sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Porvir

Tudo o que se quer
É um colo para o desamparo humano

Que do conta-gotas, de quando em vez
Pingue uma lágrima de alegria


Tudo o que se quer, são metamorfoses
Que caibam na nossa finitude

Esse é o meu grito, para o presente que vier

31-12-10

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

...Antes que amanheça

Lua em quarto minguante, estação verão
Nenhum latido, nem o ranger de uma porta

Sento-me à pequena mesa, confronto o branco
Venho para me resgatar

30-12-10

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Felídeo

Sai de cena o temporal
Estão de volta os indefesos pintassilgos

Da pequena árvore brotam as primeiras sementes
Ração garantida

É tempo de festival de penas
Cores que ilustrariam um singelo catavento

Enxotei o gato
Ele estava doidinho pra enlutar a manhã

Ocorre-me
Preciso de um cão, que lhe faça companhia

Daqui a pouco virão os beija-flores


26-12-2010

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uncolored in the shadow




Blows the Bluesharp in the wind
Love has got a black rose in mind

Guy meets Vaughan at midnight
Soultrip into Hendrix's Little Wing

24-12-2010

Fotografia, setembro de 2015


Lilás

A hortênsia emerge do verde
Vem mostrar para o lago negro seu vestido

24-12-10

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sessenta por cento......De aumento

Liberté

Égalité..........................Deputados.

Fraternité

22-12-10

Posfácio

Restará um alegre vagabundo
Que pira no acorde de um blues

Alguém que aguarda uma carta, escrita à mão
Por um alienígena

22-12-10

Desprendimento

Brisa sumida
O que é feito de você

A saudade me castiga
Porque você não vem me ver...?

22-12-2010

Script

Imensurável é a tua ternura, enquanto pesam minhas pálpebras

Deponho escudo, espada e punhal, inato gladiador

Virás, na letra de uma canção na madrugada, Dianadeusacaçadora

Durante meu sono, me ferirás de morte com tua mitológica flecha

Depois, sairemos a sambar no alvorecer

22-12-10

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Líquida

Te quiero fuego, pasión, brillo...
Te quiero zumosal, sólo

        *****

Com leite condensado e canela
Sofisticada, se tua saia dança coqueteleira

Te quero cristal açucarada
Quando eu for teu copo hospedeiro


21-12-2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Gratuito

"Rabanada"! Exclama-se aqui.
"Cueca virada"! Grostoli, chama-se aqui.
Fluem conversas envoltas em aroma de baunilha,  sorvetes aspirantes à celebridades

Imagino beijos (pão) de mel
Tardes a iniciar pelo avesso, um cerimonial de travesseiros
Sinto cheiro de fronhas alegres, sem precisar de um motivo

19-12-2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Das derrotas

É bonito, dançante, alegre como deveria ser o sistema

Quando desponta o novo(antigo), sem crime

Ainda que...

Pra cima do meu time

14-12-10

Adrenalina

Travestido de traça
O mosquito abre mão de velejar no tapete, para surfar rente ao rodapé

14-12-10

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Caiu a ficha

O bolacha, quando garoto, era chegado a matar e prender passarinho. Bodoque, espingarda de chumbinho, gaiolas dos mais diferentes estilos, o que viesse ele traçava.

Era aficcionado, também, por rinhas de galo. Tinha um que era invencível.

Certa manhã, houve um desafio. Pra fazer frente ao galinho do bolacha, o desafiante foi o do Ademar. O duelo deu-se atrás da farmácia dos Tedoldi(da antiga).

Começa a luta, o galo do bolacha toma a iniciativa; pura covardia. Eu nunca havia visto um ser vivo apanhar tanto, a maior das crueldades. Do pescoço à cabeça, uma tela vermelha.

Até que, o pobre do galinho do Ademar disparou pelo terreno, com o multicampeão no seu encalço.

