sábado, 31 de dezembro de 2011

Pombo-correio

Se você encontrar alguém que tem as mesmas afinidades que você, eu desejo que ambos se completem na mesma história. Quando ela acabar, espero que o enredo entre vocês tenha valido a pena.

31-12-2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Teoria e prática

Todo poeta quer ser grande!.....?
Mas
Nenhum quer levar a carga por ser um grande poeta

20-12-2011

Trenzinho

............arEuescrevoPrameperderReescrevoPrameencontrarEuescrevoPrameencontarReescrevoPrameperderEuescrevoPrame.............

20-12-2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sinos de prata

O meu verso calçou botas
Vestiu-se de vermelho e branco
Foi pra rua secar os prantos
É tudo isso o que lhe importa

19-12-2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Das críticas e autocríticas

Quem pensa que o(a) poeta tem resposta pra tudo, deveria procurar o(a) analista
Se o(a) analista pensa que tem todas as respostas, deveria procurar o(a) poeta

Se a pessoa é (ao mesmo tempo) analista e poeta, que seja por alguém perdoado...

09-12-2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ditame

De três em três horas, um lanchinho e hidratante no...

07-12-2012

Nocaute

Frente à porta do elevador, vai ao solo o inoxidável Eterna Matic
Vidro traseiro para um lado..........Caixa, (pernas amortecedores),
......................................................Máquina para o outro

Não sei, se a eternidade tem remendo
Porém, como é frágil seu conceito!

07-12-2011

Corujamanhecida

Se a gente é o que sente
Não programei o meu ser

Tem horas que sou caçador, bicho acuado
Igual a você, alma carente

Tem horas que sou versos
Peixe livre ou anzol

Ao amanhecer, sou ave de rapina
Ando à cata de óculos de sol

07-12-2012

domingo, 4 de dezembro de 2011

Encontro com Hubert Sumlin

Toda vez que um músico de blues parte, ele leva um pedaço de mim
Eu me ofereço "inteiro" como companhia, mas sempre escuto:

"Sem pressa, a encruzilhada não vai sair de lá"

04-12-2012

Mestre

Quem sou eu pra querer entender o amor
Varrer a rua com seus olhos
Escutar com seus ouvidos

O amor de quem vive no cerne do afeto

Ele é mestre, sem ser exato
Como dominar quem tem as chaves do peito
Decifra os enigmas do abstrato...

04-12-2012

sábado, 3 de dezembro de 2011

(Feliz) Cidade

Café no ninho, sol, céu azul........caminhada
Você..........................um verso passarinho
E mais nada

03-12-2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tormenta

Quero fugir do mofado armazém
Descarto cinema, sem freios viaja o trem

Me leva pro mar, quero encontrar o acaso
Passa da hora
Vamos agarrar nossa vez

Meu corpo é teu cais, me desmancha o vestido
Nas ondas, que norte que rondas
O amor tem seguido?

Aborda meu barco, invade minha cama
Reclama do sábado
Me fere de vida, me bebe de assalto

02-12-2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Tenuidade

Pelos correios
Amélia recebe a embalgem

Chocolates sortidos chegam sãos e salvos ao destino
Entende a moça, que o remetente quer comprá-la com iguarias

Então, decepciona-o
Francisco sepulta a admiração, que por ela nutria

29-11-2011

Mutação ecológica

Eu já fui gente, agora sou lagarto
Estou contente, andava farto

Não vou mais pra patente
Quando preciso, faço no mato

Como homem, poluia os rios, me achava inteligente
Agora, não mais me acho, de fato

29-11-2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Comissão de frente

Abacateiro, figueira, parreiral de uvas, jaboticabeira, limoeiro, nogueira, mamoeiro, amoreira, bananeira, Pessegueiro, limeira, laranjeira do céu, de umbigo e uma outra (cujo fruto nos dava o suco para beber e Fazer doces) habitavam os fundos da casa onde cresci.

27-11-2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Canoa

Todo escritor
Todo artista é meio a meio

Meio ele, meio personagem
Pegamos nos remos da canoa
Quando embarcamos nessa viagem

25-11-2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Segunda pele

Quando tocam no nome dele(a)
Brilham teus olhos mais que diamantes
Tua alma sai pela madrugada
A abençoar todos amantes

Se o coração sai do teu peito
Pra sambar enlouquecido
É porque a cuíca chama o nome dela(e)
Sussurra bálsamo(veneno) em teus ouvidos

O silêncio, disfarçado de amigo
Estende o tapete na tua sala
Quando deitas sobre ele
Sonhas com as letras que te embalam

24-11-2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Das dores de cada um

Se tatuagem arde? Ela responde: "A vida dói mais"

22-11-2011

Catamarã

Ao bocejar, a cidade parece rio em ebulição

Navego em catamarã
Tripulante clandestino, sigo a rota que leva à ilha dos brinquedos

No lugar de onde relutarei partir
Para onde almejarei voltar, uma singela flor pode mudar o destino

Ao espreguiçar, a cidade parece rio em ebulição

22-11-2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Ateliê dos Narcisos

Acomodada na banheira frente ao espelho, a medusa contempla a mais bela obra.

Por testemunha, o cálice de vinho sobre o balcão de mármore.

Mudos e perplexos, Baco e cristal desconhecem a linguagem dos sinais.

