sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Porvir

Tudo o que se quer
É um colo para o desamparo humano

Que do conta-gotas, de quando em vez
Pingue uma lágrima de alegria


Tudo o que se quer, são metamorfoses
Que caibam na nossa finitude

Esse é o meu grito, para o presente que vier

31-12-10

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

...Antes que amanheça

Lua em quarto minguante, estação verão
Nenhum latido, nem o ranger de uma porta

Sento-me à pequena mesa, confronto o branco
Venho para me resgatar

30-12-10

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Felídeo

Sai de cena o temporal
Estão de volta os indefesos pintassilgos

Da pequena árvore brotam as primeiras sementes
Ração garantida

É tempo de festival de penas
Cores que ilustrariam um singelo catavento

Enxotei o gato
Ele estava doidinho pra enlutar a manhã

Ocorre-me
Preciso de um cão, que lhe faça companhia

Daqui a pouco virão os beija-flores


26-12-2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uncolored in the shadow




Blows the Bluesharp in the wind
Love has got a black rose in mind

Guy meets Vaughan at midnight
Soultrip into Hendrix's Little Wing

24-12-2010

Fotografia, setembro de 2015


Lilás

A hortênsia emerge do verde
Vem mostrar para o lago negro seu vestido

24-12-10

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sessenta por cento......De aumento

Liberté

Égalité..........................Deputados.

Fraternité

22-12-10

Posfácio

Restará um alegre vagabundo
Que pira no acorde de um blues

Alguém que aguarda uma carta, escrita à mão
Por um alienígena

22-12-10

Desprendimento

Brisa sumida
O que é feito de você

A saudade me castiga
Porque você não vem me ver...?

22-12-2010

Script

Imensurável é a tua ternura, enquanto pesam minhas pálpebras

Deponho escudo, espada e punhal, inato gladiador

Virás, na letra de uma canção na madrugada, Dianadeusacaçadora

Durante meu sono, me ferirás de morte com tua mitológica flecha

Depois, sairemos a sambar no alvorecer

22-12-10

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Líquida

Te quiero fuego, pasión, brillo...
Te quiero zumosal, sólo

        *****

Com leite condensado e canela
Sofisticada, se tua saia dança coqueteleira

Te quero cristal açucarada
Quando eu for teu copo hospedeiro


21-12-2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Gratuito

"Rabanada"! Exclama-se aqui.
"Cueca virada"! Grostoli, chama-se aqui.
Fluem conversas envoltas em aroma de baunilha,  sorvetes aspirantes à celebridades

Imagino beijos (pão) de mel
Tardes a iniciar pelo avesso, um cerimonial de travesseiros
Sinto cheiro de fronhas alegres, sem precisar de um motivo

19-12-2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Das derrotas

É bonito, dançante, alegre como deveria ser o sistema

Quando desponta o novo(antigo), sem crime

Ainda que...

Pra cima do meu time

14-12-10

Adrenalina

Travestido de traça
O mosquito abre mão de velejar no tapete, para surfar rente ao rodapé

14-12-10

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Caiu a ficha

O bolacha, quando garoto, era chegado a matar e prender passarinho. Bodoque, espingarda de chumbinho, gaiolas dos mais diferentes estilos, o que viesse ele traçava.

Era aficcionado, também, por rinhas de galo. Tinha um que era invencível.

Certa manhã, houve um desafio. Pra fazer frente ao galinho do bolacha, o desafiante foi o do Ademar. O duelo deu-se atrás da farmácia dos Tedoldi(da antiga).

Começa a luta, o galo do bolacha toma a iniciativa; pura covardia. Eu nunca havia visto um ser vivo apanhar tanto, a maior das crueldades. Do pescoço à cabeça, uma tela vermelha.

Até que, o pobre do galinho do Ademar disparou pelo terreno, com o multicampeão no seu encalço.

No instante que correram para apartar a peleia, o galo que fugia, subitamente parou e, ao mesmo tempo, girou(cento e oitenta graus), tinha seus esporões suspensos no ar.

Atingiu o outro, em cheio. Ferido gravemente, acocou-se e baixou a cabeça.

O bolacha foi prestar socorro. Quando viu que seu galo estava cego de ambos os olhos, chorou. Depois, decidiu sacrificá-lo.

