domingo, 29 de novembro de 2009

Dos destinos

Somos carga de açúcar, à deriva nos porões de saqueadas fragatas

Eis que, chega um navio pirata
Leva ouro no ventre, vazio de comida

À bordo, uma doceira que adora se lambuzar
Rouba o doce do mar, pra botar mais graça em sua vida

29-11-09

Dubai

Desfaleço
Em secura

Quando me deparo
Com flores de plástico

29-11-2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

Páginas

As tempestades ceifam o todo

Depois que as negras nuvens passam
Quadro volta a ser quadro
Mesa volta a ser mesa
Jarro volta a ser jarro
Gaveta volta a ser gaveta
Livro volta a ser livro


Tudo aparenta ser imortal, até a gente


21-11-09

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Traças de óculos

À bordo da nau dos desajustados
inexiste perdão,
muito menos se mendiga

Roe-se cordas no convés
quando ronca a barriga

Intermináveis motins
desaguam nos alheios
escuros horizontes

Constante busca de fonte,
delírio, FIM

Veloz
deve ser a estocada nesta ameaça
diz o bônus do sistema

Simples, indolor


20-11-09

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Metrô

Passa a mão na marmita
Urge, ruge a construção

Vira massa na obra
Humilde guerreiro que manobra

Agoniza
Clima, terra vulcão

Da toca chama a escassez do inferno
Dois pequenos choram
O terceiro dorme, sonha que mama

Ela faxina no bairro burguês

Vai ganhar o  leite
Que é o poema vindo do céu

19-11-09

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Repinique

Precisa-se de samba
por três a quatro dias
uma batida de bamba
de doce melancolia

Um que fale de saudade
palavra bem brasileira

Outro na flor da idade
pra deixar alma faceira

Remédio de fim de semana
de quem ama e sente tédio

Enrola o sono na cama
faz das ruas o seu remédio

Precisa-se de um samba amigo
daqueles que todas abraça

Será nesses dias um abrigo
depois isso logo passa

17-11-09

domingo, 15 de novembro de 2009

Zen

Os cães da vizinhança cessaram de latir
Faz uma hora, aproximadamente

A paz foi utopia, até que
Funcionários da companhia de luz não completassem o serviço de manutenção dos postes na rua
É o que me contam
Quando retorno de minha incursão dominical.

Pior é o efeito dominó. Cachorro do vizinho late para o outro vizinho
Depois o dono late para os filhos e a família toda devolve os latidos

Enquanto escuto parte da narrativa, ainda no elevador
Enfio os fones do Ipod nos ouvidos , a todo volume.

Ao menos, serei mordido ouvindo música
No meu retorno à civilização

15-11-09

sábado, 14 de novembro de 2009

Rendição II

Rendem-se meus olhos, querem os seus
Em cima de mim

Ponteiros parados
Duelos, abraços
Carícia nos traços

Carne, pavio
Arde
Cio

Tapa no destino
Um porto
Cais de dois barcos

Exausta
Meu peito, travesseiro
Meu corpo, seu leito
Um sussurro de "cuide-se"
Por fim

14-11-09

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sangue bom

No teatro Opinião samba uma Diva
José Do Patrocínio chega cedo
Combina com Lima e Silva
Pra amanhecer na João Alfredo

Caipirinha, cerveja, churrasquinho
Sorriso, pelo pão suado da batalha
Tem refrão nos bares do entorno
Hoje é nossa vez, Mart'nália!

13-11-09

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mar da madrugada

Quando ela pisou na areia
Mostrou-se o mar em presente raro

Todas as belezas de seus aquários
Abriram-se em honrarias

Ordem de Netuno não se discute

Fosse somente uma linda mulher
Não teria enviado aquela onda
Recheada de mágicas tainhas

Eu as via, na penumbra,
Cintilantes, na contraluz

Um recado
pra honrar o conjunto da graça

Enquanto
Algum Deus enciumado caminhava sobre estrelas
Esperando carona pro céu

10-11-2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Versteckte Sterne

Wache Montags auf
suche, was von mir übergeblieben ist

Untem dem Bett
schläft ein Gespenst,
der meine Fürchte zum tanzen will

09-11-09

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Amoras e pêssegos

Passa-se o rascunho a limpo,
quando se visita o mesmo lugar
pela segunda vez

Aos poucos, nos tornamos descobridores,
deveras pretensiosos, pois na real,
são os lugares que nos chamam

Da mesma maneira acontece com a flôr
que nos atrai.
A gente pensa que a cheira,
mas é ela que nos enfeitiça

A vida deveria ser assim,
como uma oferenda a quem se ama,
passada a limpo

Uma brincadeira com o tempo,
que o fizesse sorrir,
um tempo com olhos bonitos,
e
lábios espessos,
que destravasse as fechaduras da alma da gente

01-11-09