sábado, 27 de fevereiro de 2010

Acostamento

Estão mais calmas  as cigarras

A quaresmeira, talvez sem o fascínio de uma roseira
Mostra-se branca e violeta
Desavergonhada como as tulipas--cortesã que não tem hora, nem estrada

Me deixo seduzir pelos truques da serra
Mas a saudade que tenho é de mar

27-02-10

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Polpa e semente

Você parte um mamão com a faca,
quase pela metade.

Dentro dele, você vê uma estrela
de cinco pontas

Contraste negro laranja.

Então, com a fruta nas mãos, pergunta-se:
Como esta estrela do mar entrou aqui?


25-02-10

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Imagens pra você

Se, um dia,
lhe inspirar um poema

Vou lê-lo
até meus olhos cansarem


Farei dele meu travesseiro de penas


E se, por acaso, perguntarem

Porque assim,
a imaginar, eu me atrevo

Diga que não é pra mim

Mas pra você que eu escrevo

24-02-10

Spontaneität

Genug mit dem unsinnigen Gerede!

Poesie kommt nur
Wenn sie will

24-02-10

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Retrô

à Ana Cristina César (1952-83), pela inspiração


Anfitriã,

Noturno esconderijo,
onde o orvalho sussurra adjetivos

Por entre nesgas de luz,
ora da lua, ora da rua

E dribla suas folhas escuras
para lamber convidados

Seringueira,

Dama da esquina, charme do bairro

Guardiã de encantadores, impublicáveis prefácios

23-02-10

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Privacidade

Vento leste "suja" o mar, pra que a gente não enxergue dentro dele

20-02-09

Diana

Aquele brilho,
de discrição disfarçado, é das mulheres raras

É como um blues,
que torna fardos mais leves

Aqueles suaves movimentos,
catalizadores de hormônios

Fazem habitantes das planícies

Querer brincar de caça e caçador

20-02-10

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Senhas

Dez horas da manhã
Nada inspira

A não ser a incerteza
de encontrar--o que em mim está--

Na próxima esquina
Nos meus passos mostram-se(escondem-se)
minhas partes

Quantas são, eu não sei
Sei que de mim, se alimentam

Libertam-se, morrem e se regeneram
Na próxima esquina

05-02-10

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cheiros de infância

Eu acordei com narinas de baunilha

Envolvidas por aromas de cravo e canela

Uma voz me chama
pra lamber as panelas
que o doce tá pronto pro forno

Eu acho que tem merengue, calda de ameixa


Montanha Russa?
As pás da batedeira não param de perguntar

Quando a voz não chama canta uma reza,
com ela o bolo cresce bonito

Parece um poema nascendo

01-02-10