da poesia

21-09-2014

Fotografia, setembro de 2014
*21, dia e noite da árvore


sábado, 20 de setembro de 2014

Natural

Uma rosa
Sem maquiagem

Que as outras, não é mais flor

Apenas
Destaca-se da paisagem

20-09-2014

Fotografia, setembro de 2014


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Parcas

Aplicada urdidora, Cloto
De boas maneiras
Traz olhos falantes
Frios como as geleiras

Das filosofias e teses
Ao largo, ela passa
Determina o tempo
Laquesis

Por fim, Átropos, calminha
Tesoura na mão
Corta, da vida, a linha

16-09-2014

Dezenove horas

A noite tece em mim

16-09-2014

Fotografia, setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ah, eu sou gaúcho!!

A fase
Que vive o estado onde nasci
Não traz nenhuma alegria

Quando não está nas manchetes por racismo
Está por homofobia

12-09-2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Haicai

João queria
Ser o sem-vergonha
Da Maria

09-09-2014

Fotografia, Maria-sem-vergonha
Da família das Catharanthus
Setembro de 2014




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

De um lugar qualquer

Viçosas
Quase adaptadas à moderna idade

Vaidosas, aos olhos das escuras pedras
Inquietas, quando mostram-se antes do tempo

Talvez, nos anos vindouros, ressurjam metamorfoseadas
Imunes às tristezas climáticas

Acho que são humanas
As azaleias

05-09-2014

Fotografia, setembro de 2014

terça-feira, 2 de setembro de 2014

(Res) pingos

Fosse uma viola
A embalar seu dia
Ela nem daria bola
Pra carência de poesia

      *****

Pra brotar um dilema
Basta um verbo
Ou um poema

02-09-2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Sessão de samba

Tem filme que não condiz com o cartaz
Cansa-se de atuar no papel de freguês

Quando o estrago no porão foi outra(o) quem fez
Não será a gente a ter de pagar

31-08-2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Canteiros de inverno

Sob viadutos
Acomodam-se espinhas dorsais

No frio, elas não tem tempo para o luto
Embrulham-se em jornais

A lava, líquido corpóreo
Revela dores que ensinam
Ilusões que morrem, lágrima por lágrima

Navega a mágoa na sua correnteza
Calabouço de todo ser

27-08-2014


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Poema sem fim

Pinte-se letras
Nas faces dos cubos

Que se jogue com os brinquedos
Eternamente

Que se formem palavras
(Des) conexas

A sorte maior
Será sempre um poema

21-08-2014

Fotografia, agosto de 2014




domingo, 17 de agosto de 2014

Volta

Na beira da praia eu morei
Me mudei
Não havia árvore por perto

Agora vou pro mar
Junto ao mato
Preciso povoar meus desertos

17-08-2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sintonia

Eu queria ser
Teu radinho de pilha

Pra viver ligado

Extraviado
Debaixo dos teus lençóis

14-08-2014

Fotografia, agosto de 2014

terça-feira, 12 de agosto de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

Vermelho 23

Tange no bar um blues

Num ato de reverência aos lucivelos
Beija-se, à meia-luz

Lá fora, a solitária rua
Anseia pela fuga de um raro acorde

Como se não bastasse o banho de lua
Ela reclama da noite
Melhor sorte

10-08-2014

Fotografia, agosto de 2014




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sessão das dez

Valente, a lagartixa luta
Embrenha-se pela unha-de-gato, rente ao muro
No seu encalço estão as ensandecidas formigas cabeçudas

Na fuga, abandona uma das pernas, semi decepada  pelo inimigo

A natureza é um filme
Que a gente assiste e não paga ingresso

07-08-2014

Fotografia: Unha-de-gato (trepadeira)


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sentinela

Telhados, de estilos todos,  revelam-se
Quando amanhece

Bem-te-vis perderam o trem para o outono-inverno
Convivem sem a trilha sonora das cigarras

Do alto de uma sacada
Peito laranja estufado, cabeça erguida
Um mudo sabiá vigia a cidade