19-11-2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pub de aeroporto

Circula no saguão a dama, passageira do vôo 6521
Recém chegada da Ilha de Creta
Habitué no mercado de Istambul

Aterra na mesa de canto, luz discreta
Guardanapos bordados em azul

Perante os deuses do lúpulo e a bolacha do copo, reflete:
O que lhe reservaria de bom a vindoura paisagem

Na saideira, comunica ao garçom:
"Solidão também é bagagem"!

17-11-11

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mar urbano

À toa por aí, feito um cão mendigo
Vai (des)colando seus pedaços

A garrafa na mão é seu amuleto
Leva poemas debaixo do braço
Eles adornam o mapa das ruas do gueto

Cai a chuva, recorre aos goles amigos
Na retina busca o rodado de uma saia

Sob as marquises encontra seus abrigos
A areia de sua praia

14-11-2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fantasma da feira do livro

Madrugada na praça, em círculos
Ela caminha frente às estantes cerradas

Quer pagar a fiança de alguns títulos
Alçar voo sem rumo, sentir  suas asas

11-11-11

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Prefixo (51)

Eles disseram que as coisas iriam mudar
Eu refleti, porque não acreditar?

Virei minha ampulheta
Pensei que era um cara livre
Até tentar uma missão impossível:
Cancelar a linha do telefone celular

10-11-11

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ousar(se)

Que se abram as janelas
Pra observar o novo que desfila

Enquanto luz, acreditar

Abolir a estática de não sorrir
De, eternamente, adiar

Esconde uma cilada o verbo iludir(se)

24-10-11

sábado, 22 de outubro de 2011

(Deli) cadência

Tem coração que é cuidadoso no compasso

A gente gostaria de tê-lo por perto
Parece oásis em deserto

É coração que segue a cadência das palavras bonitas
Independente do idioma, a percussão traduzida é sempre a mesma:
Delicadeza

Outro coração, outro poema

22-10-2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mãos da primavera

Do seio da névoa, um tímido piar
Depois música, letra..........música e letra
E com a luz, o sabiá

Que dia! Veste um manto de causar inveja aos demais

Os ponteiros do relógio repartindo-se em pequenos flocos
Pra serem degustados lentamente, como sorvete de chocolate

20-10-11

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Aprendiz

O Blues é professor
Tudo o que vem, um dia se vai
Quem escuta é aprendiz

Quando a mulher quer, envia sinais
Chama, dá a entender com arte, despede-se
A letra dele é quem diz

19-10-11

domingo, 16 de outubro de 2011

Pretinha

Pra se tornar íntima da chuva
Na cinza manhã
Ela veste pretinha


Sua pele namora o jeito do dia
Vê nela a mais fina uva

16-10-11

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Palcos móveis

Onde está o chão, onde está?
Estará sob os pés da cantora que flutua?

Dentro da gente, na palavra não pronunciada
Nos sonhos inatingíveis

Onde está o antídoto, dentro da gente estará
Este resto de céu...

13-10-11

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dos lubrificantes para os olhos

Oportuno fiapo de linha branca, instalou-se na preta e longa meia
Curso de rio, desenhado pelo dedo indicador com nascente no entre coxas

Que tipo de fêmea é essa...

12-10-11

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Die Engels

Levitam.............................sie erheben sich
Falam de cinema.....................reden über Kino
Soam feito música seus nomes........ihre Namen klingen als ob Musik wären

Tem mais encantos que as sereias...... bezaubernder als Sirenen

Embelezam o mar da Bahia................schmücken Bahia's Küste
Anjos da guarda das baleias.............. Schützengels Der Walfische

07-10-11

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O bar do Aldo

O bar do Aldo é exclusivamente fechado
Não por selecionar a clientela, mas por tratar-se de um ambiente sem janelas

Na popa, trabalham duas hélices
São as escravas da churrasqueira

Na cozinha tem sopão
E
Um caderno pra receber poesia, do outro lado do balcão

Na proa, rola carteado
A tripulação escapa pela frente, quando o mar fica agitado

Sobra lá dentro o Aldo, faceiro ao timão pendurado

03-10-11

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Inumanos

Tem dias, a gente desperta desperta velho
Tem dias, florescemos adolescentes

Noutros,  adormecemos feito crianças
Há aqueles, nem parece que somos gente

28-09-11

domingo, 25 de setembro de 2011

Observações durante uma profícua caminhada

Apartamentos que custam em média dois milhões de dólares

Quem pode, troca o ferro pelo vidro espesso e temperado ao cercar o jardim

Babás uniformizadas passeiam

Mulher, 26 anos, embriagada, oito e quinze da manhã, adormece ao volante de carro importado, bate em outro estacionado(perda total) e foge

Alheios, pássaros saúdam a nova estação

25-09-11

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Som repetido

Às vêzes, dentro da gente habita um carrasco
De tudo que se faça, nada parece ser bom
Letras aprontam homéricos fiascos
Dias de melodias fora de tom

O coração é como aquela solitária canoa
Teimando contra a correnteza do rio
Nas margens, a voz da mata ecoa
Rema! Rema!, este é o teu desafio

23-09-11

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sunshine's Blues

Well, you say I'm your cure
I'm leaving you, baby
Won't be back no more

It's springtime
I have my way to do
Can't you see?
I'm like a dark cloud over you

Everyone has sorrows
Our hearts aren't made of steel
I wish us a better day tomorrow
A slow blues will come to dry our tears

21-09-11

domingo, 18 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Grades

Antes da pólvora queima o pavio
O tempo almoça e janta o desafio

Não figurava na sulista enciclopédia
Dizia-se: "é coisa de São Paulo e Rio de Janeiro"!
Cerca seu medo a classe média
Enquanto ganha o pão o serralheiro

