sábado, 29 de dezembro de 2012

Das invejas e mágoas

Às vêzes, inventa-se  uma certa inveja, vinda dos outros
Para justificar uma latente mágoa, enrustida em si mesmo

29-12-2012


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Gula

Embora estivessem empanturrados, queriam mais, mais e mais...

Não bastasse, mostravam-se pedantes os "connaisseurs" em gastronomia,
aliados aos pomposos enochatos, digladiavam-se em conversas sem sentido

O chefe de cozinha pensou que era hora,
preparou pão francês, recheado com banha de porco e palha de aço

Foi alardeado e servido como especiaria

Exótico! Exótico!
Era o brado que vinha do salão

27-12-2012


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Aufwiedersehen, adiós, bye-bye, addio, adeus

Ferido de morte na asa direita, amerissa o díptero inseto no lago do vaso sanitário
Ao mesmo tempo em que , uma mão assassina dirige-se para o botão de descarga

24-12-2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

Nove milhões de dólares

Depois de acertar na mega sena, escrever lhe cansa
Pensa que inspiração é coisa de pobre

Pobre cabeça

22-12-2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Listinha (para entregar ao Papai Noel)

a) (Des)ordem no meu interior, porque paz mundial é utopia
b) Livros e discos
c) Um sistema menos perverso
d) Polpudos lábios vaginais, que remetam meu pensamento à bolinha de sorvete na casquinha, sem pazinha.

*Cada ítem, deve (incondicionalmente) trazer consigo o ítem "d".


19-12-2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Norte

Vou remando na minha canoa
De encontro a uma aurora boreal

Se navego dentro de mim
Você lá está

Então, rumo ao meu encontro
Independente do teu destino

18-12-2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Textura

Sob a branca de malha
Boba
A mão crescida se espalha

17-12-2012

Cenapoema III

Trôpego, regado à cachaça
Bota enlameada
Touca adernada no teto

Meio sem graça
Cumpre o Papai Noel a jornada
De saco repleto

17-12-2012




domingo, 16 de dezembro de 2012

Dos básicos saberes

Se você não é apicultor, não mexa com abelhas africanas
A não ser que você seja da opinião, de que vale a pena correr o risco

16-12-2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Leveza do fardo

Uma pilha de livros no baú da sala
Um show musical na tela
Um par de tênis que não aperta
Um violão que caminha pela casa

Hoje, se puder, não faço mais nada
Nem mesmo um poema

11-12-2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Toque de silêncio

Quem dera, acatássemos o chamado do joão-de-barro
Sob um flamboyant, em dia de céu aberto, veríamos dedos estendidos às alturas
Desordenados traços de nanquim sobre tela de fundo azul

Mãos que tentam tocar o firmamento, quem sabe
Abrigadas por um chapéu verde, ornamentado de flores alaranjadas

No miolo delas, sinos amarelos vindos do além
Ali acontece a festa das cigarras
Na árvore esculpida por alguma divindade

09-12-2012


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

Antes e depois II

GRE-nal.................................gre-NAL

02-12-2012 ....Último e histórico jogo, pré-implosão do estádio olímpico.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Das aptidões

Vampira(o) que se preza, não joga confete
Chupa sangue e faz boquete

01-12-2012

Conjunto dela

Sapato cor de areia na minha praia
Combinando com a preta de rendinha
Quero que, o mundo de inveja caia
Pra saudar minha rainha

01-12-2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Comboio de Utrecht

Sextas-feiras à la Otis Rush
Sair da cidade, entrar em bares que margeiam rodovias

Eles dizem que é somente um jogo, uma proposta
Eu não sei o que é o amor
Nem procuro uma resposta

Espero o apito da fábrica, vou no primeiro trem
Não viaja dor nesse comboio
Nem é tristeza que me afasta

Quando a brisa da tarde se cala
A voz da noite é quem me arrasta

30-11-2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Início de semana

A segunda-feira
Deveria imitar o domingo

Aparecer lá em casa
Como quem nada quer

Tomar seu café na cama
Mudar de nome

Em vez de Dia
Seria Mulher

26-11-2012

domingo, 25 de novembro de 2012

A cereja dos domingos

Das dezoito às vinte e trinta horas
A melancolia atinge múltiplos orgasmos


25-11-2012

Equação

X = Ansiedade + Pressa
Y = Indecisão

X + Y = Momento não

25-11-2012

?(Predadores)