Tão imponente
Que até com uma harpia real se parece

01-08-2014

Fotografia, agosto de 2014

Norma

Amor com N

01-08-2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Desjejum

Vagamos pelos bairros
Súditos dos desejos

Seremos uma sombra de dois corpos
Por acaso

Sob o sol da manhã

30-07-2014

Fotografia, julho de 2014

domingo, 27 de julho de 2014

Oculto

Quase nada
Tenho indagado do amor
À espreita, ele circula

Amor sabe a hora
De reabastecer-nos
De não escutar seu nome,  em vão

27-07-2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Senhora

Mulher
Como a onda
Que na pedra quebra
Perseverante

Foz

Feita de água
Sal, areia, vento
Tenaz dama

Tudo cheira a mar
A seu  habitat

Do corpo que chama
Ela, a voz

24-07-2014

Herança

Fica a obra
De quem coloca a alma nela

Senão, nada fica

24-07-2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

O livro da face XXXI

Se votar é sagrado
Pessoal e tão importante

Porque a "nossa" urna eletrônica
Não imprime o comprovante?

22-07-2014

Polinização

Quem não beijaria
Teus tantos
Fartos

De cálido suco cobertos
Salivados
Lábios de amor...

22-07-2014

Fotografia, julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Narcose

Cheiro de mulher bonita
Viaja no ar, muito discreto
Disfarça-se de alçapão
Pra atrair amor secreto

Ela é perfume de flor
Ponta de espinho

Brinca de amar no colo do vento
Seu passatempo no caminho

17-07-2014

Fotografia, julho de 2014

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mulher bonita

Perfume de flor
Ponta de espinho

Brinca de amar no colo do vento
Seu passatempo no caminho

16-07-2014

Fotografia, julho de 2014

sábado, 12 de julho de 2014

O livro da face XXX

Incomoda-me ser-- mais um-- escravo do hábito

"Coragem, não me falte"!
"Você é a chave dos meus cadeados".

12-07-2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O livro da face XXIX

A dor mais intensa vem da piedade do oponente

09-07-2014

Glote

Uma pequena mala atrás da porta
Escova dental, fotografias
Mãos catando chaves
Afoitas como bicho encurralado

Peito ainda na alcova

Certezas, somente duas

Que imagens são perguntas, nunca respostas
Que o trânsito matinal parece um verso engasgado

09-07-2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

OFF-ON

Chego na cidade
As folhas dançam em torno dos troncos
Obedecem o  ritual de todos os anos

Busco no bolso do casaco  o endereço do hotel
O som de uma serra elétrica me atinge, neste instante
Eu me desligo

Haverá um próximo samba, um drama
Um romance
Um novo blues

Eu me ligo, adentrei ao saguão

Não, não escrevo o que eu sou
Busco o que faz falta em mim

04-07-2014

Fotografia, julho de 2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O canto

Quando uma ave rara
Tão bela, tão querida
Cantar para seus ouvidos
Tocar seu coração

À procura de respostas
Em vão
Você vai abrir seus livros
Consolar-se com amigas

Você não é feita de pedra
Apega-se

Encontrar-se-á com rios
Ornamentados de afluentes
Vai confundi-los com suas veias
Vai pegar carona na correnteza, libertar-se

Enquanto o tempo tece teias
Você vai mudar

Terá, então, percebido
Como  canta um pássaro ferido

03-07-2014



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Das vontades, das saudades

Das maiores, a vontade
É a saudade que se tem
Da pessoa, a qual a gente não conhece

Saudade, a gente não explica
Pra não doer
Mais do que já dói

02-07-2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A dança

Veste verde-mármore
A negra tez
Quando se enfeita de dourado

Minha razão ela rouba,  de vez,
Se me convida ao tablado

26-06-2014

Fotografia, Junho de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dos domínios

Aparentamos moribundos
Nas suas falsas primaveras

Porém, vive em nós
Uma valsa

Sabemos, outro futuro nos espera

Donos do poder
Cobraremos suas farsas

16-06-2014

sábado, 14 de junho de 2014

Descoberta

Até pensei
Que ao me conhecer
Eu encontraria

**********************

Até pensei
Que ao me encontrar
Eu conheceria

14-06-2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

Como a leveza do branco

Que ela me mata, suavemente
Confesso

Pergunta-me o porquê
Eu desejaria não ter respondido

Há coisas inexplicáveis
Como a instantaneidade dos acasos
Como o universo sem verso
Como a perfeição daquilo que o homem julga imperfeito
Como a relatividade da beleza

