sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lebres

Um trem perde os freios, descarrilha campo adentro
Como se fosse um míssil teleguiado

As lebres não se abalam, a comida é farta
Pastam por toda vida, sem reação, mesmo que o trem as atropele

31-08-2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Humildades

Algumas mulheres
Gostam de dinheiro em espécie

Algumas mulheres
Gostam de diamantes brutos e lapidados

Poetas também gostam
Estamos (humildemente) empatados

26-08-2012

sábado, 25 de agosto de 2012

Diz

Que os dias frios agonizam
Que a vida é valorosa, diz

Meu bem, diz que rumamos ao nosso encontro
Apesar das frases mudas, nosso leito está pronto

Quem sabe, mesmo sem querer
A poesia lhe traduza o que pra mim ela nega
Que existe uma enseada, onde nosso barco sossega

25-08-2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Sagrado

Notícias do bem querer pintam o céu com as cores da Portela
No rodar da saia do bem querer nasce a brisa de verão que passeia pela casa

Voz de bem querer amansa tempestades, é dia que vai dar praia
Jeito de bem querer da gente é brinde de ano novo

18-08-2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Flutuante

Às vêzes, no laboratório
Não encontro nenhum vestígio de poesia nos frascos

Então, sou aquela garrafa no mar com um bilhete

16-08-2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Traços

Pinceladas sobre tela são palavras que preenchem o (des) colorido do silêncio

14-08-2012

Pluviometria

Abandona a cidade a falsa primavera
Negras nuvens trazem chuva, para lavar conformismos

Pedrão do Céu anda (deveras) ocupado
Cérebros viajam na Suíça, alucinados

Na minha rua, sabiás fumam um baseado
E o mundo segue, globalizado

14-08-2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

sábado, 11 de agosto de 2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Segredo

Está ali
Naquele guardanapo de mesa de bar, rasurado por um poeta vagabundo

Uma fêmea com gosto de polpa
Predileta fruta

Um corpo imaginário, uma pele perfumada
Que tem asas na alma

04-08-2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Senhores das balas

Não foi bala perdida
Tinha remetente, usava terno e gravata

Da cabeça da morena
Na saída de um Banco
Um tiro, vindo de Brasília
Não sentiu a menor pena

Vinte e dois anos
Apesar de linda, não era a mulher maravilha
Como sobreviver, sem super poderes
Aos disparos de Brasília?

Se, nada muda pelo voto
E, ele nulo causa dores
Quem sabe, um dia,  dirijam-se os projéteis
Ao berço de seus senhores

01-08-2012