terça-feira, 21 de novembro de 2017

Garimpo

Verbo
é Imaginação

Letra
é coluna

Palavra
é templo

Verso
é riacho

Três pontos...
são pepitas

Vírgula
é minhoca

Poesia
é verbo

21-11- 2017

domingo, 19 de novembro de 2017

À soberba do Homo Sapiens

De grão em grão
Carnes, pães

Panquecas

Você, que se acha notável
Distinto, superior...

Supre o bucho de comida

E igualmente
Como todos os demais

Defeca

19-11-2017

sábado, 18 de novembro de 2017

Hauptbahnhof

I

Almas carentes de estrada

II

Cidades de Blues

III

Range o aço nos trilhos

IV

Neva
O trem ressuscita

18-11-2017

Fotografia, novembro 2017



terça-feira, 14 de novembro de 2017

Nós, pronome

Ora mar, ora rochedo

Ora alpinistas

Ora aves, constroem seus ninhos em paredes verticais
Decifram os humores dos ventos

Do vai e vem das marés, dos abismos
Retiram o requerido sustento

14-11-2017



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

De Barros

Poeta da natureza
Manoel

Simples, raro

Sugere-se, nasceu do barro
Daquele vindo do céu

20-06-2012, 13-11-2017

......................
** O dia vai morrer aberto em mim.
(Manoel de Barros)

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Passarela

I

Momento foi aquele, luzes acesas, casa cheia
Você inteira nele

II

Vi,  na passarela,
Teu salto era o mais alto

Eu, que era basalto

Virei a vela
Rumo ao mar alto

III

Você ergueu minha cabeça
Seus lábios colaram nos meus

Fiz dos meus braços seu colo
A lua rendeu-se a nosso breu

09-11-2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

domingo, 29 de outubro de 2017

João Pessoa

Cidade mar
Meu encantar

Queria eu ser filho
Do teu luar

O sol tateando, de dia
No meu berço

À noite
Mamãe lua rezava um terço

Me botava
Pra ninar

06-11-2012, 29-10-2017



domingo, 22 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Esfinge

Que as tempestades nos seus domínios arrefecem
Após as primeiras semanas de março

Que eu conheça cada basalto de sua rua

Íntimo seja de cada fresta do assoalho de sua casa
Onde abrigam-se os insetos, apesar dos meus olhos vendados

Que você, ao despertar, sonha com estrelas de prata

Ah,....o soez do ouro...
Se assim não for, então me devora

21-10-2017




domingo, 15 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Março em Fevereiro

Ela "enfia" o pé no pedal
Voa a motocicleta, é como jogar no cassino

Em casa
Ela tem um pequeno, que dorme
Outro no ventre, a caminho

Dá-se a batalha em campo aberto
Asfalto a trinta e oito graus

No baú roda o estoque de leite materno
E, na certa,
Coragem de sobra pra emprestar

09-02-2012 e 05-10-2017

domingo, 1 de outubro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Haicai

Emerge um boto
Do escuro oceano
Que parece morto

27-09-2017

Haicai

Emergem brotos
Do cinza oceano
Que aparenta morto

Setembro, 2017


Ciclopoema

Tudo era
No começo
Primavera

Água cristalina
De beber

Depois
Gelo e degelo

Água não potável
Desmazelo

Havia uma esfera azul
Que girava

Outra esfera
De fogo

E, no entremeio,

Nós todos, Ícaros
Voávamos

27-09-2017

Rota 66

"Uma correria"
Soa como queixa

Desaconselho

Não somos insetos de hotéis imundos
Que nas madrugadas
Disputam restos nas cozinhas

Desejo
Que ela vá pra rua de terninho

Mas que só sua pele
Toque nele por dentro

E que anoiteça
Quanto antes, melhor

27-09-2017, 03-12-2010

sábado, 23 de setembro de 2017

Lufada II

Aquela folha
De final de inverno

Pálida, triste
Flanando na solidão

Parece que pousa entre  novos pares
Na nova estação

Fotografia, setembro 2017



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Folha em branco

Os tortuosos caminhos
Por onde vago

Em breve, iluminados ficarão

Nunca me preparo
Para o ser que me desvenda

Sou mero escravo do destino

Não aguardo recompensa

20-09-2017




terça-feira, 19 de setembro de 2017

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Das imaginações de cada um

Seria
Pálida aquarela
Sobre as cinzas da quarta-feira...