É inútil, surfarmos nas ondas da indiferença
Somos um livro esquecido, onde as palavras se ausentaram
Porque cansaram de nos definir

Dependemos de uma porta
Que nos liberte do nosso interno labirinto

Sonhadores é o que somos,  temos infinitas perguntas
Mas as respostas nos esnobam

25-11-2012




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Semear

Quem ama (ou amou) sabe

No time da faculdade não há professor
Que domine a matéria do amor

Despedir-se do barco que sai para o mar
Abençoar as velas, navegar no colo do vento
Servir no topo do mastro como sentinela

Como doi o peito
De quem tem amor pra dar jeito


23-11-2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Garimpo

Letra é coluna
Palavra é templo

Verso é riacho´
Ponto é pepita

Vírgula é minhoca
Poesia é verbo

21-11-2012


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

À soberba do Homo Sapiens

De grão em grão, carnes, pães
Panquecas

Você, que se acha especial, distinto(a), superior(a)
Supre o bucho de comida e (igualmente), como todos os demais
Defeca

19-11-2012


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Devolva-me

Se você me encontrar
Por favor, devolva-me

Perdi-me na busca
Tornei-me servo de canções
De poetas, vagabundos que trabalham

Muito facilmente, perco-me
Quando você me encontrar
Devolva-me

16-11-2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nós, pronome

Ora mar, ora rochedo

Ora alpinistas
Ora aves, constroem seus ninhos em paredes verticais
Decifram os humores dos ventos

Do vai e vem das marés, dos abismos
Retiram o requerido sustento

14-11-2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O contrário, nunca

Felicidade é o instante em que as horas perguntam pela gente

12-11-2012

paLarva

Incessantemente, ela toca
Parece o badalar de um sino

Abriga-se por entre os lençóis
Quer que chame seu nome na madrugada
Reclama por versos apimentados

Pólen ela se chama
E pensa que sou sua flor

Quem me dera, tamanha sorte

Servir de abrigo pra pouso de abelha, beijo do vento,
bico de pássaro, orvalho...

Pouco tenho para inspirar meu canto
Apenas um obsessivo chamado

Tornei-me hospedeiro
Um imenso tapete branco

11-11-2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Jabuticabas

O domingo lamenta-se
Parece um cantor andaluz

Na cidade não rola jazz
Tampouco jam sessions de blues

De repente, ela chega

Tão linda que, sem saber bem o porquê
O final de tarde pede perdão

Seus olhos tem a cor da jabuticaba madura

Vestido solto ao vento, salto alto
Pele de seda pura

Traz no peito a quietude da mulher inquieta

Seus desejos alimentam versos
Para que a noite descortine-se em festa

10-11-2012



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Alberto e os girassóis

Alberto não suporta que adocem seu café

Tomado de gentilezas
 joga algumas sementes de girassol no jardim da vizinha

Ele não sabe, ela detesta girassóis

07-11-2012

Nevoeiro

Toque a cortina! Apareça na janela!
Está pronta tua alegoria
Abra as pálpebras!
Assim, revelas as cores do dia

Venha, senhor Amarelo
O filho de um pássaro está por nascer
Dentre os astros, o mais belo
Se és rei, aquece-o com teu jeito de ser

07-11-2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

João Pessoa

Cidade mar, meu encantar
Queria ser filho do luar

O sol tateando, de dia, no meu berço
À noite, mamãe lua rezaria um terço
Me botaria pra ninar

06-11-2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Mídia

Uma nave extra-terrestre aporta aqui
Como se fosse um circo, seus tripulantes vagam de cidade em cidade
Querem transformá-los em celebridades

Preferem fugir para outro planeta
Consideram-se artistas, de verdade

04-11-2012


Breves traduções

Me deixa..............Me beija
Me chama.................Me ama

Me abraça, quer dizer: Não sei

Tô com dor de cabeça............Não tô a fim
Deixa de frescura!..................Vai carpir uma horta!