16-09-11

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ledo engano

"Sou poeta"!
Foi como o som de um tiro disparado à queima-roupa

Como se, esse "ser" o poder mantivesse
De reter a chave da felicidade

13-09-11

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vista da proa

Ela larga as panelas
Vai pra janela

Solta as amarras
Segue a escola, norte a sul

Vai descalça
Remexer sonhos na areia
Samba a pulsar nas veias

No corpo o calor da cachaça
Ela é juventude, banhada em azul

09-09-11

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vista da popa

Samba a escola, eternamente
Chama a voz do verão

Há tempos zarpou o barco

No cais, ainda ressoam as despedidas
Mãos em movimento de adeus

Crianças, que seguirão espelhos
Descobridores futuros e piratas de além quebra-mar

08-09-11

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Visitas

As horas vieram me dizer
Que estão, um pouco, agoniadas

Deve ser
Por causa da anunciada tempestade

Da sala vem um estranho burburinho
Seres alados habitam a chaminé

Meu café necessita imediata atenção

Da mesma forma, o canarinho
Ele voa pela casa

Tento apanhá-lo, ele é ágil

Graças ao encontro dos rodapés
Na terceira tentativa, tenho sucesso

Com o cotovelo, faço correr a janela
Estendo os braços para a liberdade

05-09-2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Rumo a um Renoir

Porque é setembro, eu piso leve
Aproximo-me dos vidros embaçados

Dorme ainda o milagre amarelo e as pitangas nem sonham em nascer

Primeiro serão as flores
Como manequins em passarela

Não há fome de poder no mundo
Que supere o colorido de minha tela

01-09-2011









quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Letra noturna

Busco minha metade na noite
Longe de livros, computadores

Aporto nos bares
Rodeada de mil beija-flores

Recebo nas baladas quilates
Presentes de todas as cores

O que me lapida, me fere
Como promessas de falsos amores

Brilho na íris, onde minha imagem me vê
Estou vestida em fotografia
Desnuda, se for pra você

24-08-11

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pesopotência

No portão do prédio, dou de cara com um sabiá mais gordo do que eu.
Vem dele o canto noturno, quando confunde o brilho das luminárias com o sol.

Exibe no peito a cor das laranjas de época, suponho ser a mesma da felicidade.

Pelo tamanho da minhoca, que no seu bico se debate, concluo que deva ter uma família numerosa, ou o cantarolar da madrugada abre o apetite, isto explicaria seu sobrepeso.

Sigo ladeira acima, penosamente, com meu insignificante coração um ponto zero.
Eu gostaria de saber, como ele consegue alçar vôo, rechonchudo como é...

23-08-11

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Samba das casas separadas

Em algum lugar distante
Você sofre com a TPM
Não se sabe neste instante
Se o barco está sem leme

Meus porres, minhas solidões
Angústias e prisões
Você, mulher
Haveria de administrar?

Não, eu vou para o alto mar e vou sozinho
Pra que estragar sua flor
Com o ferrão do meu espinho

16-08-11

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Retomada

Secam as lágrimas, não a tristeza
A tristeza é um rio amplo e silencioso

Questiono o que não é para ser
Doem duas dores: uma em carne viva, outra cicatriz antiga

Mansas, as páginas consideram
Necessária será a continuidade da leitura

A qualquer momento, se cessar o latejo, amainar-se-á  a perda
Será encontro de rio e mar, quando eu voltar pra mim

03-08-11

quarta-feira, 27 de julho de 2011

contemporânea.com

Digita-se: "virtualmente, a-m-i-g-o-s"
"Quiçá, amantes"

Deleta-se o momento anterior ao agora

Disfarça-se a solidão
Logicamente, tecno

Com o dedo indicador no rato, ou no celular, remamos, remamos
Remamos todos

La nave va, há vagas nas galés

27-07-2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quatro mãos

Encurta a distância,
Uma leve carga agrega-se ao exercício aeróbico.
Incontáveis são os desenhos no caminho de casa até o mercado.

Certas pedras agrupam-se,
Parece que buscam arrimo entre arestas irregulares,
Servem de pano de fundo para um cenário revirado.
Junto ao humo, jovens folhas e frágeis galhos sucumbem à tempestade,
Rendem-se ao inverno.

Para os pássaros, o cardápio no solo é promissor.

Quem cozinha é a chuva, quem serve é o vento.
São dois artistas afeitos a encontros noturnos que pintam suas orgias à quatro mãos.

21-07-11

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Norte II

Os ratos no centro histórico de Gênova
Esgueiram-se pelas ruelas estreitas
Caminham sobre um tapete de seringas usadas
Tem uma lágrima suspensa no canto do olho

Sob o assoalho dos Pubs, eles esboçam um sorriso humano
Nem tudo está perdido, se despencar uma gota de cerveja
E sobrarem restos nos pratos dos turistas

Os ratos do cais em Gênova
Almejam partir do porto de Los Palos
Atrás das caravelas de Colombo

São ratos, aos tombos afeitos, sem um Norte em terra firme
Mas que navegam,  lendo as estrelas

15-07-2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tear com arTe

Povoa-se um deserto com música
Basta uma nota que valha

Dela e do silêncio nascem crias
Amor(com todas suas tramas) , amizade e beleza da arte

De certo, terá mais (não muito) a vida
Como prosseguir sem esse tear?