Seria óleo sobre tela....

Seria
Qualquer reflexo...

Perdido
Na porta de qualquer geladeira

22-08-2017

Fotografia, agosto 2017

domingo, 20 de agosto de 2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Testemunhas

Briga de faca no Red Light District

No ritmo de um coração aflito
Bate a polícia

Damas na vitrines, habituais
Frágeis mercadorias

As eternas veias de Chet e Miles
Assemelham-se aos canais da cidade

Quatro horas da manhã

Inertes, mas atentas
Assistem a tudo as bicicletas

Cheias de esperanças noturnas
Descansarão garrafas vazias

Às nove
Ao lado dos containers de lixo

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Revelação

Ali jaz    ..........................(jazz)

Sobre a toalha
Rasurada

Por um nômade
Na mesa do bar

Uma fêmea com gosto de polpa
Predileta fruta

Uma pele perfumada

Um corpo
Alado

 04-08-2017






domingo, 30 de julho de 2017

Inquietude

Aquele poema de domingo

Que procurei
Na minha gaveta secreta

Deixou um bilhete
Caligrafado

Saiu, pelas ruas, sem destino
Pra atender ao seu chamado

30-11-2014, 30-07-2017

domingo, 16 de julho de 2017

Inviáveis

Dizem-se racionais
Por definição

Caçadores
De baleias

Assassinos
De abelhas

Jazem muitos em cemitérios
Que são livros abertos de história

Feita de guerras
Humanas

16-07-2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Debandada

Janeiro é fogo
Gêmeo da brasa
Derrete o asfalto
Açoite na alma

Cidade solidão
De bares fechados
Vomita poeira
Em olhos cansados

Mesas na rua
Um fio de esperança
Cerveja gelada
Uma roda de samba


domingo, 4 de junho de 2017

Wide Open Eyes

Como parágrafo desconexo
Eu, perguntas sem respostas

Espelho sem reflexo
Tornei-me uma aposta

Uma larva

Eu, coração em brasa
Desatei a fazer versos

Pra defrontar meus desertos
Criei asas

04-06-2017

terça-feira, 23 de maio de 2017

Vontades próprias

Há palavras
Que moram por aí

Insinuam-se femininas

Depois de umas tequilas, deixam-se estampar
Junto ao batom
Nas paredes de bentos bares

São palavras
Que preferem mesclar-se à música

Em vez de
Viverem enlatadas
Como se fossem sardinhas

23-05-2013, 2016


domingo, 14 de maio de 2017

Não Queremos Ser Descartáveis

O Opinião, na José do Patrocínio esquina rua da República
"arrastou" os demais bares para a Cidade Baixa, se não me engano

Foi uma espécie de líder da cena alternativa

Era tempo de Luiz Melodia, Belchior, João Bosco, Ivan Lins, João Nogueira,
Gonzaguinha e tantos outros, "dando canja" depois dos shows, na Joaquim Nabuco

Havia o Chão de Estrelas, reduto dos mais versados
Onde gente do Samba era também do Tango, só que em outra casa

A gente ia de um bar a outro, a qualquer hora da madrugada
Caminhávamos livres como potros selvagens

O bar do Túlio Piva chamava-se Pandeiro de Prata

Ficava na João Pessoa com  Jerônimo de Ornelas
"Porque o endereço do samba não é mais na favela" (do próprio Túlio)

Surgiram outros tantos, não tão badalados
Talvez por isso, mais aconchegantes

Eles afagam minha memória, junto com os bares do Bom Fim,
Bar João, Lola, Ocidente, Escaler...

A avenida Osvaldo Aranha (Osvaldo para os íntimos)
Não merece um capítulo, merece mais de um livro

Depois, a Cidade Baixa adormeceu
O Bom Fim sossegou

Outros tempos, novos cenários

Era chegada a vez do Bar 1, do Chips, ambos no Menino Deus
Do Sgt. Peppers, na rua  Dona Laura, no  bairro Moinhos de Vento

Pra quem se desloca na direção da avenida Venâncio Aires
O bar Opinião, hoje, permanece na Patrocínio, umas quadras abaixo do antigo endereço

O Bom Fim continua morno, mas com espírito rebelde
Ou seria rebelde com espírito morno?