No instante que correram para apartar a peleia, o galo que fugia, subitamente parou e, ao mesmo tempo, girou(cento e oitenta graus), tinha seus esporões suspensos no ar.

Atingiu o outro, em cheio. Ferido gravemente, acocou-se e baixou a cabeça.

O bolacha foi prestar socorro. Quando viu que seu galo estava cego de ambos os olhos, chorou. Depois, decidiu sacrificá-lo.

Desse dia em diante, nunca mais matou ou prendeu passarinho. E nem meteu-se em rinhas de galo.

12-12-10

sábado, 11 de dezembro de 2010

moCa

Morena de Minas

Com esse andar de carioca

Que veste as cores do Salgueiro


Empresta às manhãs sorriso branco

Lenço pra qualquer pranto

Que vais fazer o dia inteiro?

11-12-10

Anunciação

Num piscar de primaveras
espaçosas três Marias vedam os olhos da cercas

Pequenas aranhas ensaiam no trapézio
para a estréia do verão

11-12-2010

Suborno

Nuvem escura, se você não chorar agora

Vou ficar muito contente


Volto da caminhada com algumas samambaias

E um Saara de presente

11-12-10

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Coadjuvante

Tesourinhas devem ser primas (próximas) dos gaviões.

O açougueiro da esquina as alimenta com carne.

De bocado, na mão, na hora do intervalo no serviço.

Quando ele falta, elas enlouquecem. Pousadas nos fios da rede elétrica e na árvore da calçada, lembram "Os pássaros" de Hitchcock.

Dia desses, apressei o passo; que eu não tô aí pra servir de ator, nem de picadinho.

09-12-10

Das óperas diárias

Tem nó que só a lágrima desata

09-12-10

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Madeira levadiça

Deve ser bom morar ali...
Acordar frente à passagem do Amstel
Fazer do convés da proa céu jardim
Da melancolia da popa um pub de Jazz


Beber cervejas de maio, pedalar tulipas
Regar bicicletas


E não me digam: "Olá, você à bordo,  não és brasileiro"!
Porque vocês farão versos de saudade
Lotados de nossas areias
Que eu invejarei, por não tê-los parido.

07-12-10

Cloaca

No rio dos Sinos

As badaladas anunciam a peste

07-12-10

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Confessional

Arredo a cortina
Kamikazes andorinhas lançam-se no vão entre edifícios, eu me vejo nelas

A expectativa de pisar palcos abstratos, rotas para o aprendizado
Faz-nos semelhantes

Sou arame farpado. Firo, oxido, entorto, cortam-me...
Volto a ser união de alambrados, embora não seja escolha minha ser espinho

Poderia renascer grama, árvore, besouro, plâncton
Sinto-me, agora, urbano

Desejo voar, estar em muitos lugares ao mesmo tempo
Hoje e sempre, assim espero

05-12-10

Quebra das clausuras

Chuva de verão é verso que molha pétala de flor.

05-12-10

SempreSim

Mandaram-na(o) ordenhar touros, ela(e) foi.

05-12-10

Incompati-----------------bilidades

Você o quer no motel, o fetiche dele é sua cama.

05-12-10

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Andaimes

Tem cadafalso que é verdadeiro

03-12-10

Abençoada

Come arsênico a recém descoberta bactéria
Jamais viverá na miséria

03-12-10

Rota 66

"Uma correria", ela queixa-se

Eu, que não dou conselhos nem a mim
"Quem gosta de quilômetro de arrancada são os insetos, na madrugada, em cozinha de hotel imundo".

Digo pra ela ir trabalhar de terninho, mas que só a sua pele toque nele, por dentro

03-12-2010

Cartão postal

Enquanto sobedesce o catador de coco

O coqueiro faz cara de paisagem

03-12-10

Colmeia de duas

As operárias presenciaram a cena da cozinha

Ele fecundava-a na cama dela

Quando o zangão voou pela janela

A primeira apunhalou a segunda rainha

03-12-10