segunda-feira, 29 de novembro de 2010

About arrangements

There are always two histories
One that we know
The other is like a playground slide into the silence

29-11-10

Ela

Da figueira na rua
Nem mais os braços deixam mostrar-se

Tomada de pudor
Esconde-os sob o verde do vestido

Tem os seus truques a musa
Insinua-se na aparente realidade do tronco
Parece poção de encantar

29-11-10

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Noites estreladas

Agarra-te nas flores
Na cúpula de uma Basílica
Nas telas de Magrite
No trabalho solidário

Eu pego na mão da poesia
In der selben Badewane sind wir

Lá fora, voam balas traçantes
Abra  a porta
Depare com a nossa face no espelho

26-11-2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cabine leito

Nas carícias dos teus dedos
No balanço do teu corpo
Viaja meu sangue em descompasso

No pompoar, a tristeza vai embora de trem bala
Para encantar-se com a languidez de tuas estações

24-11-10

Orfandade(das renas)

Perdeu o gorro, o cinto e as pretas botas de couro, de madrugada

No samba, na cama

Tornou-se aluno de uma experiente fada


Lançou moda, a barba branca

Pela brasa do cigarro

Chamuscada

24-11-10

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tapa do Mississipi

Não se escuta uma queixa de bastidor

Nenhum pedido exótico de superstar

Oitenta e quatro anos, trezentas tours em dezoito meses, pisa no palco o Bluesman

Nos vales da pele correm histórias de lágrimas docesalgadas

Sorri, deseja boa noite, entrelaça-se na Gibson e...


It burns


Envergonho-me por todos os guris de apartamento

Acho que não sei nada da vida

Tenho mais é que procurar a minha turma

23-11-10

Sob o mesmo teto

Há um congresso ao lado do hotel, na copa de um Jatobá
Família numerosa, mesa farta

Pequi, gabiroba, jenipapo, araticu, cagaita(com a gaita?)

Sucos e polpas que jamais provei
Visto-me as asas, abandono terno e gravata
Perco a palestra de salão, ganho aventura na mata

23-11-10

Nau

Sumiu

Como uma perfeita geminiana, detesta aniversariar

Perdi as velas na tempestade


Ahhh....pra onde vai minha proa


O mar não se importa com o leme meu

Destino engraçado, quem é de junho sou eu

23-11-10

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pequeno bolo esférico frito

Am Brill, estação subterrânea colada ao Strassebahn

Distraio-me com vitrines

Como o caminhão do lixo chegou aqui?

Passantes jogam restos, da caçamba do caminhão, sobre a minha cabeça

Alcanço a escada rolante, num esforço descomunal


No topo, acordo nas areias de Genipabu


22-11-10

sábado, 20 de novembro de 2010

Bed

When you can't sleep
And your loneliness grows
I think about you

If you think about me
Just let the river flow

20-11-10

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prato fundo

Poesia é...

Uma SOPA
Carente de duas letrinhas

19-11-2010

Mochila

Escova e pasta de dente, três cuecas

Um livro, um cd de Blues, outro de Samba e caneta


Meias não, porque tá muito quente, mais um monte de bobagens

Ela no meu peito e a alegria

Tô fechando minha bagagem

19-11-10

É do jogo

Em tempos de multitarefas

Uma das mais gratificantes

É esparramar-se pelo sofá

18-11-10

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fragata rosa

Sujos versos derramo em teus ouvidos
Inflama-se minha pele de bom moço
Quero orgasmos teus inundando meus delírios
Passeios de língua nos esconderijos do teu corpo

Geme o silêncio, quando xingo:
Santa minha! Minha puta!
Meu modelo
Meu bom porto

18-11-2010

Afinal, você quer ser famoso(a) ou Poeta?

18-11-10

Wide open eyes

Como parágrafo desconexo
Eu, quesitos sem respostas

Espelho sem reflexo
Tornei-me uma aposta

Uma larva

Eu, coração em brasa
Desatei a fazer versos

Pra  defrontar os meus desertos
Criei asas

18-11-2010

An der Macht

Einfach "Kraft",

Hat sie gesagt


Als ob, Ich nicht wüsste,

Dass sie eine Dame ist

18-11-10

Mundomorfose

Todo dia


Um poema e um Cdvinilmp3


No liquidificador

18-11-10

Carro abandonado no meio----------fio

Morador de rua, sem coração

18-11-10

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Das amizades

Podemos andar extraviados

Somos dois versos de pobre rima

Mas não nos jogamos fora

16-11-10

Casablanca

Assim, chama-se o Kneipe em Bremen.
Depois das três, só antigos clientes.

A menos que, o porteiro seja seu colega de curso de idiomas e resolva lhe dar uma colher.
Eu reflito sobre as "dores" dos poetas, "Uma bijuteria à nosso verso"(doce mágoa).

Eu a vejo no balcão pedindo várias saideiras.
Pergunta-me: "Você é brasileiro, gosta de Vinícius de Moraes"?

16-11-10

Nas costas

De beijar pálpebras cerradas
De ser a senha para o cofre dos teus olhos

De domar, mar e dor, que não é dor
Quando desfaz-te das vestes

De saber, que o tempo é um tripulante que se amotina
De suspender, no espaço, o movimento da mão no instante da despedida

Carrego a genealogia
Que me retalha em postas

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à Cecília Meireles("Não sou alegre, nem triste, sou poeta")

16-11-10

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pensare

No cais do porto-- praia do mercado público--

Uma velha fragata, condenada ao forno siderúrgico, jaz

Enquanto essa hora não chega, ela serve aos pombos


Ao lado, tem um armazém de grãos


Ser pombo, deve ser bom

Pombo não esquenta cabeça

08-11-10

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Idiomas

Em terra estranha, a sensibilidade aflora

Que o diga o instinto de defesa


Diferente do turista, morador é concorrente

Uma simples ida à padaria, pode ser um grande desafio


Humildade não é covardia, acanhamento ou submissão

Arrogância não significa coragem


"Enrolação" é entre garfo e espaguete


Da língua materna vem a bagagem

04-11-10

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Das escolhas

Quando construí a sonhada casa
Receava não chegar ao telhado, por causa do dinheiro

Agora, abro a janela do quarto
Minha apreensão transferiu-se para o terreno ao lado

Não sei qual o motivo
A obra vizinha estacionou

Eu temo pela construção
Talvez sem necessidade

A vejo desprotegida
Casa é um pouco como ser humano

Não deveria ficar muito tempo ao relento
A menos que assim preferisse

03-11-10