"Lá em casa continuam os mesmos problemas",  cantavam os Garotos da Rua,"mandando bala"  no Rock

A Cidade Baixa despertou  boêmia, repleta de bares e restaurantes

Só não dá pra sair a pé na madrugada da cidade
Afinal, somos todos descartáveis, como certas músicas


14-05-2017













sábado, 13 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

Past, Present and Future

When absent the beauty on the rocks
We can find warmth in the grass

The path is made from stones and thorns
Howewer ornamented with flowers

When absent the beauty in flowers
May we find shelter on the rocks

17-12-2013 and  06-05-2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Belchior

A manhã de sol virou lamento
ao saber do teu suposto naufrágio

Cantarolando teus versos
navegamos, desde sempre, o tenebroso mar do falso pranto dos insensíveis

Resigno-me
porque é somente um até breve

Reflito sobre a tua
nossa, da humanidade arma quente

Uma vez mais, para dispará-la
foste chamado

Obrigado, Bardo!

30-04-2017

**A Felicidade é uma arma quente. (Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Girassol é diferente

Na terra, a gente joga
Sementes

Ao invés de fomentar guerras
Prefere-se luz de sol nascente

27-04-2017

Van Gogh
Quatro Girassóis - 1887




sábado, 22 de abril de 2017

Namoro

I

Nunca
Ninguém me disse

Estude isso
Escolha aquilo

II

No barco dos sonhos
Eu navegava

Num mar
De vida normal


III

Contudo
Ao conhecer a poesia

Mal sabia
Seria encontro fatal

22-04-2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Flixorinonasoallegro

O outono regressa de sua viagem
Adentra a casa e diz que me ama

Quer sua situação definida
Como se um compromisso houvesse

Rinite, resfriado, gripe, sinusite...


Um Kit
Que gente do sul não esquece

10-04-2017



quarta-feira, 29 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Observações do vazio XXXIX

Optou por ser
uma pessoa "normal"

De qualidade baixa

Corrompeu...............................e.....................................(-se)

28-03-2017

sábado, 25 de março de 2017

A estrada

Notas musicais como pedrinhas
Mostrando o caminho
Pra ela seguir em frente

O violãozinho faz o que gosta,  tocando clarinete

Parece o coração
Quando emite um falsete

25-03-2013-2017


terça-feira, 21 de março de 2017

Observações do vazio XXXVIII

Enquanto passam, no mesmo instante
uma mulher desprovida de curvas,
parecendo uma lutadora de UFC

E uma Harley Davidson

Eu prefiro
olhar pra motocicleta

21-03-2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Prins Hendrik Hotel

Sem destino certo
ando por ruas de brinquedo

Old Sailor, Red Light
nudez encarcerada em vitrines

Palmilho os pés de Chet Baker

Quase na Zeedijik, apalpo sua solidão
estendo um cobertor ao abandono

Posso até sentir sua agonia
até o derradeiro suspiro

Depois, a paz

Em cada uma das esquinas do bairro
espalha-se o blues

17-03-2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Sem humor, não tem graça

Agora, na velhice
realiza seu sonho de menina

No café da manhã
um comprimido

No almoço
um comprimido

Na janta
um comprimido

Ela sempre quis ser astronauta

07-03-2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

La Mattina presto

Bianca
semplicemente

Come la neve ancora intatta
Come la schiuma che mi rade
Come la vesti di un angelo

Come il mio sperma
che il amore mio si compiace

06-03-2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Diário de bordo de um capitão alienígena III

Tempos sisudos galgam os humanos.

Tamanduás comparecem ao velório
para "abraçar" e "confortar" o viúvo (adversário).

Este, por seu turno
tira proveito do cerimonial fúnebre, fazendo discurso político


Todos pagando o preço que o poder cobra
enceguecidos

05-02-2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

domingo, 1 de janeiro de 2017