04-11-2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dos mestres

No ginásio (ensino fundamental), quase todo professor ganha um apelido.
Lembro muito bem do geadinha, assim chamado  por causa de seus cabelos grisalhos.
Foi dele a observação, em classe, de que eu era íntimo das redações. É claro, encabulei.
Apreciávamos a riqueza de seu vocabulário. Com o passar dos anos, passamos a admirá-lo por sua humildade, cultura e sabedoria.

Ao contrário de outros mestres, jamais foi indelicado, sem deixar de ser severo (quando necessário).
O que ele não disse, era que eu teria de conviver com o medo--permanente--de ser abandonado pelas palavras.

02-11-2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Velocidades

Derrete-se a cera nas asas de Ícaro, acima de nossas cabeças

O tempo ignora continentes
Não lhe vemos a cor dos olhos

30-10-2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desde a placenta

Enquanto a gente nada
Contra e a favor da correnteza
Aconselha-se a tirar o melhor proveito da vida
Procurando nela beleza
Mesmo que esteja escondida

26-10-2012


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Raptor

O Rio de Janeiro atrai muitos amores
Outros tantos conquistará

O que tem ele, que eu não tenho
Nem carece perguntar

Tenho ciúme desse Rio
Seu carisma tanto que me agride

Chama as musas para perto
Deixa o ponto de interrogação no meu cabide

Quem sabe, um dia eu me mude pra lá
Inspire-me, onde Vinícius de Moraes escrevia, de punho

Só não sei se vai dar certo

O Rio é de Janeiro
Eu sou de junho

24-10-2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Poemagma

Vem queimando as veias
Em erupção

Meu sangue se parece com um "morreria, ainda bem que não"
Traveste-se de felicidade, até que resfrie

23-10-2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dó, ré, mi e tem Sol

Ao volante é que chegam a mim pequenos receios

Assisto o filme de minha memória no para-brisa
Ladeado por um colorido natural, que engole o asfalto

Por segundos, os retrovisores concedem-me o perdão

A magia , que vem do rádio, devolve-me à realidade
Então, eu me pergunto:
De que planeta vieram certos iluminados compositores?


19-10-2012


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Hábitos I

Sem palhaço
pipoca

Arte, pimenta

O circo humano
não se sustenta

17-10-2012


Tudo bem

Pra me machucar
Vieram me contar
Que tens alguém
E eu, tudo bem
Mentira

Pra te esquecer
Vieram me dizer
Que tuas pernas
Outras entrelaçam
Que tuas coxas
Roçam outros pêlos
E eu, tudo bem
Mentira

Pra me resgatar
Vieram buzinar
Que despertas com alguém
Amas esse alguém
E eu, tudo bem
Mentira

Vieram me matar
Que isso não se faz
Que sou geminiana
Que tenho vinte e poucos anos
Que quero ser feliz

Que saudade é vão
Dentro de abismo
Dentro de outro vão
Dentro de mim, vazia
E eu , tudo bem
Mentira

17-10-2012

domingo, 14 de outubro de 2012

Classificados

Troca-se uma tarde de domingo por uma migalha de fé

14-10-2012

Traços da noite

Na penumbra
As curvas do violãozinho remetem à escala musical

Ousa-se
Pela fresta da persiana uma nesga de luz

É quando
Seu corpo deixa escapar um último Lá (maior).

14-10-2012


sábado, 13 de outubro de 2012

Poema singelo

Minha visão de mundo
É a mesma que você sonha
Sem correrias medonhas
Nem egoísmos profundos

Nada mais nos toca
Quem sabe, um novo planeta, novo sistema
Talvez, voltar para as ocas

Aqui, é agora!
Competição e consumo
Adulto não é criança
Por isso, não muda o rumo

12-10-2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nadiesda

Certos nomes, quando concebidos
São envoltos em delicados mantos

Talham-se para o sussurro ao pé do ouvido

É como se a pluma de  uma rara ave
Ousasse um passeio atrevido pelo corpo

Cada  letra pronunciada

Corresponderia, da pele
A um arrepio

11-10-2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A des(h)armonia das coisas

O céu  está repleto de nuvens indecisas
A grama, as árvores, as flores permanecem tímidas
O coro de bem-te-vis parece fora de tom