Desse dia em diante, nunca mais matou ou prendeu passarinho. E nem meteu-se em rinhas de galo.

12-12-10

sábado, 11 de dezembro de 2010

moCa

Morena de Minas

Com esse andar de carioca

Que veste as cores do Salgueiro


Empresta às manhãs sorriso branco

Lenço pra qualquer pranto

Que vais fazer o dia inteiro?

11-12-10

Anunciação

Num piscar de primaveras
espaçosas três Marias vedam os olhos da cercas

Pequenas aranhas ensaiam no trapézio
para a estréia do verão

11-12-2010

Suborno

Nuvem escura, se você não chorar agora

Vou ficar muito contente


Volto da caminhada com algumas samambaias

E um Saara de presente

11-12-10

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Coadjuvante

Tesourinhas devem ser primas (próximas) dos gaviões.

O açougueiro da esquina as alimenta com carne.

De bocado, na mão, na hora do intervalo no serviço.

Quando ele falta, elas enlouquecem. Pousadas nos fios da rede elétrica e na árvore da calçada, lembram "Os pássaros" de Hitchcock.

Dia desses, apressei o passo; que eu não tô aí pra servir de ator, nem de picadinho.

09-12-10

Das óperas diárias

Tem nó que só a lágrima desata

09-12-10

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Madeira levadiça

Deve ser bom morar ali...
Acordar frente à passagem do Amstel
Fazer do convés da proa céu jardim
Da melancolia da popa um pub de Jazz


Beber cervejas de maio, pedalar tulipas
Regar bicicletas


E não me digam: "Olá, você à bordo,  não és brasileiro"!
Porque vocês farão versos de saudade
Lotados de nossas areias
Que eu invejarei, por não tê-los parido.

07-12-10

Cloaca

No rio dos Sinos

As badaladas anunciam a peste

07-12-10

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Confessional

Arredo a cortina
Kamikazes andorinhas lançam-se no vão entre edifícios, eu me vejo nelas

A expectativa de pisar palcos abstratos, rotas para o aprendizado
Faz-nos semelhantes

Sou arame farpado. Firo, oxido, entorto, cortam-me...
Volto a ser união de alambrados, embora não seja escolha minha ser espinho

Poderia renascer grama, árvore, besouro, plâncton
Sinto-me, agora, urbano

Desejo voar, estar em muitos lugares ao mesmo tempo
Hoje e sempre, assim espero

05-12-10

Quebra das clausuras

Chuva de verão é verso que molha pétala de flor.

05-12-10

SempreSim

Mandaram-na(o) ordenhar touros, ela(e) foi.

05-12-10

Incompati-----------------bilidades

Você o quer no motel, o fetiche dele é sua cama.

05-12-10

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Andaimes

Tem cadafalso que é verdadeiro

03-12-10

Abençoada

Come arsênico a recém descoberta bactéria
Jamais viverá na miséria

03-12-10

Rota 66

"Uma correria", ela queixa-se

Eu, que não dou conselhos nem a mim
"Quem gosta de quilômetro de arrancada são os insetos, na madrugada, em cozinha de hotel imundo".

Digo pra ela ir trabalhar de terninho, mas que só a sua pele toque nele, por dentro

03-12-2010

Cartão postal

Enquanto sobedesce o catador de coco

O coqueiro faz cara de paisagem

03-12-10

Colmeia de duas

As operárias presenciaram a cena da cozinha

Ele fecundava-a na cama dela

Quando o zangão voou pela janela

A primeira apunhalou a segunda rainha

03-12-10

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

About arrangements

There are always two histories
One that we know
The other is like a playground slide into the silence

29-11-10

Ela

Da figueira na rua
Nem mais os braços deixam mostrar-se

Tomada de pudor
Esconde-os sob o verde do vestido

Tem os seus truques a musa
Insinua-se na aparente realidade do tronco
Parece poção de encantar

29-11-10

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Noites estreladas

Agarra-te nas flores
Na cúpula de uma Basílica
Nas telas de Magrite
No trabalho solidário

Eu pego na mão da poesia
In der selben Badewane sind wir

Lá fora, voam balas traçantes
Abra  a porta
Depare com a nossa face no espelho

26-11-2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cabine leito

Nas carícias dos teus dedos
No balanço do teu corpo
Viaja meu sangue em descompasso