Como os caminhos da renda em seu vestido
Como o nada que se abriga na poesia

03-06-2014

Fotografia, Junho de 2016



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Saudação

Pela saudade, já presente
Me envolvo em suas sonoras carícias

Pela alegria na despedida
Porque lágrima nem sempre é filha de tristeza

Entre um gole e um aperto no peito
Aliviado pelo meu suspiro
Eu disse ao blues que voltaria
Vem dele o ar que respiro

O blues  não dá garantias
Mas me acolhe com seus braços abertos
Ele me diz, e é recíproco:
"Eu te quero por perto"

30-05-2014

Fotografia, Red Light District, na mesma data em Amsterdam








sexta-feira, 23 de maio de 2014

domingo, 18 de maio de 2014

Dos brilhos

Tulipas assemelham-se  àquela gente
Que, pouco tempo, vive

Mas brilha
Intensamente

18-05-2014

Fotografia, maio de 2014
Jardim do Rijksmuseum,  em Amsterdam



sexta-feira, 16 de maio de 2014

O bar e a espera

Há sempre um bar
Na espera de um poema

Há sempre um poema
Na espera de um bar

15-05-2014

Fotografia, na mesma data, na Friedrichstrasse em Berlin



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Acho que era poesia...

Quando a cigana leu a palma de minha mão
Eu não quis saber do que se tratava

..............só percebi que ela sorria

05-05-2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

Teatro para demônios coloridos

Sobrevoa o bairro minh'alma cigana
Ele arrebata um pedaço da história

Nas matinês de domingo
Movido pelos sonhos
Eu o visitei, andarilho que fui

Meu corpo aqui está
No sul
No extremo do longe

Pra sossegar meus demônios, oferto-lhe as aquarelas
Que se lambuzem de cores
Que se fundam às dançarinas

Até que a orgia escancare as portas da aurora
Tenho a derramar tanto teatro sobre meus porões

29-04-2014


sábado, 26 de abril de 2014

Tablado

É dança! É dança!
Quando ela anda

É folha de plátano
Que se desprende no outono

É festa! É festa!

Quando ela passa
Meu coração bate flamenco

26-04-2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vinte e poucos anos depois...

Por falta de provas, absolveram-no de tudo
Inclusive, do crime de corrupção

Olvidaram de mim, viva amostra
Testemunha de uma geração

25-04-2014

domingo, 20 de abril de 2014

Jabuticabas

O domingo lamenta-se
Parece um cantor andaluz

Na cidade não rola jazz
Tampouco jam sessions de blues

De repente, ela chega

Tão linda que, sem saber bem o porquê
O final de tarde pede perdão

Seus olhos tem a cor da jabuticaba madura

Vestido solto ao vento, salto alto
Pele de seda pura

Traz no peito a quietude da mulher inquieta

Seus desejos alimentam versos
Para que a noite descortine-se em festa

10-11-2012 + versos de 20-04-2014

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O beijo II

Não sou o vermelho que tu vestes

Nem a praia
Onde esparramam-se, em ondas, teus cabelos

Não sou as curvas que o sangue faz
Pra acompanhar tua silhueta

Nem tua voz de sexta-feira
Ou o beijo, pseudo roubado, que está por nascer

Não sou o desejo que tu negas, durante o dia
Pra manter as aparências

Nem a insônia
Que vem cobrar de ti a conta na madrugada

Não, não sou

Porque
Quem é mesmo
Não diz

06-04-2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Haicai

Curt  (s)  o , de fato
Universidoses
De anonimato

08-04-2014

Churrascada

Sou das tardes de verão
Da ponta da costela longe da brasa
Copo na mão

Meu time é de anarquistas
Sou contra torcida organizada
O samba convive a meu lado

Na fotografia, sou o Zé da portaria
Meu bom dia é selecionado

08-04-2014

sábado, 5 de abril de 2014

Pensare

No cais do porto -- a praia do mercado público --
Uma velha fragata
Condenada ao forno siderúrgico, jaz