Mas como, não é primavera? (pergunto eu)
O allegro de um sabiá, em dissonância com a natureza, responde:
"Abra o coração, nós lhe revelamos o poema"

09-10-2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Roda de chuva

Banho na rua é como roda de samba que acontece de improviso
É atrasar a saideira

Esquecer o relógio a semana inteira
Pra se encantar com um sorriso

07-10-2012

Coffee (with brandy) break

I

She walks around the Blues corners
It hurts her every step

II

She smiles at me, she fakes
But she doesn't go back to the cage


III

To your arms
To your flaps

07-10-2012

Fotografia, outubro de 2016

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Monólogo

Essa coisa, de traçar objetivos...
Não sou eu, quem dá ritmo às horas

O dia percebe, eu sigo adiante
Do jeito dele

05-10-2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Desvairados

Feito faca, o grafite risca a prancheta
A cabeça viaja para longe da sala de projetos

O mundo pulsa lá fora, a fábrica parece um presídio
Como são desvairados os sonhadores
Como são sonhadores os trabalhadores...

02-10-2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Lua de colheita

Minha Minolta X-300s (analógica) quer dançar com sua Nikon D3200

30-09-2012

Carta I

Nada de extra
existe nas linhas que desenho

Tudo de que falo
tu já sabes

Queria que fosse em papel de carta
então haveria uma novidade

Por ocasião da leitura
as tuas mãos tocariam as minhas

30-09-2012



sábado, 29 de setembro de 2012

Mar de calmaria

Não me levou com ele, o barco que passou pelo coração
Fiquei falando com o vento, pouco antes da rebentação

Ao sabor das marés, aguardo
Quando a névoa das tuas serras dissipar-se, venhas conhecer a minha face
Queimada de sol

29-09-2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Na madrugada, a melhor estrada me toma

Sou mero servo das letras
Dos papéis, da caneta

Preso nas armadilhas do dia, não respiro

Desfaleço nos braços das tardes e morro
Ressuscito no crepúsculo, quando rabisco no livro do feiticeiro

26-09-2012




terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Átimo

À mercê de que sorte estamos
Que os restos sejam  músicas, poesias, pinturas...

Porque o circo não se sustenta, quando desacompanhado
A vida (sem a arte) é  amarga ilusão

24-09-2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Toca-discos, em breve

Eu tenho um toca-discos que funciona
Que mundo velho, esse novo

Deve haver uma porta, que abra para um céu despoluído

Sinto cheiro de anos setenta no ar
Teu corpo está coberto pelas flores estampadas no vestido
Bomba o amor nos acampamentos e bares
Do teu ventre nascerá um pacifista

22-09-2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Folha em branco

Os escuros caminhos por onde vago
Logo, iluminados ficarão

Nunca me preparo, para o ser que me desvenda
Sou um servo do destino
Não aguardo recompensa

20-09-2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Falso desamparo

As ruas do bairro não presenteiam-me com versos

Então, eu me recolho
Não há imagem que me atraia

As árvores do parque estão mais para o cinza
Já vai tarde o frio e não há borboletas
Parece que, os pássaros aliam-se a uma certa timidez

O que me desperta para o mundo, liberta-me
É o mistério por baixo das saias coloridas
O som do galopar dos saltos altos nas calçadas

Ah, meu coração cigano...
Rouba o pouco que resta (em mim) de sensatez


18-09-2012




Balcão, prateleira e caixa

Na feira livre do dia
A palavra amor como mercadoria

18-09-2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Piranga (avermelhado, na língua Tupi) I

O pé de pitanga é o charme do jardim
Frio,geada, ventania
Nada vence a tenacidade desta árvore

Em março de 2004, tivemos um furacão no sul:
Deram-lha o nome de "Catarina"

O telhado da casa desabou sobre a pitangueira, estraçalhou-a
Arranquei a raiz e mudei-a de lugar no terreno
Apenas isso, sem grandes cuidados

Um ano mais tarde, vigorosa, ela ressurge
Todo mês de setembro, eu sinto no ar a delicadeza do perfume da fruta
Quem colhe pitanga, fica com a alma perfumada

16-09-2012



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012

Bolinho de chuva

Mesmo que você sele os ouvidos
Ao rufar dos tambores
Haverá uma janela no vestido
Aberta a seus chamados interiores