No pompoar, a tristeza vai embora de trem bala
Para encantar-se com a languidez de tuas estações

24-11-10

Orfandade(das renas)

Perdeu o gorro, o cinto e as pretas botas de couro, de madrugada

No samba, na cama

Tornou-se aluno de uma experiente fada


Lançou moda, a barba branca

Pela brasa do cigarro

Chamuscada

24-11-10

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tapa do Mississipi

Não se escuta uma queixa de bastidor

Nenhum pedido exótico de superstar

Oitenta e quatro anos, trezentas tours em dezoito meses, pisa no palco o Bluesman

Nos vales da pele correm histórias de lágrimas docesalgadas

Sorri, deseja boa noite, entrelaça-se na Gibson e...


It burns


Envergonho-me por todos os guris de apartamento

Acho que não sei nada da vida

Tenho mais é que procurar a minha turma

23-11-10

Sob o mesmo teto

Há um congresso ao lado do hotel, na copa de um Jatobá
Família numerosa, mesa farta

Pequi, gabiroba, jenipapo, araticu, cagaita(com a gaita?)

Sucos e polpas que jamais provei
Visto-me as asas, abandono terno e gravata
Perco a palestra de salão, ganho aventura na mata

23-11-10

Nau

Sumiu

Como uma perfeita geminiana, detesta aniversariar

Perdi as velas na tempestade


Ahhh....pra onde vai minha proa


O mar não se importa com o leme meu

Destino engraçado, quem é de junho sou eu

23-11-10

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pequeno bolo esférico frito

Am Brill, estação subterrânea colada ao Strassebahn

Distraio-me com vitrines

Como o caminhão do lixo chegou aqui?

Passantes jogam restos, da caçamba do caminhão, sobre a minha cabeça

Alcanço a escada rolante, num esforço descomunal


No topo, acordo nas areias de Genipabu


22-11-10

sábado, 20 de novembro de 2010

Bed

When you can't sleep
And your loneliness grows
I think about you

If you think about me
Just let the river flow

20-11-10

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prato fundo

Poesia é...

Uma SOPA
Carente de duas letrinhas

19-11-2010

Mochila

Escova e pasta de dente, três cuecas

Um livro, um cd de Blues, outro de Samba e caneta


Meias não, porque tá muito quente, mais um monte de bobagens

Ela no meu peito e a alegria

Tô fechando minha bagagem

19-11-10

É do jogo

Em tempos de multitarefas

Uma das mais gratificantes

É esparramar-se pelo sofá

18-11-10

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fragata rosa

Sujos versos derramo em teus ouvidos
Inflama-se minha pele de bom moço
Quero orgasmos teus inundando meus delírios
Passeios de língua nos esconderijos do teu corpo

Geme o silêncio, quando xingo:
Santa minha! Minha puta!
Meu modelo
Meu bom porto

18-11-2010

Afinal, você quer ser famoso(a) ou Poeta?

18-11-10

Wide open eyes

Como parágrafo desconexo
Eu, quesitos sem respostas

Espelho sem reflexo
Tornei-me uma aposta

Uma larva

Eu, coração em brasa
Desatei a fazer versos

Pra  defrontar os meus desertos
Criei asas

18-11-2010

An der Macht

Einfach "Kraft",

Hat sie gesagt


Als ob, Ich nicht wüsste,

Dass sie eine Dame ist

18-11-10

Mundomorfose

Todo dia


Um poema e um Cdvinilmp3


No liquidificador

18-11-10

Carro abandonado no meio----------fio

Morador de rua, sem coração

18-11-10

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Das amizades

Podemos andar extraviados

Somos dois versos de pobre rima

Mas não nos jogamos fora

16-11-10

Casablanca

Assim, chama-se o Kneipe em Bremen.
Depois das três, só antigos clientes.

A menos que, o porteiro seja seu colega de curso de idiomas e resolva lhe dar uma colher.
Eu reflito sobre as "dores" dos poetas, "Uma bijuteria à nosso verso"(doce mágoa).

Eu a vejo no balcão pedindo várias saideiras.
Pergunta-me: "Você é brasileiro, gosta de Vinícius de Moraes"?