Ela serve de casa aos pombos
Que tem, a seu dispor, um armazém de grãos

Pombo não esquenta a cabeça

De vez em quando
Na gente
Bate a vontade se ser um

05-04-2014

O baile

Apesar das perdas
Da nossa mútua matança

Haverá no ar uma música
Sempre
Um convite para a próxima dança

05-04-2014

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Lamparina

Restará chaga
Futura cicatriz

Será como carta que não chega ao destino
O envelope que permanece lacrado

Na falta de óleo
Padecerá a chama

Cumprir-se-á, enfim
O ciclo do amor

03-04-2014


Amor

Liberta-me
Porque sou pólen

03-04-2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Quase humana

Entraja meu corpo
O estampado do tecido
Entre meio-fio e calçada
(Sobre) vivo

Vistosos pingentes
Ornamentam os braços
Me pego contente
Se depreendem meus traços

Serva do vento
Sou verde, sou prata
Minha droga é o movimento
Pra carência de mata

01-04-2014

Fotografia, março de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

Minuto de silêncio

Abrem-se feridas no verde
Outrora, das encostas protetor

Vela o rio em seu leito os filhos
Assassinados

Indiferença, luto
Sonega-se da natureza o futuro

O homem
Único culpado

31-03-2014

domingo, 30 de março de 2014

sábado, 29 de março de 2014

Telas inacabadas

Existimos
Apenas no movimento

Ele é simples, pendular
Seu trajeto é habitado pelo ar

Não ocupamos o espaço na inércia
Ali é para poucos, para os que dominam a arte do pensar

Tateamos o abstrato
Pegamos carona no impulso

Não somos, jamais seremos
Aspiramos ser

29-03-2-14

terça-feira, 25 de março de 2014

Estágios

A adolescência
Assim se fez

Bebia todas
Pra disfarçar timidez

Hoje, ela faz
Por puro prazer

Porque não suporta ressaca

Decidiu

Há tempos
Mitiga a cachaça

25-03-2014

Olhos mendigos

Pediam-se em silêncio
Embaraçados

Indiferentes ao apelo das mãos
Surpreendidos

Necessitavam-se com urgência
Apesar dos labirintos

28-03-2010 e 25-03-2014

sábado, 22 de março de 2014

Miragem

Alguns velozes
Outros nem tanto

Em muitos trens
Eu viajo

Quando lapidado
Penso dominar meu ponto

Somente
Até o próximo acaso

22-03-2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Quase lá

Carrego um chip subcutâneo
Dispenso laptop e celular

Aos poucos, serei de antanho
Mais um material pra reciclar

21-03-2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

Surf

Seca-se na saída do banho, parcialmente

Deita-se nua
Pra ser lambida pelos calmos ventos da primavera

A palma da mão alisa imperceptíveis cicatrizes
Como uma oculta câmera no teto, seus olhos percorrem terras geladas
Ela busca o lençol, cobre a cordilheira

Expande os braços abertos como se alargasse uma enseada
Liberta sonhos ancorados
Franze a testa, parte antes da lestada

Vai em busca das outras em si
Que surfam adiante das ilhas

18-03-2014

Defeito de fábrica

O vers _  perfeit_

é   t _  talme _ te

i _ visível

18-03-2014

sábado, 15 de março de 2014

Artista

Delineia traços sua alma

Derrama-se em lágrimas seu peito
Como se fosse o mês de março

15-03-2014, para Amedeo Modigliani (1884-1920)

Vídeo, Tears of March (youtube), março de 2014

Miniatura

sexta-feira, 14 de março de 2014

Mil palavras

Um sino sem badalo
A catedral sem altar
O oceano sem peixes
Os pulmões sem ar

Um túnel sem luz
A criança sem ninar
Um bem sem carinho
Um boêmio sem bar

Uma pessoa sem face
A praia sem areia
O poeta sem poesia
O sangue sem a veia

Uma casa vazia
A pergunta sem porque
Um barco sem leme
Sou eu, sem você

14-03-2014

Fumeiro bravo (solanum granuloso-leprosum)