Mesmo que  você negue acesso
Às entradas de seu cais
Serão cicatrizes suas feridas
Quando , na cama, você pedir mais

Mesmo que nunca aconteça
Que pela sua cabeça
O amor jamais tenha passado

Ouvir-se-á o eco nas esquinas
Respondendo ao seu amado

Mesmo que apaguem-se as luzes
Dos  refúgios mais seguros
Você seguira poetas e cegos
Porque ambos enxergam no escuro



09-09-2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Entre peles

Quem dera, o acaso nos brindasse
Com uma rara conspiração de estrelas

Ambos envoltos em camufladas ansiedades
Olhos no encalço dos olhos
Gestos mesclados ao eminente rebuliço

Uma desnecessidade de palavras
Os pilotos, esquecidos do relógio
Ligados no automático dos corpos

Depois, no bocejar da alvorada
..............................o aconchego

02-09-2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lebres

Um trem perde os freios, descarrilha campo adentro
Como se fosse um míssil teleguiado

As lebres não se abalam, a comida é farta
Pastam por toda vida, sem reação, mesmo que o trem as atropele

31-08-2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Humildades

Algumas mulheres
Gostam de dinheiro em espécie

Algumas mulheres
Gostam de diamantes brutos e lapidados

Poetas também gostam
Estamos (humildemente) empatados

26-08-2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Diz

Que os dias frios agonizam
Que a vida é valorosa, diz

Meu bem, diz que rumamos ao nosso encontro
Apesar das frases mudas, nosso leito está pronto

Quem sabe, mesmo sem querer
A poesia lhe traduza o que pra mim ela nega
Que existe uma enseada, onde nosso barco sossega

25-08-2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Sagrado

Notícias do bem querer pintam o céu com as cores da Portela
No rodar da saia do bem querer nasce a brisa de verão que passeia pela casa

Voz de bem querer amansa tempestades, é dia que vai dar praia
Jeito de bem querer da gente é brinde de ano novo

18-08-2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Flutuante

Às vêzes, no laboratório
Não encontro nenhum vestígio de poesia nos frascos

Então, sou aquela garrafa no mar com um bilhete

16-08-2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Traços

Pinceladas sobre tela são palavras que preenchem o (des) colorido do silêncio

14-08-2012

Pluviometria

Abandona a cidade a falsa primavera
Negras nuvens trazem chuva, para lavar conformismos

Pedrão do Céu anda (deveras) ocupado
Cérebros viajam na Suíça, alucinados

Na minha rua, sabiás fumam um baseado
E o mundo segue, globalizado

14-08-2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

sábado, 11 de agosto de 2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Segredo

Está ali
Naquele guardanapo de mesa de bar, rasurado por um poeta vagabundo

Uma fêmea com gosto de polpa
Predileta fruta

Um corpo imaginário, uma pele perfumada
Que tem asas na alma

04-08-2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Senhores das balas

Não foi bala perdida
Tinha remetente, usava terno e gravata

Da cabeça da morena
Na saída de um Banco
Um tiro, vindo de Brasília
Não sentiu a menor pena

Vinte e dois anos
Apesar de linda, não era a mulher maravilha
Como sobreviver, sem super poderes
Aos disparos de Brasília?

Se, nada muda pelo voto
E, ele nulo causa dores
Quem sabe, um dia,  dirijam-se os projéteis
Ao berço de seus senhores

01-08-2012

domingo, 29 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Anatomia

Peito: Fração nobre do corpo humano, onde a saudade se acama

25-07-2012

Acordes de solidão

Aquele violão calado, apoiado no colo

Cigarro apagado entre os dedos
Olhar perdido na ilusória fumaça
Embretado por fome e medo
No frio banco da praça...