16-11-10

Nas costas

De beijar pálpebras cerradas
De ser a senha para o cofre dos teus olhos

De domar, mar e dor, que não é dor
Quando desfaz-te das vestes

De saber, que o tempo é um tripulante que se amotina
De suspender, no espaço, o movimento da mão no instante da despedida

Carrego a genealogia
Que me retalha em postas

********************************************

à Cecília Meireles("Não sou alegre, nem triste, sou poeta")

16-11-10

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pensare

No cais do porto-- praia do mercado público--

Uma velha fragata, condenada ao forno siderúrgico, jaz

Enquanto essa hora não chega, ela serve aos pombos


Ao lado, tem um armazém de grãos


Ser pombo, deve ser bom

Pombo não esquenta cabeça

08-11-10

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Idiomas

Em terra estranha, a sensibilidade aflora

Que o diga o instinto de defesa


Diferente do turista, morador é concorrente

Uma simples ida à padaria, pode ser um grande desafio


Humildade não é covardia, acanhamento ou submissão

Arrogância não significa coragem


"Enrolação" é entre garfo e espaguete


Da língua materna vem a bagagem

04-11-10

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Das escolhas

Quando construí a sonhada casa
Receava não chegar ao telhado, por causa do dinheiro

Agora, abro a janela do quarto
Minha apreensão transferiu-se para o terreno ao lado

Não sei qual o motivo
A obra vizinha estacionou

Eu temo pela construção
Talvez sem necessidade

A vejo desprotegida
Casa é um pouco como ser humano

Não deveria ficar muito tempo ao relento
A menos que assim preferisse

03-11-10

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nos arrecifes

O vaga-lume cruzou o breu do espaço

Como que a anunciar o calor


Extraviou-se do enxame

Como meus pensamentos de mim


Um navio orientando-se por um farol que se movimenta

Estamos bem arranjados, nós dois

28-10-10

Sorriso

Entrego-lhe a flor preferida

Recebo todo Branco do mundo


E


A vontade de rolar na neve

28-10-10

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A atriz

"Um resistente", ela disse

Nada de Beverly Hills ou de Hollywood

Minha festa, de Nelson Cavaquinho

Era a senha para abrir seu coração

27-10-10

Sessão da madrugada

Uma caixa lacrada no depósito
Rodeada de insetos
Prontos pra devorar lembranças

Se tivesse que escolher
Eu não seria papel armazenado
Nem diamante escondido

Eu queria me embrenhar pelos ralos
Domar o perigo das ruas
Eu queria encontrar você pelos bares

27-10-10

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eu não sabia

Quando o trem parou na estação do subúrbio
Pela janela
Eu vi o cartaz que anunciava o show
Como eu desejei não ter partido naquele verão
Rumo à uma cidade desconhecida

Neil Young and Crazy Horse nos arredores de minha cidade
Foi como se eu tivesse cometido um crime

Mas eu era inocente e tinha de seguir adiante


26-10-10

sábado, 23 de outubro de 2010

Ou......Ou

Se ele(a) ama a todos(os)
Ao mesmo tempo
Ou
Você o(a) tira da cabeça
Ou
Veleja na velocidade do vento

23-10-10

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Folha

Meu sapato perdeu-se na música
De certo à caminho do mar

Pra onde eu ia, adiei
E nem faço muitos projetos

Talvez, algum singelo
Que envolva areia
Castelos, remédios para a memória

Aprumo as narinas na direção do verde
Venta azul
Deito-me lâmina ao sabor das marés

22-10-10

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

Dos instintos

Um vacilo da lagartixa
E aquele gavião de serra de plantão na chaminé da lareira
Faria o serviço

Um festival verdebrancoamarelo
Oculta as reais intenções do gato preto
Que mal espera o bocejo do sol

Torço pelo filhote de canário belga
Quem disse que a selva fica na África
Que  fome tem hora marcada