13-07-2011

domingo, 10 de julho de 2011

Distante

Vivia junto ao escuro abismo das almas

Os ventos devolveram-lhe à claridade

Jovens vozes quebram nas pedras, agora
enquanto as espumas deitam-se nas areias

Elas trazem as mornas lufadas, águas cristalinas

Chamam-na
para que se refaça em outra latitude

Um novo mar, repleto de adereços
Em toda sua plenitude

10-07-2011

domingo, 3 de julho de 2011

Antes da curva

Em frente ao cinema, trocávamos revistas em quadrinhos.
A EBAL(Editora Brasil America) detinha os direitos das mais cobiçadas: Superman, Batman,Zorro, Os Sobrinhos do Capitão, Tarzan.

Mandrake, Cavaleiro Negro eram da Rio Gráfica Editora e, se não me engano, O Fantasma também.

Em cartaz, quase sempre um Bang-Bang. Vilão, chamávamos de bandido, herói de mocinho.

Quanto aos doces, eu os vendia no armazém frente à praça.
Da "bala" de mel, eu não gostava.

A compensação vinha através dos "cubos" de pasta de amendoim(Diziolis), dos pirulitos, tijolinhos de banana e das azedinhas. Chocolate pertencia às especiarias.

O gosto açucarado da "bala" de goma, igualzinha a essa que excursiona pelos meus dentes, revive em mim os beijos na tela das matinês de domingo, enquanto meus olhos despertam para a placa de sinalização:

"Curva Acentuada à Direita" !!

03-07-11

sábado, 2 de julho de 2011

O estranho

Deve ter aulas particulares com o pica-pau
Seu longo bico "varre" o tronco da velha nogueira totalmente nua

É da cor do barro, mas não é João

Pra mim, o ar gelado é uma gaiola
Pra ele, uma folgança

02-07-11

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Santo forte

Quando fez o pedido pra Santo Antonio
Dois desejos ela tinha

Queria casar com outra(o)
Para ser amada, amante minha

29-06-11

terça-feira, 28 de junho de 2011

Imagem

Minha andança só faz sentido
Sobre o papel em branco
Meu espelho, meu confronto
Arco e flecha do cupido

28-06-11

sábado, 25 de junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Fétiche

Quando chegar agosto, apareça no bar
De meias compridas, vá ao toilette

...Caminhe devagar...

Retorne com um sorriso no ar, uma alegria contida
Mais nada, sob o vestido solto

24-06-11

Cabra cega

Não é o(a) outro(a) que intimida, a gente é que se esconde

24-06-11

terça-feira, 21 de junho de 2011

Signature's Blues

Her baby is gone
She's alone

She's dishonest
It's not her faul

Doesn't come from the cradle
She's dishonest

The brewing house loses seldom one's way
When the beer gets a label

21-06-11

domingo, 19 de junho de 2011

Verão simulado

Acordem!, fotografias nas gavetas
Facas de cozinha e guardanapos

Acordem!, panos e pratos
Mamão teimoso
Caixas de som na sala
Acorda quadro, acorda souvenir!

Despertem, cálices e copos
Camisas no varal improvisado

Acordem para os dias de "Allegro ma non troppo"
Pois agitam-se as saias no falso verão

19-06-11

sábado, 18 de junho de 2011

Ela sabe o que ela tem

Ela é o tempo, o espaço do meu pensamento
O vento, da minha vela o alimento

Ela é guia, farol na tempestade
Droga, antídoto pra saudade

Arrepio na pele de quem sente
Tem um jeito, que de tão perfeito
Disfarça o menor defeito

Ela é a frase principal
A música no apartamento
O verbo que me conjuga
A poesia em movimento

18-06-11

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Don't look back

Rola na cama a noite inteira, embrenha-se por ruelas, vales, parreirais, rios de leitos basálticos
Doma mares bravios
Coisa mesmo sem sentido, sente saudade nem sabe de que

Muito mal humorado, cruza por Barcelona
Abusado, reclama da carona

Dores e dores calcanhares, toma o rumo da Dinamarca
No convés do navio, apanha gaivotas no vôo com a cara contra o frio

O sol mal boceja, escapa pela frestinha da porta
Um senhor muito agitado, este poema que não volta

17-06-11

Hospitais

Trazer o silêncio aqui pra fora

Internar o barulho lá dentro

É tudo o que eu avento

17-06-11

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Das semelhanças

Brasília,Bastilha

16-06-2011

Contenda

"Está desobstruindo o nariz"?, pergunta a enfermeira na hora da nebulização.
"Rahã- rhã", vem como resposta.
Tomou conta de mim a mesma alegria que me invade, quando topo com versos distintos.
Haveria novos rounds, mas este já estava ganho.

16-06-11

domingo, 12 de junho de 2011

Sol em Amsterdam

Na ausência, lamentaram as árvores do bairro
Canetas permaneceram esquecidas nos estojos

Agora, elas bebem dos tinteiros

Enfeitam-se as calçadas
Tapetes multicores revestem o basalto

Parece que pintores aprontam seus pincéis

Cada barco será um bar

Acolá  uma banda toca
Em troca de um cachê decente

Eu espero...

12-06-2011

sábado, 11 de junho de 2011

Rosa branca

Em (turvo) amarelo
Testemunha o lucivelo:

Anelante,
Ela me acolhe entre suas pétalas

Expande-se, se entrega

............................