25-07-2012

domingo, 22 de julho de 2012

Carona noturna

Bentas madrugadas, vontade de se perder por aí
Vem o desejo de que retardem as primaveras

O corpo (quase inteiro) permanece -- ad eternum -- nos bares
O resto dele viaja na cabine do Expresso Oriente, dançando um blues

A gente é como aquela folha de plátano regida pelo vento

22-07-2012

sábado, 21 de julho de 2012

Cochicho da percepção

Certos dias ensolarados desenrolam-se como um carretel...
Lentamente
Até que a ponta da linha fique úmida

Quando você menos espera, ela encontra o buraco da agulha
Um pouco antes ou depois do sol deitar-se

21-07-2012


Foto: Lorena Pimenta







quarta-feira, 18 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Samblues

O blues é a cara do samba
Assim a mãe África quis
Regou a raiz com o mesmo sangue
O mundo se fez aprendiz

O peito de ambos é como a brasa
Brilha na escuridão
Basta um acorde de guitarra
Uma batida da percussão

Do negro berço aos palcos
A simplicidade embala, seduz
Disfarçada na cadência de um samba
Quiçá no lamento de um blues

Samblues forma um casal, música que gente dança coladinha
Ama, separa, aprende a superar a dor
Enquanto um pede passagem, o outro volta de viagem
Nas encruzilhadas da vida, o acaso do amor

17-07-2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ironia na poesia, como chave de fenda

Humor é...

16-07-2012

...noção

Uma dama muito fashion, cheia de luz
Rebelde, ultra moderna

Que estaciona o carro em vaga de deficiente físico
Não recolhe da rua as fezes do cachorro

Xinga o passante, ameaça o segurança com processo
Ela é o maior sucesso, um mimo de sedução

Uma dama delicada que nunca pede socorro
Totalmente Zen...

16-07-2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Teto

Chuva sobre telhas francesas
Taças de vinho na mesa

Versos jorrando na calha
Cozinha, peça nobre da casa
Beijos, que a noite agasalha
Imaginação, alimento com asas

12-07-2012

Vapt-vupt de rua

Mão na sombrinha
Pés na calçada
Uma breve dançadinha
Tarefa acabada

12-07-2012

domingo, 8 de julho de 2012

Pausa infinita

O sol vem lamber minha pele
Sua saliva dourada agasalha mais que cobertor de pura lã

Vaidosos ipês admiram-se nos vidros espelhados dos edifícios
Buscam afirmação, como a dizer: "A natureza é soberana"!

Hoje no parque, não cabem guitarras, saxofones ou acústicos violões

Antes do aguardado crepúsculo, muito menos o alerta de um grito cabe
Compreendo aquele iluminado cearense, quando diz ser ele o infinito

08-07-2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Peyote

De champagne, vinho, imaginação
Tequila, absinto, poesia
Ilusão

De suas virtudes, tome hemorrágicos porres
Mergulhe na música, crie seu mescal

Antes de adormecer e ao despertar, questione seu relógio
Diga que você não é refém

05-07-2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bananas

Uma banana pra porra da verdade
Sobre a existência, a (in)utilidade humana

A gente tira o peso de cima da vida, ela nos joga pro alto
Não tem outro jeito, as quedas são partes do jogo

04-07-2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Pianutopia

Mudou-se
Levou na bagagem a alegria do bairro

Nas noites de bar, o piano gozava da carícia de seus dedos
União de veludo e marfim

Samba, blues, jazz
Até o sino da igreja acusar seis da manhã

Quis segui-la para o norte
Ele era incapaz de ler nos úmidos olhos dela:

"Não me acompanha que eu não sou novela"

03-07-2012

Fotografia, dezembro de 2014

segunda-feira, 2 de julho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Imaginatione

Invisível fonte
Teus sorrisos, tuas cores são borbulhares

Sob as cascatas--tuas filhas-- banham-se passantes
Taxados de loucos por todos lugares

26-06-2012

domingo, 24 de junho de 2012

À la Kerouac

Despetalou-se você
Mal se quer
Bem me quer

O corpo da flor, aos pedaços gemia
Entornava no quarto a poesia
Dos eternos segundos de dor

24-06-2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pacote pesado

Descobri que, computador é um ser pensante
Pesamos toneladas frente à tela

Se deixarmos, ele nos embrulha pra presente
Hoje, não vou encher o saco do meu computador

21-06-2012

Das centelhas de cada um

O zangão apaixonou-se pela joaninha
Pra desgosto da rainha, que desejou não ser abelha

A joaninha caiu de amores pela rainha
Pra tristeza do zangão, que ficou fora da telha

21-06-2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

F2, quase F3

Jaz a casa (decapitada)
Terror na face do pescador

O tempo é carpinteiro
Vida é feita no punho
Com sorte, caneta-tinteiro e um furacão de rascunho

"Catarina", segundo a NASA
O primeiro na América Latina

março de 2004

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pergunta de rochedo

Por que te zangas, se dentro de ti vivem sereias
Se esparramas sonhos nas areias

........................?

