quarta-feira, 27 de julho de 2011

contemporânea.com

Digita-se: "virtualmente, a-m-i-g-o-s"
"Quiçá, amantes"

Deleta-se o momento anterior ao agora

Disfarça-se a solidão
Logicamente, tecno

Com o dedo indicador no rato, ou no celular, remamos, remamos
Remamos todos

La nave va, há vagas nas galés

27-07-2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quatro mãos

Encurta a distância,
Uma leve carga agrega-se ao exercício aeróbico.
Incontáveis são os desenhos no caminho de casa até o mercado.

Certas pedras agrupam-se,
Parece que buscam arrimo entre arestas irregulares,
Servem de pano de fundo para um cenário revirado.
Junto ao humo, jovens folhas e frágeis galhos sucumbem à tempestade,
Rendem-se ao inverno.

Para os pássaros, o cardápio no solo é promissor.

Quem cozinha é a chuva, quem serve é o vento.
São dois artistas afeitos a encontros noturnos que pintam suas orgias à quatro mãos.

21-07-11

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Norte

I

Os ratos, no centro histórico de Gênova,

Esgueiram-se pelas estreitas ruelas
Caminham sobre um tapete de seringas usadas
Tem uma lágrima suspensa no canto do olho

II

Sob o assoalho dos Pubs
Eles esboçam um sorriso quase humano

III

Nem tudo está perdido, se despencar uma gota de cerveja
E sobrarem restos nos pratos dos turistas

IV

Os ratos do cais, em Gênova

Almejam partir do porto de Los Palos
Atrás das caravelas de Colombo

V

São ratos, aos tombos afeitos
Que não encontram um Norte em terra firme

VI

Mas navegam
Lendo as estrelas

15-07-2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tear com arTe

Povoa-se um deserto com música
Basta uma nota que valha

Dela e do silêncio nascem crias
Amor(com todas suas tramas) , amizade e beleza da arte

De certo, terá mais (não muito) a vida
Como prosseguir sem esse tear?

13-07-2011

domingo, 10 de julho de 2011

Distante

Vivia junto ao escuro abismo das almas

Os ventos devolveram-lhe à claridade

Jovens vozes quebram nas pedras, agora
enquanto as espumas deitam-se nas areias

Elas trazem as mornas lufadas, águas cristalinas

Chamam-na
para que se refaça em outra latitude

Um novo mar, repleto de adereços
Em toda sua plenitude

10-07-2011

domingo, 3 de julho de 2011

Antes da curva

Em frente ao cinema, trocávamos revistas em quadrinhos.
A EBAL(Editora Brasil America) detinha os direitos das mais cobiçadas: Superman, Batman,Zorro, Os Sobrinhos do Capitão, Tarzan.

Mandrake, Cavaleiro Negro eram da Rio Gráfica Editora e, se não me engano, O Fantasma também.

Em cartaz, quase sempre um Bang-Bang. Vilão, chamávamos de bandido, herói de mocinho.

Quanto aos doces, eu os vendia no armazém frente à praça.
Da "bala" de mel, eu não gostava.

A compensação vinha através dos "cubos" de pasta de amendoim(Diziolis), dos pirulitos, tijolinhos de banana e das azedinhas. Chocolate pertencia às especiarias.

O gosto açucarado da "bala" de goma, igualzinha a essa que excursiona pelos meus dentes, revive em mim os beijos na tela das matinês de domingo, enquanto meus olhos despertam para a placa de sinalização:

"Curva Acentuada à Direita" !!

03-07-11

sábado, 2 de julho de 2011

O estranho

Deve ter aulas particulares com o pica-pau
Seu longo bico "varre" o tronco da velha nogueira totalmente nua

É da cor do barro, mas não é João

Pra mim, o ar gelado é uma gaiola
Pra ele, uma folgança

02-07-11