Confia

11-06-11

quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Linha do Equa......dor

Eu quero ir pra onde o frio não dói

07-06-11

Dos pontos de vista

Você diz
Que eu uso a poesia pra seduzir
Escondo-me atrás dela

Haverá outra maneira de eu não me dividir?

Se toda vez que ela chega
Meu peito é dor que não é dor
Quarto apertado sem janela

07-06-11

sábado, 4 de junho de 2011

Engenho poético

Enquanto o vestido dela dança
Bebo vinho

Como em sonho de criança
Torno-me cúmplice do vento

Ela traz a poesia que se perdeu pelo caminho
Estímulo para meu alento

04-06-2011

Fotografia, junho de 2015

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Rendição

O vislumbrar colorido é breve
Os pinheiros serão mais negros com a neve

Não se apresse!
Embora as gralhas já não palrem
O outono amarelece, inunda os campos de beleza

As folhas deitam-se sobre os rios
Mesclam-se aos dedos das sombras

Parece que a tristeza capitula à preciosidade do silêncio

01-06-11

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ressaca sem fim

Arrancar o poema da parede
Rasgá-lo em dois

Separar
Negros de brancos

Queimar livros
Então, o "Depois"

30-05-11

sábado, 28 de maio de 2011

Jardim de inverno

Sua mão tocou a minha --  sem querer ?  --  sobre as teclas do piano
Meu sapato saiu do pé esquerdo

Esta noite
Será nosso o enredo

28-05-11

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dos novos amores

Coloca-se a lâmina de barbear sob a torneira na água corrente gelada. As moléculas do aço se contraem. Ela fica afiadíssima. Passa a acariciar a pele como se os pêlos não fossem obstáculos a serem transpostos.

Assim é o novo amor

27-05-11

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Abajur

Reina no ambiente a lareira
Muito mais soberana que a calma

Ambas mesclam-se ao sofá
Encontram gestos, namoram palavras

Tudo que é supérfluo deságua na (des)harmonia
Enquanto o lume acaricia a pantalha...

26-05-2011, 31-05-2013

terça-feira, 24 de maio de 2011

Descalços

Certos poemas caminham sobre o fio da navalha
Brincam com as dores

De quem os recebe
De quem os concebe

Arraigados jogadores

24-05-11

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Santa (bela) Catarina

Que falta faz!, a praia dos Inglêses
Tão limpa como era
As Galés, Mata-fome e a ilha do Arvoredo
Que falta faz Ibiraquera

Cavaquinho, violão e Alexandre Adami
Velha Guarda da Portela
Carnaval
Maria Salete, sua família e Lisete
As serestas no acampamento do Calhau

O mar dava "bom dia"!
Quando a bateria ia se banhar
A gente nem dormia
Pro sonho não se acabar

23-05-11

Lado Bom

Segunda rima com Bunda

23-05-11

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Passarela

I

Atrás das cortinas, infinitos palcos
Momento foi aquele: Luzes acesas, casa cheia
Você inteira nele

II

Com seu pisar na passarela
Eu, que era basalto
Virei a vela
Rumo ao mar alto


III

Você ergueu minha cabeça
Seus lábios colaram-se aos meus
Fiz dos meus braços seu colo
A noite deixou de ser museu

20-05-11

quinta-feira, 19 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

King's Place

"Let me show you", sings The Legend
His guitar sounds like hell

Well, He doesn't need to show us anything

The Living Proof was born
Where the blues begins

15-05-11...... for Buddy Guy

sábado, 14 de maio de 2011

Andanças

Tem gente que largou tudo
Mudou pra bem longe, tempos depois retornou

Que quer largar, novamente, mas reluta
Se conseguir, nem pensa em voltar

Tem gente que não quer
Que quer, mas nunca largou

Para essa gente, o tempo ficou

14-05-11

Urbanas

Ao excesso de CO2 alheias, hibernam na calçada as goiabeiras

14-05-11

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pirulito

Acorde! "Lábios carnudos", acorde!
Vem andar de bicicleta

Acorde! Meu bem, acorde!
Que os marrecos fazem troça
Pula poça, Pula poça

Clama pelo doce o menino
Lá da praia do Cassino

Venha ver a pequena aranha
Acrobata na sua teia

Venha olhar o maçarico com seu bico

Venha despertar a tatuíra
Que dorme no esconderijo de areia

13-05-11

quarta-feira, 11 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Espaço 3D

Desvencilhada do carretel
A melancolia borda o caminho

Percebe-se o entorno gramado, pedras coloridas,
As pequenas pontes sobre os regatos, os moinhos d'água...

Araras são estações de olhos
Que veem e transmitem em 3D

O tempo torna-se desimportante

No final, uma casinha aos pés da serra

Quase esqueço
Tem chaminé

10-05-2011

domingo, 8 de maio de 2011

La Bellucci

No outono-inverno
Veste-se o céu de cinza lamento

Pingentes de chuva querem percorrer seus cabelos
Inertes folhas deitam no cimento

Sabiás na primavera
Habitam galhos lindeiros

Verde musgo
É o tom do despertar no seu espelho

No verão
Pardais indiscretos pernoitam no abacateiro

À espreita na janela
Almejam ser seu travesseiro

08-05-2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tintas

Acanhado
O sol achega-se à janela
Meus olhos bebem verde, terra e azul

Xaxim, quem te pintou assim?

Cortina, véu
Me ensina a ficar suspenso no céu

Um violino repousa sobre um tapete amarelo
O orvalho pensa ter encontrado seu destino

Abraço-me ao plátano, o instrumento valsa
Enciuma-se o poema
Quem resiste a um tucano alvorecer...

