sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Comboio de Utrecht

Sextas-feiras à la Otis Rush
Sair da cidade, entrar em bares que margeiam rodovias

Eles dizem que é somente um jogo, uma proposta
Eu não sei o que é o amor
Nem procuro uma resposta

Espero o apito da fábrica, vou no primeiro trem
Não viaja dor nesse comboio
Nem é tristeza que me afasta

Quando a brisa da tarde se cala
A voz da noite é quem me arrasta

30-11-2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Início de semana

A segunda-feira
Deveria imitar o domingo

Aparecer lá em casa
Como quem nada quer

Tomar seu café na cama
Mudar de nome

Em vez de Dia
Seria Mulher

26-11-2012

domingo, 25 de novembro de 2012

A cereja dos domingos

Das dezoito às vinte e trinta horas
A melancolia atinge múltiplos orgasmos


25-11-2012

Equação

X = Ansiedade + Pressa
Y = Indecisão

X + Y = Momento não

25-11-2012

?(Predadores)

É inútil, surfarmos nas ondas da indiferença
Somos um livro esquecido, onde as palavras se ausentaram
Porque cansaram de nos definir

Dependemos de uma porta
Que nos liberte do nosso interno labirinto

Sonhadores é o que somos,  temos infinitas perguntas
Mas as respostas nos esnobam

25-11-2012




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Semear

Quem ama (ou amou) sabe

No time da faculdade não há professor
Que domine a matéria do amor

Despedir-se do barco que sai para o mar
Abençoar as velas, navegar no colo do vento
Servir no topo do mastro como sentinela

Como doi o peito
De quem tem amor pra dar jeito


23-11-2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Devolva-me

Se você me encontrar
Por favor, devolva-me

Perdi-me na busca
Tornei-me servo de canções
De poetas, vagabundos que trabalham

Muito facilmente, perco-me
Quando você me encontrar
Devolva-me

16-11-2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O contrário, nunca

Felicidade é o instante em que as horas perguntam pela gente

12-11-2012

paLarva

Incessantemente, ela toca
Parece o badalar de um sino

Abriga-se por entre os lençóis
Quer que chame seu nome na madrugada
Reclama por versos apimentados

Pólen ela se chama
E pensa que sou sua flor

Quem me dera, tamanha sorte

Servir de abrigo pra pouso de abelha, beijo do vento,
bico de pássaro, orvalho...

Pouco tenho para inspirar meu canto
Apenas um obsessivo chamado

Tornei-me hospedeiro
Um imenso tapete branco

11-11-2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Jabuticabas

O domingo lamenta-se
Parece um cantor andaluz

Na cidade não rola jazz
Tampouco jam sessions de blues

De repente, ela chega

Tão linda que, sem saber bem o porquê
O final de tarde pede perdão

Seus olhos tem a cor da jabuticaba madura

Vestido solto ao vento, salto alto
Pele de seda pura

Traz no peito a quietude da mulher inquieta

Seus desejos alimentam versos
Para que a noite descortine-se em festa

10-11-2012



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Alberto e os girassóis

Alberto não suporta que adocem seu café

Tomado de gentilezas
 joga algumas sementes de girassol no jardim da vizinha

Ele não sabe, ela detesta girassóis

07-11-2012

Nevoeiro

Toque a cortina! Apareça na janela!
Está pronta tua alegoria
Abra as pálpebras!
Assim, revelas as cores do dia

Venha, senhor Amarelo
O filho de um pássaro está por nascer
Dentre os astros, o mais belo
Se és rei, aquece-o com teu jeito de ser

07-11-2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Mídia

Uma nave extra-terrestre aporta aqui
Como se fosse um circo, seus tripulantes vagam de cidade em cidade
Querem transformá-los em celebridades

Preferem fugir para outro planeta
Consideram-se artistas, de verdade

04-11-2012


Breves traduções

Me deixa..............Me beija
Me chama.................Me ama

Me abraça, quer dizer: Não sei

Tô com dor de cabeça............Não tô a fim
Deixa de frescura!..................Vai carpir uma horta!

04-11-2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dos mestres

No ginásio (ensino fundamental), quase todo professor ganha um apelido.
Lembro muito bem do geadinha, assim chamado  por causa de seus cabelos grisalhos.
Foi dele a observação, em classe, de que eu era íntimo das redações. É claro, encabulei.
Apreciávamos a riqueza de seu vocabulário. Com o passar dos anos, passamos a admirá-lo por sua humildade, cultura e sabedoria.

Ao contrário de outros mestres, jamais foi indelicado, sem deixar de ser severo (quando necessário).
O que ele não disse, era que eu teria de conviver com o medo--permanente--de ser abandonado pelas palavras.

02-11-2012