"Fumeiro-brabo"!
Segundo o jardineiro

Brinda-me o acaso
Com a fotografia

14-03-2014

Fotografia, março de 2014

Coragem

O espaço pontilhado na ficha de inscrição
Preencha-o

Escreva ali seu ofício:
Poeta

14-03-2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

Aceno

Epiderme sensível
Primeiro a anunciar o outono

Generoso plátano
Doa sua beleza ao abandono

13-03-2014

Fotografia, março de 2014

terça-feira, 11 de março de 2014

Naco de sossego

Na praça das rosas, também tem camélia
Cravo, hortênsia, amor perfeito
Muita grama, boca-de-leão e cipreste

Tem muro que escora unha de gato
Ninho de passarinho

Tem dois pombos matando aula
Que se pegam no banquinho

10-03-2014

Fotografia, março de 2014
Foto: Na praça das rosas, também tem camélia
Cravo, hortênsia, amor perfeito
Muita grama, boca-de-leão e cipreste

Tem muro que escora unha de gato
Ninho de passarinho

Tem dois pombos matando aula
Que se pegam no banquinho

10-03-2014..........................Naco de sossego (jlcalliaripoesias.blogspot.com)

Fotografia, março de 2014

domingo, 9 de março de 2014

Aula de piano

Os cabelos da mulher amada
Os olhos
Imagine-os

Beije-lhes as pálpebras
Lentamente

Escute o que dizem as teclas
Você tocará o contorno de seus lábios

Antes que a música acabe
A melodia mostrar-lhe-á sua face

09-03-2014



sábado, 8 de março de 2014

Duas perguntas

Às três da madrugada, ela pede pizza
O motoboy aperta a campainha, é convidado a entrar
Acomoda a embalagem sobre a mesa da sala

Ela passa a mão numa garrafa de conhaque, intuitivamente, servindo dois cálices :

1-" Você sabia que trabalhei como engenheira na Romênia"?
2-" Existe alguém que não tenha vivido exilada(o) neste mundo"?

08-03-2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

Aforismo VI

Mundo:

O mundo é o lugar onde se encontra a caixa de Pandora

Nota: Zeus acomodou a Esperança no fundo dela.

06-03-2014

Aforismo V

Vida:

A vida é uma nesga de luminosidade
que se embrenha por entre o breve  abrir e fechar de uma porta

06-03-2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

Manhã

Branca
Simplesmente

Como neve ainda intacta
Como a espuma que me barbeia
Como as vestes de um anjo

Como o esperma
Que a minha amada acolhe

05-03-2014

sábado, 1 de março de 2014

Carta II

As últimas notícias dela
Soube-se pelas linhas que grafou

Deixou-se tatuar no abdômen uma ampulheta com areia vermelha
Cujos grãos eram-- ao tempo-- indiferentes

Fugiria da teia
Que tecia a aldeia

Sua pele não era negra
Mas imaginava-a como tal

Estava pronto o costume
Para seu dissemelhante carnaval

01-03-2014

Fotografia, setembro de 2013

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Talvez

Talvez real
seu recanto

Talvez chore
a sorrir

Talvez me leve
de vez

Talvez me ensine
a voar

Talvez ser feliz
numa estrela

Talvez drama
comédia

Talvez dama
loucura

Talvez vida
na praça

Talvez noites
com anjos

Talvez sopro
nas almas

Talvez leia
mãos

Talvez levite
nas nuvens

Talvez livros
abertos

Talvez árvores
em desertos

Talvez eu pudesse
segredos

16-11-2009

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Interiores

Duvido
que você cultue a noite dos cristais
como se fosse uma primavera nazista

Você não precisa ser tão durona, tão artista

Necessitamos de música

Dependemos de uma lágrima sincera

Indesejados são alegorias e adereços
que destoem de um belo samba enredo

Por isso
lutamos contra os medos

26-02-2014


Sem leme

Destaca-se uma  folha do caderno
Dobra-se, moldando um barquinho
Solta-se no riacho
Não se sabe que destino terá

A poesia é assim...