05-05-2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

R(V)azão

Banho morno, poros faciais dilatados, lâmina na pele

Pia, barba, água, peace in the world e........o ralo

04-05-11

terça-feira, 3 de maio de 2011

Luvas

A transição,  dona do silêncio que  implora
Esquece das melodias do verão

Saboreia a ausência dos pássaros, afasta a fuligem das horas
Parece que busca o inverno com as mãos

03-05-11

domingo, 24 de abril de 2011

O mar e a mulher

O fundo do mar surpreende
Como a beleza da mulher

Também vaidoso
Quando claro, convida, se enfeita

Se opaco, esconde
Rejeita

Ambos gêmeos
Guardam profunda intimidade

O mar pelo  carisma
A mulher prima pela liberdade

O mar permite a descoberta
Mas tem uma linha de alerta

Ele traz peixes, Ela gera filhos

A lua, as marés, os ventos
São trilhos

Netuno diz
Que ao vento o mar obedece

O vento muda
O mar permanece

Segredos do mar são segredos de mulher

Ele mostra, se quiser
Ela conta pra quem quer

Igualmente amados, benditos complicados

O mar por ser mar
A mulher por ser mulher

24-04-2011

sábado, 23 de abril de 2011

Prescrição

Esbalde-se, de quando em vez
Com um(a) super cafajeste

Ele(a) será seu(sua) confidente
Para equilibrar a auto-estima

Faça bom uso, molde-o(a) do seu jeito
Até livrar-se do tédio

Ao terminar o tratamento
Jogue no lixo o remédio

23-04-2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tic-Tac

As bobagens
A gente as diz e escuta para suportar as estocadas dos ponteiros dos segundos

20-04-2011

Cavaquinho

Senhora Alegria, como vai ser agora
Passa da hora, a madrugada precisa ir embora
E a melancolia teima em voltar

20-04-11

Das seriedades

Se forem pacotes pesados, jogue-os ao vento
Afinal, o que é que tem?

O vento é de todos
E é de ninguém

20-04-2011 e 02-05-2013

domingo, 17 de abril de 2011

Curta metragem

Embarquei na canoa
Escondestes os remos
Pincelei no tinteiro
A cartolina era tua

Eu abri o viveiro
Lacrastes a porta
Plantei uma árvore
Nem isso te importa

Saí pra boemia
Dançastes comigo
Dividi minha cama, sem querer uma dona
Mas o filme era antigo

17-04-11

Nevoeiro com chuva e........Puccini

O bolo(chocolate/baunilha) olha no fundo dos meus olhos

Eu disparo:

"Decifra-me, ou te devoro!"

17-04-11

sábado, 16 de abril de 2011

Quadro de rua

Vila MadalenAmsterdam, seis horas da manhã
O fato(anterior à meia-noite) envelheceu

Quem beija seus lábios incendeia
Agora, o som "Bomba Estéreo" colombiano

Miles Davis(no céu ou no inferno) jamais ao novo desatento
Os padeiros dormem, a banda acordes

"Ronda Noturna, século XXI", pinceladas de Rembrandt

16-04-11

Vodoo

Ela alfineta o boneco, o quarteirão estremece
"Bom dia, boa tarde e boa noite!", mútuas saudações

Breves diálogos sobre livros
Até hoje, não sei se ela me poupa...

16-04-11

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Águas limpas

Serão negras pérolas, serão olhos
A enciumar as marcassitas...

Sábia guia dos labirintos
Quero a luz dos teus poetas
Alquimia, palavras certas
Sorver lágrimas de absinto

Vou pedir à Iemanjá
Que me traga uma sereia
Com seu canto e um colar
Pra te enfeitiçar na lua cheia

15-04-11 **Pérolas negras desenvolvem-se, somente, em águas extremamente limpas.

Meireles

A oitava maravilha é a POESIA de Cecília

15-04-11

Presente de outono

Uma folha de Mominji dentro de um livro

15-04-2011



foto- Maio 2013
   



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rap dos canteiros

Diz aí, o que agita você

Van Gogh sem a orelha
Bolsa de grife
As coxas da mulata

Se você escala ou surfa
Se não é um destilado
A letra de um bom samba
Um sonho melecado
O seu novo catamarã

Pode ser um carro
Um loteamento fechado
Uma nova marca de cigarro

Diz aí, o que mexe com você
A alegria de uma creche
A agonia de um outsider
Uma ceva bem gelada

Se não é heroína
Na colher ou na TV
Diz aí, quem é você
Com o que que você se ocupa
Qual sua marca de chiclete

Um langerie que te acolha
Uma cachaça de rolha
Barba de quarenta e oito horas
Suas(eus) amigas(os) do minuto
O próximo inimigo

A final do campeonato
Como "aplicar" o seu elástico, pra tocar a vida em frente
A sua reciclagem de plástico

Apesar de ser um produto
De um próximo projeto
Você vai ser cremado(a)
Ou vai virar adubo

E tudo vai recomeçar
A partir de um dejeto

11-04-11

Segundas-feiras

Tenho coisas de menino
Vem a vontade de tomar o próximo ônibus, pra qualquer lugar

Haveria solução
Se ele não tivesse um destino

11-04-11

O sangue é o mesmo

Sou gaúcho por acaso, não vendo-me como tal.

Poderia ser catarinense, paraibano, paulista, judeu, carioca, italiano, belga, africano, amazonense, curdo, indiano...