10-10-10

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ostras

I

Adormeci mar
Quando dei por mim, estava você

II

A gente verte

III

Pra que nome, se tem seu cabelo

IV

Desperta-nos a lua cheia

V

Apenas, seguimos

Sabemos
que tropeçamos coração

VI

Sai fumaça da Maria

VII

Eu barco
Você onda

VIII

Tão, mas tão
que dispensa o resto


IX

Dois pares de asas pra um par

X

O dia é uma atriz no palco do teatro

XI

Violino Vivaldi

XII

Não, não se encontra em casa
a concha abriu e ela saiu

06-10-2019

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Foda-se

A gente, que tem nome e sobrenome
A nossa pseudo democracia
O pronome oblíquo
A sina de ser poeta


A civilização e o progresso
A ditadura
A rádio FM alheia ao blues
O comunismo
A teoria, que não vira prática

......foda-se, foda-se a matemática

A obsessão pelo sucesso

04-10-10

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Recipro Cidades

Para certas cidades, seremos eternamente estranhos
Elas estão seguras na sua frieza
Nós (chaplinianos) somos errantes na exatidão de suas paralelas

São cidades belas (nas suas matemáticas)

Nós, aos seus traçados, alheios
Selamos nossos corações

As coisas estarão sempre nos seus lugares, nos desconvidamos
Elegantemente


28-09-10

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Escala crescente

Você se descobre classe média(um otário), quando:
Compra à prestação um automóvel zero km, que custa sessenta e um mil reais

E

Sente-se mais otário quando:
Percebe que o protetor do cárter é um dos ítens opcionais

23-09-10

domingo, 19 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Habitat II

Uma após a outra
As letras, como grãos de milho
Iluminam minha trilha

Meu labirinto me sustenta
Até pouco antes da saída

Além dela
Ouvi dizer, reina escuridão

Nenhum cereal, nada de grão

13-09-2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Política

Cruza de tamanduá com morcego hematófago

Gera muita cobra criada

09-09-10

A dor

Nobre dama
Envolta em teu negro manto
Tu não me assustas

Tua afiada foice
Com o poder da abreviatura
Eu a tenho como cura

Temo, sim, tua mensageira
Aquela que traz envelope lacrado
Eu daria a vida inteira
Pra ser dela poupado

09-10-10

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Limonada

Nadéjda, por mais que tentasse, não conseguia esquecê-lo.

Resolveu que iria à sessão de autógrafos, afinal,

Ele teria seu primeiro livro publicado, "Limões", poemas esquecidos, editora Alfabeta.


Ela era um maremoto de amor e de ódio. Ansiosa, furou a fila.

Ali, cara a cara, lascou: "Você fica dando uma de intelectual, no fundo quer mesmo é arrumar uma puta".

E, ele, de bate pronto : "Estou sem talão de cheques, você faria fiado, só por hoje"?

07-09-10

domingo, 5 de setembro de 2010

Você já viu (quase) tudo

No feriado, os donos da casa não vieram

Um casal de quatis

Instalou-se no jardim em frente


Tão folgados, parecem gente


Tivesse piscina, estariam refestelados

De óculos ecuros e cauda felpuda ao sol


Perfeitamente.........."adaptados"


Agora à pouco, como sobremesa de domingo

Um deles, ao celular pela tele entrega, encomendou ambrosia


Estão se achando deuses no Olimpo

Querem pousar pra fotografia

05-09-10

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Proteínas

Na Joana e no João não há músculos de barro
São celebridades da natureza
Andam, pelas sarjetas, à cata de grama seca e finos gravetos

Não frequentam academia
Detestam grifes

Num esforço de helicóptero, alçam voo até  o ponto mais alto do poste
Carregam a "argamassa" no bico, quase pronta pra assentar

De costas para o pólo sul, vai nascendo a porta da casa
Na hora do lanche, o pânico instala-se na população de minhocas
Haja alimento pra sustentar esta dupla

Assim acontece toda primavera.

02-09-10

domingo, 29 de agosto de 2010

Farinha no saco

Pão com gergelim, sorte pra mim

Pão de centeio, tem mãe no meio

Pão de trigo, meu bem em perigo

Pão de aveia, môsca na teia

Pão de milho, nó no estribilho

Quem come pão torrado, ama dobrado, adoidado, ao quadrado......

29-08-10

domingo, 22 de agosto de 2010

A(h)orta

Zomba
Pra driblar as dores

No momento de alerta
Preocupa-se com as alfaces

Quem regará os canteiros?

