quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Inumanos

Tem dias, a gente desperta desperta velho
Tem dias, florescemos adolescentes

Noutros,  adormecemos feito crianças
Há aqueles, nem parece que somos gente

28-09-11

domingo, 25 de setembro de 2011

Observações durante uma profícua caminhada

Apartamentos que custam em média dois milhões de dólares

Quem pode, troca o ferro pelo vidro espesso e temperado ao cercar o jardim

Babás uniformizadas passeiam

Mulher, 26 anos, embriagada, oito e quinze da manhã, adormece ao volante de carro importado, bate em outro estacionado(perda total) e foge

Alheios, pássaros saúdam a nova estação

25-09-11

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Som repetido

Às vêzes, dentro da gente habita um carrasco
De tudo que se faça, nada parece ser bom
Letras aprontam homéricos fiascos
Dias de melodias fora de tom

O coração é como aquela solitária canoa
Teimando contra a correnteza do rio
Nas margens, a voz da mata ecoa
Rema! Rema!, este é o teu desafio

23-09-11

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sunshine's Blues

Well, you say I'm your cure
I'm leaving you, baby
Won't be back no more

It's springtime
I have my way to do
Can't you see?
I'm like a dark cloud over you

Everyone has sorrows
Our hearts aren't made of steel
I wish us a better day tomorrow
A slow blues will come to dry our tears

21-09-11

domingo, 18 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Grades

Antes da pólvora queima o pavio
O tempo almoça e janta o desafio

Não figurava na sulista enciclopédia
Dizia-se: "é coisa de São Paulo e Rio de Janeiro"!
Cerca seu medo a classe média
Enquanto ganha o pão o serralheiro

16-09-11

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ledo engano

"Sou poeta"!
Foi como o som de um tiro disparado à queima-roupa

Como se, esse "ser" o poder mantivesse
De reter a chave da felicidade

13-09-11

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vista da proa

Ela larga as panelas
Vai pra janela

Solta as amarras
Segue a escola, norte a sul

Vai descalça
Remexer sonhos na areia
Samba a pulsar nas veias

No corpo o calor da cachaça
Ela é juventude, banhada em azul

09-09-11

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vista da popa

Samba a escola, eternamente
Chama a voz do verão

Há tempos zarpou o barco

No cais, ainda ressoam as despedidas
Mãos em movimento de adeus

Crianças, que seguirão espelhos
Descobridores futuros e piratas de além quebra-mar

08-09-11

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Visitas

As horas vieram me dizer
Que estão, um pouco, agoniadas

Deve ser
Por causa da anunciada tempestade

Da sala vem um estranho burburinho
Seres alados habitam a chaminé

Meu café necessita imediata atenção

Da mesma forma, o canarinho
Ele voa pela casa

Tento apanhá-lo, ele é ágil

Graças ao encontro dos rodapés
Na terceira tentativa, tenho sucesso

Com o cotovelo, faço correr a janela
Estendo os braços para a liberdade

05-09-2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Rumo a um Renoir

Porque é setembro, eu piso leve
Aproximo-me dos vidros embaçados

Dorme ainda o milagre amarelo e as pitangas nem sonham em nascer

Primeiro serão as flores
Como manequins em passarela

Não há fome de poder no mundo
Que supere o colorido de minha tela

01-09-2011