Não tenho orgulho nem vergonha de ter nascido no meu estado.

Pertenço ao lugar que abriga gente boa, porque ruim tem em todo.

Meu pensamento viaja no passado, presente e futuro.

E minhas pernas não são de caranguejo. Nada contra o crustáceo que se move para os lados.

Eu gosto de caminhar para a frente, preferencialmente

11-04-11

sábado, 9 de abril de 2011

Gemetzel am Donnerstag

Wäre es besser nichts zu sagen
So furchtbar war

Wir trauen um die Kinder
Gäbe es ein Gott Ihnen nah

09-04-11

03:47 A.M. Phone Call

You ask me and I'm not pretending
Just don't know to whom my Hart belongs

But I know
When you dance it's like a Devil's pray

You make me rock all night long

09-04-2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Stormy Thursday

I

I'm not your love, your jail
I'm just your back door man tonight


II

Falsário
De mãos dadas com a caneta
Vai às ruas
Cata manhas da mutreta

Parece que se perdeu no mundo das fantasias
Na luz, vê breu
Morcego do dia

Que quer afinal, este --imortal-- projeto
Quer viver virtual no mundo concreto?

III

Por favor, senhora:
Traga-nos duas doses(duplas) de Jack Daniel's
A dama quer um Blues no Jukebox

Acomode-se, safada minha
Mais tarde, bem mais tarde, vai rolar aqui em cima da mesa

Se quiser, lhe sirvo o Champagne
Quem sabe cerveja

08-04-2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Madrigal

Generosa, por se deixar revelar

A poesia
Chega como flor que desabrocha de modo repentino

Insinuante,  vestida pra festa
Como você
Deixa ver apenas a espinha dorsal

26-09-2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Leitura

Excelente mestra é a palmeira de jardim
A muda resume-se a uma folha solitária, ligada a um caule fininho

Depois de assentada, requer muita água e calor
Em pouco tempo
A planta vai se espalhando pelo terreno.
Cresce viçosa, se regada com frequência

As folhas secas devem ser cortadas rente ao chão durante o verão
A medida que brotam as novas

Até parece que tem metabolismo de réptil, precisa de umidade pra trocar de pele

Ela é como o ser humano
Precisa se reciclar

06-04-11

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Paraibanas

O mar mancha a praia de esmeralda
Netuno brinca de pintor
Coqueirinho nasce colorida
Primeira filha, primeiro amor

A tela permanece inacabada
A natureza agradece, intacta
Quando a moldura liberta a beleza
Para o senhor dos mares criar Tambaba

01-04-2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ao menos, aparentam

As primaveras estão mais próximas da felicidade

28-03-2011

Atemporal ( Tributo )

A cada gemido da guitarra
O pontaço de uma lança

Um tributo ao prazer
Feitiço em forma de dança

Hipnose a brotar das cordas ciganas
Blues contra preconceito sacana

28-03-11....para Albert King(1923-92)

domingo, 27 de março de 2011

Gozo com mel

Pãozinho de forno à lenha, manteiga e queijo da colônia
Leite do meio da serra

Geleia de figo, aromacafé
Ma.....(Cio das Mãos).....mão.

27-03-11

sexta-feira, 25 de março de 2011

Velocidade da flor

Leve como a pluma
Gestos de bailarina

Aquece-se a atleta matutina
Moldada mulher
No ventre da densa neblina

Revelada a obra prima
Em carne e osso esculpida

Traspassa o ar a rosa tatuada
A correr
Mais veloz do que a vida

E do chão que ela pisa
Brotam versos de preciosa rima
Onde poetas bebem vocábulos
Como água de fonte cristalina

25-03-2011

Das (dispensáveis) Respostas

Se,um dia, perguntarem (se poeta, eu sou)

Diga que você não sabe


Eu, também, não o sei

Quem eu sou, na verdade

Ainda não desvendei

25-03-11

Poemenino(a)

Quando crescer, eu quero ser Itaúba

25-03-2011

Fotografia, março de 2011
(Google)
Mezilaurus Itauba



25-03-11

Cortina

Ao brilho das(quase) Esmeraldas

apArta-me o peito em voal...

25-03-11

Piscina

Você em mim(água)

25-03-11

quinta-feira, 24 de março de 2011

Desejo

A noite tece em mim, espero que ela teça em você

24-03-11

Filetes

Quando a vidraça chora no outono, parece que a casa saboreia o abandono

24-03-11

Dicionário

Ortodontia: Parte da odontologia que estuda as formas de corrigir as deformações congênitas ou acidentais dos dentes.

Sinônimos:Ortodontosia e "No dos outros é colírio".

24-03-11

anständiges Brot

Um den See höre Ich die Gitarre spielen
Blues auf der Speisekarte steht

Als Nachtisch gibt es Schnee, den Ich aus dem Himmel bestelle
So reist die heitere Seele

24-03-11

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pentelha

Madrugada
Três horas e dezenove minutos

Encrava a palavra na mente

Ela quer brincar
De briga de travesseiro

23-03-2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Salgado e doce

São mais doces os enlevos pra você
Porque a espontaneidade é minha doceira
Ela adoça com seu sorriso
Trata o amor à sua maneira

Quando faz quitutes salgados
Usa suas lágrimas como tempero
Pra me deixar com gostinho de mar
E o sal, cheio de inveja no saleiro

Como se explicar preciso fosse
A diferença entre salgado e doce

22-03-11

Minúscula cidade

Farfalhar de folhas, grilos, latidos de um vira-lata
Mordidas da tesoura do jardineiro