Simples, humilde trabalhador
Com o corpo abalado

Segue no circo
Palhaço lutador


22-08-2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Bi-campeonadto da Libertadores das Américas

Pentelho mexicano encrava
Dói um pouco, mas logo morre


19-08-10


Retratação


Havia excluído este singelo aforismo
Dois dias após meu time se tornar Bi-campeão

Ledo engano
Como ignorar a poesia contida no berro
A qual ecoa nas vermelhas veias da paixão

21-08-10

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Casas de quadra inteira

Passeio por entre outdoors
Que estampam perfeitas peles expostas

Com joias e lingeries como ornamentos
A cidade não poderia ter mais bela opção

Das coberturas avista-se o bairro(outrora negro)
Que se chamava--ironicamente-- Mundo Novo e o cemitério

Existem preços entre o fim e o começo
E no caminho, muitos brancos jalecos

"Ora, são os compassos", diria um compositor


17-08-10

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alarme

As coisas de família ficam implícitas
No modo da gente se acomodar no sofá

Nos olhares, nos quadros
Que se afeiçoam às paredes

O alarme dispara, são quatro horas da manhã
Deve ser de algum automóvel ou cerca elétrica

"Preciso voltar pro interior, mas eu estou no interior":
Diz a voz do meu sono

"Quem sabe, o interior do interior"
Reclama o tácito em mim, semi-desperto, dependente da cidade

16-08-10

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Susan

Abandonou seu país
Porque foi proibida de pintar
Infeliz
Foi viver em outro lugar

Retratava a saudade de sua terra
Não esquecia de seus governantes
Era artista, contra a guerra

12-08-10

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Grega

Quero o futuro grafado por Sibilea
No dorso da folha de uma figueira
Que o destino
Embaralhe ao desejo do vento

E que nenhum verso alegre ou triste
De algum poeta possa mudá-lo
Eu queria
Que o acaso fosse meu alento

11-08-2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lampedesejo

O sol que desbanca o nevoeiro
Chega de mãos dadas com uma fada
De nome brisa

Pode ser um poema
Que avança para a primavera
Enquanto o inverno agoniza

10-08-10

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Trilhos

Tempo é questão de cabeça
Onde soltam-se e prendem-se amarras

Deve ser pra que a gente não esqueça
Que o danado é como um trem que não para

09-08-10

domingo, 8 de agosto de 2010

Acordes

Deveria preservá-las
As frases inesperadas

Charadas que me assolam
Acordes de blues
Que revelam-se letras

Eu, mero instrumento de sentir


08-08-2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Regata

O timoneiro de Netuno faz o barco zigue-zaguear entre os arrecifes no arquipélago das reticências

05-08-2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Vales e uvas

Onde o rio Carreiro encontra o das Antas
De cima da pedra grande, ainda domínio do primeiro
Vou cevando lambari.

Peixe daqui só aceita polenta feita em casa
Engole uva isabel de sobremesa.
Jundiá dá risada de espinhel, armado por gente da cidade

Dia desses, meu celular caiu no leito pedregoso
Um Jundiá, bem bigodudo, o devolveu na minha mão.
Em troca, pediu um gole de vinho, eu lhe atendi de bom grado

Decerto, era seu desejo ser fisgado previamente:
Semi-marinado

01-08-10

domingo, 25 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Nem tudo tem no Google

Nosso pai despertou-nos, antes do amanhecer
Ao lado de casa havia um terreno baldio, de esquina, com grama alta
Pela janela do quarto vi o mundo branco

Tanta era a neve, que os mentirosos da cidade nem ousaram aumentar a quantidade.
Durante o café, soubemos pelo rádio que as aulas haviam sido canceladas
Na praça central houve festa

Sentia-me importante, no alto dos meus 11 anos, meio às pessoas mais velhas
Ao menos, até os pés congelarem e minha mãe me passar uma carraspana

Meus dedos roxos demoraram para aquecer no fogão à lenha.
Nenhuma casa era mais linda que a nossa

24-07-10

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cabeceira e pés

Nos amamos

No silente espaço instante


Entre duas notas

De um solo de saxofone

23-07-10

Acanhado

Por trás dos flocos
De celeste algodão

Surge o Voyeur
Como testemunha de viroses

E ela, junto ao corpo
Carrega a primavera em camadas
Num passeio acebolado fashion

O astro espreita
Aguarda o verão
Como se fosse um amante proscrito

23-07-10

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Corneto

Chegou para jantar-nos
Traiçoeiro liquidificador

Muitos não tiraram a sorte
Monstro noturno

Rasgou as encostas do vale
Dizem que uivava, sedento de morte


22-07-10

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Auditório II

Ó, Araújo, calado Viana!!