26-02-2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Passo e meio

Quero alcançar as copas das árvores
Além delas
Mesclar-me aos distintos tons dos arrebóis

Quero sentir a chuva na face
Subir a cortina para a dança das estações

Quero mais
Adiante de onde mora o desconhecido
Para lá dirige-se  meu flanar

24-02-2013

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amostra

Um trio de bravos guias
(Dois pingentes e um lacinho)
Bosqueja meu caminho
Seja à noite, seja ao dia

Quando a lua fica vermelha
(Ideal pra lobisomem)
A pele, em mim, centelha
Esqueço até do meu nome

Então, dou a cara pro perigo
Porque é a cor do meu abrigo

22-02-2014



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Acasos da beleza

O boi bumbá despertou o ciúme na branca dália
Pendurado na vidraça
Atraiu o beija-flor pra dentro da sala

Como turista enfeitiçado, estático ficou o passarinho
A admirar o artesanato multicor

Foram eternos segundos
Até ele girar sobre si e partir num voo turbinado em direção ao verde
Pela metade aberta da janela

08-02-2010 e 21-02-2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Que cheiro terá

Dizem
Que as espanholas
De nome Dolores
Tem o perfume
De todas as flores

Jasmim
Os cortejos de rua
Em New Orleans

Nunca termina
O cheiro que se imagina

20-02-2014


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Poema urbano II

Silencia, pulsa todavia
Inculca

Em cada esquina reluz uma afiada aresta

A cidade é um blues
Que flui pela femural

Todo vulto passante
Qualquer corpo adormecido
Carrega uma imagem que me desperta

18-02-2014

Fotografia, março de 2016



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Tons

Estendendo-se além da mel- melancolia
Ausentam-se as matizes da natureza
A poesia não dança sem uma orquestra

Por isso
Não leve o reino dos adultos tão a sério

O encantamento
Parece habitar o brando mistério

15-02-2014

Fotografia, fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Carta náutica

Musa do verbo amar
O barco que me navega
Não quer mais ancorar

Menina, mulher que para o samba corre
Leva-me na tua lembrança
Que de tristeza já tomei porre

Se tua memória estiver lotada
Se nos teus sonhos não couber nosso tempo

Mulher da pele bonita
Jogue meus versos ao vento

14-02-2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dos compassos

Carvalho, penso eu
Escorre o suor sob a sombra da árvore nativa que me conforta

Visa o céu minha mira
Fixa-se em um fio de nuvem hiperbólico

Na copa de uma araucária
A gralha azul escancara o vocal

Pretensioso
Tomo como sendo pra mim a saudação da ave
A pressa da humanidade se rende

Haverá um tempo e um lugar
Onde  nem tudo será descartável

O afeto, muito menos

13-02-2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Instinto

Vejo todos os pubs do mundo
Um barman competente
Na íris, um flash a cada segundo
Moréias, piranhas, serpentes

Canalhas a granel
Uma noiva
Hordas de cafajestes

No Olimpo do lugar pressinto blues
Uma deusa morena à meia-luz
O melhor antídoto contra a peste

11-02-2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Balança

Desfazer as malas é ruim, só até o próximo fazer

10-02-2014

Folguedos

Lúdica
Em prosa e verso
À noite, na própria seiva
Ela folga

Insone, úmida
Até de manhãzinha
Verte em mim

Abre-se a valva em carmim
Rega-me e aos buliçosos dedos
Unge-me a pele a lava

Dá a vida a dádiva
Ao jardim de minha mão

10-02-2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Amanhã, teu olhar

Sempre haverá um jeito, além de Paris
O ar cosmopolita de Marseilles

Um cavaquinho, partido alto, samba de breque
O sorriso de um moleque

Um povo que reaja, embora o Senado
Uma quitanda que tenha dinheiro trocado, embora os Bancos
E o que eles nos tem explorado

Uma mídia honesta, apesar dos favores
Uma comédia, depois dos horrores

Uma morte, um nascimento

Sempre haverá um jeito, mesmo parecendo não haver outro
Haverá teu olhar

08-02-2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Nico

O maestro soltou sua batuta
Que dia...

Tudo é temporário
Uma questão de reencontros
Vá em paz, Artista

07-02-2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tambores do leste

Oferto-lhe alguns poemas
Escritos à mão

Acima dos trinta e três graus
As palavras navegam na jangada de Iemanjá

Haverá refúgio mais bonito
Do que em mares repletos de rios?