Cigarras, cujo canto não mais zizia
Pássaros sonolentos

Inação de janelas descerradas
Um gemido de La Belle D'Jour


22-03-2011

Diário de bordo de um capitão alienígena I

Mais raros que nossas naves são os automóveis nos campos de cima das serras

22-03-11

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ainda uma criança

Bem, Senhor Presidente
Tenho nas mãos, somente, uma caneta
E um papel, em branco, não reciclado

Uma queixa
Pra Vossa Excelência
Pegar menos pesado

No mundo, tem cidadão que perde pra bixo
Faz cocô na calçada
Onde ganha seu pão no lixo

Senhor, tem seus falcões de guerra
O famoso protocolo
Mãe com filho no colo
Que talvez nem pise na terra

E, lá no seu império
Nas alcovas, o sistema ensina
Como ficar mais perverso
Até a próxima chacina

Quem menos polui, fica mais pobre
Mas vamos em frente
Que o Samba é nobre

Ah! Senhor Presidente:
Se poesia fosse verdade
Eu chegaria à maior idade

21-03-11

Mundo

A curto prazo
A poesia não altera seu quadrado

Pode mudar o redondo
A prazo longo

21-03-11

domingo, 20 de março de 2011

O baile II

A borboleta parte no trem que vai pra primavera
Segue para o lugar
De onde vem os instrumentos da jovem orquestra de canários

20-03-11

sábado, 19 de março de 2011

Pode ser a sua

A pessoa amada está nos parques
Cinemas teatros bares automóveis
Escadas rolantes restaurantes chiques--outros, nem tanto--

Ela habita puteiros
Saraus festas familiares
Conventos internet programas de TV
Sarjetas viadutos

Está no caminhar da vizinha
Na face de toda gente
Na campainha do telefone que não toca
Na carta sem nome do remetente

19-03-11

Spitze Vorstellung

Aus Fenster blümt
Sieht Man Gelb, Rot, Blau, Weiss und noch Grün

Verabschied sich Der Sommer
Mir ist halb so schlimm

19-03-11

sexta-feira, 18 de março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Samba falcatrua

Mulher bonita
Dispensa excesso de maquiagem
A pele mostra por fora
De dentro vem a bagagem

Não sei se é o seu caso
Nem ando com desgosto nenhum
Aprendi em roda de samba
Melhor só que com 171

Por isso lhe olho de quina
Tenho pêlo de gato escaldado
Melhor bancar o indiferente
Que sambar de sapato trocado

15-03-11

Poema extraviado

Como um país sem governo
Como o sapato da Cinderela
Como um ricaço carente
Como musa sem poeta
Como bebê na lixeira
Como poeta sem musa
Com um mendigo
Como uma lágrima falsa

15-03-2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ambrosia

Além de imortais, os Deuses do Olimpo
Tinham a fórmula da felicidade(simplicidade):

Ovos, leite e açúcar

14-03-11

domingo, 13 de março de 2011

Vice e Versa

Se, o que ele sente por você é pena
E,por isso, ele lhe machuca
Você não é o doce dele
Ele não é seu mestre cuca

Se, o que ela sente por você é piedade
E, por isso, ela lhe usa
Você não é o poeta dela
Ela não é a sua musa

13-03-11

sexta-feira, 11 de março de 2011

Rumos

A cada cem metros, um boteco ao norte da avenida

Ao sul uma farmácia, de cinquenta em cinquenta

Cada um com seu remédio

11-03-11

quinta-feira, 10 de março de 2011

Desassossego

Melhor seria andar disperso

Pra encontrar a poesia de verdade

A ficar no aguardo de um verso

Como um ato de caridade

10-03-11

terça-feira, 8 de março de 2011

Lapsu

Meu personagem é fogo de sexta-feira
Ardida brasa em Open bar , até na quarta

Em cinzas, imposto a viver

08-03-11

domingo, 6 de março de 2011

Invisível

Ali está ela, inquieta
Mesclada aos múltiplos tons de rosa e ao branco da Quaresmeira

A poesia

06-03-11

sábado, 5 de março de 2011

Avenida

VAI-VAI, Maestro

João Carlos Martins

Derrama esta Força, este Samba

Essa Alegria em mim

05-03-11

Último desejo

O tio da Raquel e da Carolina sempre foi de fazer troça de tudo.

Na cama, moribundo, comunicou aos familiares:

"No meu velório, sepultamento ou cremação, vocês não precisam comparecer".

"Nem preocupem-se comigo, pelo simples fato de que eu não vou estar lá".

05-03-11

quinta-feira, 3 de março de 2011

Punk

Quem cuida de jardim não guarda energia suficiente pra malhar na academia

03-03-11

Tamoeiro

No lugar de onde eu venho, dizem, a pessoa que fabrica pipas de vinho chama-se Tamoeiro.Não sei se está correto, pois os dicionários fornecem uma informação diferente.

As pipas eram feitas de Acácia, uma árvore de peculiar madeira, a qual cresce nas margens dos rios da região.

A madeira da Acácia, quando molhada, incha. Ela absorve o líquido, seja água ou vinho, impedindo que escorra pelas frestas do barril. Ao redor do barril amarra-se uma cinta de aço, para evitar que as lâminas de madeira se desprendam e o conjunto se desintegre.

Ainda guardo um baldinho feito artesanalmente com essa madeira. Toda vez que olho pra ele, lembro de um poço, de uma casa e de um jardim.

03-03-11