Ilumine as cabeças
Que projetam pra você

Um novo, supérfluo teto sem estrelas

21-07-2010

Rodas

Por entre corpos e ferros

Ainda não a sirene, só berros


Passa o cão, que late

Em nome de quem, prossegue o abate?

21-07-10

sábado, 17 de julho de 2010

Tanto poder

Fim do mundo é voto secreto
De senador e deputado
São as mordomias no congresso

Fim do mundo é imunidade parlamentar
Enquanto cidadão se rala
Com tanto imposto pra pagar

Fim do mundo
É ser obrigado a votar

17-07-2010

Casamento Gay

Nenhum pavor

Heterosexual, Ex-católico

A favor

17-07-10

quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Por uma resposta

A Voyager

Viaja pelo espaço

Abriga no ventre um blues


"Alguém pode me contar, o que é a alma de um homem"?


A noite era escura, canta Blind Willie Johnson

À espera de um eco na solidão de luzes

02-07-10

quarta-feira, 30 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Degustação

Fosse da chuva o convite
Iria ao bar

Faria meu ninho no canto
Sob o chapéu da marquise

Papel, caneta
Morosos goles de lua
E afagos da tua silhueta


28-06-10

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Metamorfoses

Desencantos, encontros, paixões
Receios, inércias, expectativas, insucessos
Afinidades, amores

Dinheiro, culpas e engrenagens

Em água, em vida
Deveria ser tudo transformado

25-06-10

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Claquete

Sucessor do napalm, de Hiroshima, do Exon Valdez
Das múltiplas faces da guerra
Único amigo, The End

Mostra-te no pálido branco das telas
Nesse instante em que acolhes um humilde soldado
Que nos revelou a --verdadeira--cegueira humana

18-06-10** morte de José Saramago

sábado, 12 de junho de 2010

Versteckte Liebe

Jemand zu treffen
Villeicht zu vergessen

Jemand zu treffen
Villeicht zu vergessen

Jemand zu vergessen
Villeicht zu treffen

Jemand zu vergessen
Villeicht zu treffen

..........................
..........................

Jemand

12-06-10

quarta-feira, 9 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Valor da moeda

Eram cinco horas da manhã
Anunciou o antigo relógio de mesa, recém consertado.

Depois disso, mais nada
Nem o som de um respiro

O silêncio é um bem inegociável.

06-06-10

terça-feira, 1 de junho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Quem sabe

Quem sabe eu entenda

Que o show segue um roteiro

Em vez de querer

Que minha música toque de uma vez

***

Quem sabe eu aprenda

A tocar meu próprio violão

***

Quem sabe eu cesse

De tanto me cobrar

***

Quem sabe eu cresça, um dia...

30-05-10

terça-feira, 25 de maio de 2010

Garça ao óleo

Tingem-se minhas penas

Com o líquido escuro


Era meu o mar do planeta

Agora humanamente inviável


Eu canto

porque o momento exige

Nem mais pena eu sinto

25-05-10

domingo, 23 de maio de 2010

Imortais

Azar o de quem

Nunca tomou um porre

Não teve uma paixão, um vício


Pensa que não morre

Nem viaja no próprio hospício

23-05-10

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Alicerces

Do sertão com filhos à tiracolo
Atrás de uma vaga pra recepcionista
Um pouco poeta, um pouco artista

Lavando roupa, cantando
Ou, por necessidade, se prostituir
Parece drama de cinema
Mas é alicerce de país

20-05-10

quarta-feira, 19 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

Petit Paquet

Tô aqui

Tentando formar uma linda frase

Pra te impressionar


Se ela não vier

Mando-te minha alma

Pelo correio

11-05-10

Pês

Poesia e Projeto não se cruzam

Ela é marginal

11-05-10

Férias de verão

Figada,  Marmelada, Goiabada, Pessegada...