Se sou a escura prata que te adorna
Poruque te zangas
Se a lua cheia é quem abranda tuas formas

15-06-2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Minotauro

Lá está a besta, senhor cidadão
Fura-fila de guichê na agência lotérica

Toma a frente da senhora idosa

Vai acertar na mega-sena (uma bolada)
Continuará (deseducadamente)......rico

14-06-2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Paralele _ _ _ _ _ _ _ _ pípedos

Quando me ocorre
Que a magia das horas nasce morta
Recolho-me ao mar dos pensamentos

Água lapida arestas, é namorada do tempo

Uma a uma, no encaixar das pedras tortas, percebo
Vai se formando o pavimento

13-06-2012

domingo, 3 de junho de 2012

Em sonho e fantasia

Tanta era a poesia na minha pele, teus negros olhos escreviam
Tantos mares, ventanias

Tão pobre de carinho andava eu
Que por tolice, eu pensei que fosses minha

03-06-2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Àquela dama

Uma frase, notícia dela basta
Para o bem-te-vi cantar em prosa

Traz consigo a poesia que dança de ventre
Entorpece

Sou criança saltando sob colchão novo
Brinco de brigar de travesseiro

Ela chega sem alarde
Enquanto vou empilhando letras pelo mundo

01-06-2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Maçã mordida

Navegas nos mares das polpas
Bicho do meu apreço
Mensageira das manhãs

Sou fogueira de junho
Na tarde, adormeço
Homem passado a limpo

Anoiteço em brasa
Até os cílios da tua madrugada
Pesarem de tanto querer

27-05-2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tempo

Sinto o tempo no cinto

22-05-2012

Estiagens e cheias

Não se explica o amor
Ele nasce fonte, deságua mar

A poesia não é cúmplice dele
Ela é arte
Bálsamo para as chagas

Somos as rachaduras na terra árida, as folha na correnteza do rio
Os peixes que lutam contra ela

22-05-2012

domingo, 20 de maio de 2012

Lente

Ao confrontar-me com uma palavra do meu gosto
Ela se torna uma rainha
Um certo amor  ascende-me

Bela, luminosa fonte
Grande angular
Amplia meus horizontes

20-05-2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Camuflagens

Caem máscaras à meia-noite nas portas de Paris
De mãos dadas, peste e cura rondam a cidade

Meu corpo nunca esteve ali no cadafalso
Talvez, a alma como um aríete invista sobre os portões da cidadela

Quando amanhece, nada se passa
São invisíveis as portas de Paris

18-05-2012

domingo, 13 de maio de 2012

Despedidas

Ainda vejo sua face
Uma lágrima pronta pra seguir a outra, quando o ônibus partia

Ela era como a estrofe de um blues
Que fica ecoando nos alto-falantes das estações rodoviárias
Todas suas alegres e tristes aflições

A outra parte da canção, o refrão
Ia comigo pra capital, vive dentro de mim junto com ela
"Procure ser feliz, meu filho"!

13-05-2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sublimitate

Veja a cerejeira
Nada é mais generoso que uma árvore

O tom do verde depois da chuva
Natureza que abranda luto

Repare na cor da terra
Se ela puder escolher, prefere paz
Em vez da guerra

A gente procurando pela cura
E ela sentada na areia, olhando o sol se pôr

11-05-2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Só aqui

Sessão SECRETA de CPI

10-05-2012

Pausa de si

Ela senta no vaso sanitário, ensaia uma pose inspirada no pensador de Rodin
Um pavimento acima, a descarga da privada abafa o ruído do tráfego
"Meu pai no sanatório, nunca fez mal à uma formiga", é tudo o que ela pensa

"Não deveria ser desse jeito", lamenta

Anseia pela hora da mudança
Pela linha do Equador, pelos olhos do mar, a lutadora ainda respira