02-02-2014


sábado, 1 de fevereiro de 2014

O prazer

Quanto mais intensa a chuva
Maior a algazarra das cigarras
No início, pensei que elas protestassem

Quem nunca tomou banho de chuva no verão...

01-02-2014

Águas limpas

Serão negras pérolas, serão olhos
A enciumar as marcassitas...

Sábia guia dos labirintos
Quero a luz de teus poetas
Alquimia, palavras certas
Sorver lágrimas de absinto

Vou pedir à Iemanjá
Que me traga uma sereia
Com seu canto e um colar
Pra te enfeitiçar na lua cheia

15-04-2011 e 01-02-2014  **Pérolas negras desenvolvem-se, somente, em águas extremamente limpas.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sussurro de Iemanjá

A gente aprende a usar ferramentas
Pra se defender das armadilhas do dia
Esquece, é nos brinquedos
Onde repousa a genuína alegria

Se o oceano esconde o peixe
Deixa a tempestade passar
Navega a favor do vento
O barco não vai naufragar

Há cavernas que guardam horrendos segredos
Mapas
Piratas que metem medo
Mas não roubam as belezas do mar

30-01-2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Guias

Nada a dizer perante as lágrimas
Tanto quanto ao sorriso
Compartilho o saber, quando sou capaz
Aspiro o aprendizado, eternamente

Desarrumem as prateleiras
Quebrem os sofás
Abandonem suas casas
Mas leiam os livros

29-01-2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

Ruas onde morei

Essas mudanças da Gonçalves Dias
Para a Olavo Bilac
Depois Casemiro de Abreu

Não é de duvidar
Deve ser Dharma meu

25-01-2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

poemaLua

Quando o abajur dos amantes, em sépia, imerge
Recomenda-se uma praia
Pra ficar mais perto de Iemanjá

Um olho vigia o humor do mar
Outro a sereia
Pois Netuno enciumado
De minuto a minuto tarrafeia

Se for madrugada de calmaria
Prolonga-se o ritual de carícias até alvorecer

Agradeça, então, a poesia
Por dar um sentido a seu viver

23-01-2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Câmera lenta

I.

Seu desfecho é incerto
Amor também mareia
Coração não é inseto
Pra cair em qualquer teia

II.

Pedestal é pra monumento
Melhor do que o lamento
É pendurar a mágoa no varal

III.

Carne e osso não são brinquedos
Ele quebra como cristal
Ela sangra em segredo
Mesmo brincando no carnaval

17-01-2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

As três mosqueteiras

Se é para

Dizer o que todo mundo diz...
Cantar o que todo mundo canta...

Escrever o que todo mundo escreve...
Escutar o que todo mundo escuta...

Comer o que todo mundo come...
Pensar como todo mundo pensa...

Desnecessárias
seriam as reticências

16-01-2014


domingo, 12 de janeiro de 2014

Contramão

É apenas um blues a médio volume
Ele chama por nomes que são espinhos
Que são flores

Trepida, expele fumaça
Parece um trem que passa

Viajam desajustados clandestinos no vagão de carga
Eles derramarão os verbos todos nas plataformas das estações

12-01-2014







Vento de janeiro

O simples
A arte

Dá de graça
A natureza

12-01-2014           Vídeo, janeiro de 2014, duração: 1 minuto e 25 segundos.
Título: Vento de janeiro, por João Luis Calliari, no Youtube.

Miniatura


Pedacito

Você
De vestido
Soltinho

É
Água
Pra mim
Passarinho

12-01-2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

One way

It's just a blues medium volume
He calls out names thar are thorns
That are flowers

Chatters, expels smoke
Looks like a train passing

Traveling misfits illegal in box car
They shed all the verbs in the platforms of the stations

09-01-2014

poeMar

Onda que avança e varre a praia
Traz consigo todos os ventos
É coração em descompasso

Ninguém sabe seu destino
A espuma nunca conta pra onde vai

Quando recua, confunde as vontades da gente
Borra os sonhos desenhados na areia

Depois some
Pra embalar-se além da rebentação

Vai fazer serenata pra aurora
Copular com o crepúsculo

Ela é  maré de orgasmo
Nela a poesia me navega

09-01-2014