Lá em casa, fazia-se em tachos de cobre comprados dos ciganos
A leitura das linhas das palmas das mãos vinha de brinde

Nosso futuro era sempre promissor

Os grãos de uva cozinhavam, até esquecerem-se que eram grãos
Açúcar, vinha do armazém, em sacos de sessenta quilos, caia em avalanche

Mexe que mexe com a pá de madeira!
Da fervura vinha o aroma

Quando atingia o ponto, meu pai passava para os coadores
Extraia o suco e engarrafava

Só de olhar dava água na boca
Na hora de beber, ele dizia:

Suco de uva  "engrossa" o sangue !

11-05-2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Motivo

Meu bom dia acorda cedo
Meio abobalhado, com vontade de você

Acho que é pra ver
Se você passa pela minha rua
Assim, ela se enche de graça

07-05-10

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Eu mesmo, múltiplo

O que me gera é o pensamento

Dependo do exercício de imaginar


Quero saber navegar nas minhas marés
Ser comparsa de meus ventos


Quero meu dia a dia, sem o faz de conta

Intruso mel(fel) à meu habitat

06-05-10

terça-feira, 4 de maio de 2010

Lua cheia

Uivos, são queixas

De rochedo pra mar

04-05-10

Chapado de sentimento

Tuas luas, como as minhas

Saem para lobos uivarem

Se elas falassem de solidões

Soariam aos ouvidos dos planetas

Feito notas musicais

04-05-10

Meus sinais

Sou a minha própria armadilha
Erro por aí
Fujo dos editais

Meus regulamentos, descaminhos
Partem numa caravana sem rumo
Sou a solução que sonha demais

04-05-2010

domingo, 2 de maio de 2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Turmas

Uma turma vai para o lago

Espelha-se na superfície

Enxerga coisas no fundo


A outra prefere o raso do espelho


30-04-10

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A cara do centro

Fizeram a cidade escutar
Sua própria voz
Num dia qualquer da semana

Ela fingiu só ter ouvidos
Para  o  som do "três em um"
De uma vizinha

Quantos pratos tinha que por na mesa?
Nunca lhe perguntaram

Pobre cidade
Abrigo de ocultos personagens
Sonegam-lhes a paisagem e a vista para o rio


19-04-10

sábado, 17 de abril de 2010

It's time

A rainy day in my mind

It's all that my body needs

My heart says that's autum time

And he's tired of the summer breeze

17-04-10

sábado, 10 de abril de 2010

Flashes

Temos tarecos guardados nos depósitos da alma
Assemelham-se a arestas, que
Nem sempre machucam

Sentimos, quando delas lembramos
Que gente é uma coisa caduca

10-04-10

sábado, 3 de abril de 2010

Noviço

As palavras não pedem licença para sumir
Há muito a ser "dito"
Por vêzes, não se é capaz

Em vez de ar, fumaça
Frieza na íris, onde outrora brilhava o castanho dos olhos
Abre-se um livro, a gente  é como uma criança que engatinha

03-04-10

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Fazendo arte

Como se quisesse colo, desabafou:
"Acho que ando muito amargo".
"Não gosto de mim assim".

Ela disse que, na dose certa
A amargura poderia se transformar em arte.

Então, ele levou um pedaço de chocolate à boca
E sorveu-o, lentamente...

01-04-10

domingo, 28 de março de 2010

Olhos mendigos

Pediam-se em silêncio
Embaraçados

Indiferentes ao apelo das mãos
Surpreendidos

Necessitavam-se com urgência
Apesar dos labirintos

28-03-10

Despedida do verão

Da torre da pequena igreja

Anuncia o sino

Que o outono se avizinha

Tem-se um domingo de paz

De desbotados verdes

Parece que o relógio parou

Como que compadecido com a metamorfose das cores

28-03-10

sexta-feira, 26 de março de 2010

Travesseiros

Quando desperta-me na madrugada com sua manha de que "nada aspira"
Ela me vira pelo avesso, é uma orgia sem fim e nem começo
Minha fêmea é um poema que respira

26-03-10

quinta-feira, 25 de março de 2010

Das teses

No digitar de uma tecla

Tomba uma cristaleira

25-03-10