10-05-2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ter a Pia

Os trovões das candidatas à metrópoles nos põem insanos
Porém, botecos são acústica (mente) isolados

09-05-1012

domingo, 6 de maio de 2012

A lua tá tão cheia porque cansou de ser fotografada

06-05-2012

Chamado dos atóis

Dissipa-se a neblina
Soltam-se o cabos de proa e popa
O motor rosna algo sem tradução, animalesco
Como se reclamasse pelo sono interrompido

O bote ruma leste, direto para o centro do sol, contornando a baía

Quando nossos olhares fogem da luz e de azul se completam, ele toma o rumo nordeste
Parece que atende o chamado da aventura

À estibordo ancoram pesqueiros santistas, sempre escoltados pelo marfim das gaivotas
O casco da nave é seguro e o cara do leme sabe o que faz

Eu vejo morenas sereias nos arrecifes
Elas ajeitam seus cabelos no espelho do mar

Brincos vivos nadam entre os corais
Nestes dias, querem Anfitrite e Netuno que nos ocupemos dos cristais

06-05-2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

Otário brasileiro

Paga as contas e se ferra
Honesto senhor, bom caráter
Com os impostos você se arrepia
Nasceu aqui, entrou numa fria

Na política, só serpente
Gente vivendo de sujo trôco
Você pensa que está louco

Bem-vindo ao lar doce lar
O último golpe rola na tela
Tranca o rango no bucho
Ou vai vomitar na janela

Volta quietinho pra sala
Manda os filhos pro quarto
Amanhã será um novo dia
Vai trabalhar! Vai Votar! Vai pagar o pato!

01-05-2012.....Dia do trabalho

domingo, 29 de abril de 2012

Pele riscada

Delicio-me com cantos escritos
Verbos espadas(suas terminações são gêmeas dos prazeres)

Sou um grão de areia na imensa praia de águas claras
Um garimpeiro do acaso(a mais rara das pepitas)
Sou urso, que de mel se embriaga

Quando é para sentir, escuta-se o silêncio das paredes
A natureza, que domina a linguagem dos sinais

Basta a gente se envolver com os feitiços:
Mar(bálsamo).....balsamar
Manhã, nuvem...............veludo
Lua
Noite, festa, paz

29-04-2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Touros e toureiros

Que sejamos ingênuos somente na poesia
Ela, quase tudo, admite

Sistemas econômicos organizados são como pitbulls
Quando atacam, visam a jugular

25-04-2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

domingo, 22 de abril de 2012

Parque da Redenção

A chuva pinta o parque em aquarela
O chão põe os sulcos em relevo
Pequenas vertentes correm pra lugar nenhum

Jaz a folha de coqueiro, entre minúsculas outras
Atravessam-se sobre os passeios, como se fossem soldados tombados em guerra

No asfalto, pulsa a vida
É o "overture" para o concerto de domingo

22-04-2012

sábado, 21 de abril de 2012

Prefácio

Vou guardar-te como um marcador de páginas
Dentro de um livro de aventuras

Uma folha de laranjeira de próprias vontades
Com perfume da mata em si

Que, se quiser, viaje pra fora da terra
Pra longe da solidão dos capítulos sem sal

Quem sabe, antes do epílogo
Tu te apaixones por algum personagem
Que tenha algo de mim

21-04-2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

20:30h

A cidade é um formigueiro insano
Destilados transbordam dos dosadores
Precipitam-se para dentro dos copos em direção ao gelo

Tem jeito de anos setenta a bolsa que a menina carrega
Na leveza de seu andar, a batida do meu coração se entrega

Pés desnudos, sua pele invade meu sonho
Parece que a pressa das ruas me acalma

Atende a súplica da alma
Por um trânsito menos medonho

20-04-2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Zarcillos

Acusa-se a harmônica por detrás dos pinheiros
Dylan entoa blues e baladas
Aos poucos, deseja-se (morrer) renascer...........(just early in the morning)

Arma-se o palco para a cerimônia cigana
Balançam sedas e pingentes de prata

Imã é o batom vermelho nos teus lábios
(Ode ao momento)....juras de sangue
Olhos são tochas na mata

Serei caçador de ti, esta noite, até nunca amanhecer

19-04-2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012