quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Letra noturna

Busco minha metade na noite
Longe de livros, computadores

Aporto nos bares
Rodeada de mil beija-flores

Recebo nas baladas quilates
Presentes de todas as cores

O que me lapida, me fere
Como promessas de falsos amores

Brilho na íris, onde minha imagem me vê
Estou vestida em fotografia
Desnuda, se for pra você

24-08-11

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pesopotência

No portão do prédio, dou de cara com um sabiá mais gordo do que eu.
Vem dele o canto noturno, quando confunde o brilho das luminárias com o sol.

Exibe no peito a cor das laranjas de época, suponho ser a mesma da felicidade.

Pelo tamanho da minhoca, que no seu bico se debate, concluo que deva ter uma família numerosa, ou o cantarolar da madrugada abre o apetite, isto explicaria seu sobrepeso.

Sigo ladeira acima, penosamente, com meu insignificante coração um ponto zero.
Eu gostaria de saber, como ele consegue alçar vôo, rechonchudo como é...

23-08-11

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Samba das casas separadas

Em algum lugar distante
Você sofre com a TPM
Não se sabe neste instante
Se o barco está sem leme

Meus porres, minhas solidões
Angústias e prisões
Você, mulher
Haveria de administrar?

Não, eu vou para o alto mar e vou sozinho
Pra que estragar sua flor
Com o ferrão do meu espinho

16-08-11

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Retomada

Secam as lágrimas, não a tristeza
A tristeza é um rio amplo e silencioso

Questiono o que não é para ser
Doem duas dores: uma em carne viva, outra cicatriz antiga

Mansas, as páginas consideram
Necessária será a continuidade da leitura

A qualquer momento, se cessar o latejo, amainar-se-á  a perda
Será encontro de rio e mar, quando eu voltar pra mim

03-08-11