sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Atalhos

Andarilho do século dezoito
Sou mais um sem a direção de casa

Cruzo por verdes campos
Vigiado por rochas de formas, quase, humanas

Sou mel que se mescla à cachaça

A natureza me torna capaz
Incita-me

Materializo o lugar, longe deste que me envolve
Memorizar é a forma mais bonita de não perecer

Há mesas nas ruas
Noites de lua se achegam ao contexto

Perto do mar azul turquesa
Onde sinto  falta das serras
Meu peito bate feliz, bem feliz

04-06-2010, 28-08-2015


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Perguntas

Você deseja saber da sua vida
Das coisas que ela faz
Aquela libriana

Ela está bem
Seu cabelo, agora, é curto
Tornou-se senhora
Ela sorri, ela chora

Mais, eu não digo
No caminho há encruzilhadas
Ela pega as vias expressas
Eu sigo pelas calçadas

26-08-2015

domingo, 23 de agosto de 2015

sábado, 22 de agosto de 2015

Red Light Quartier

Desceu do trem
Chegava de Osnnabrück em missão de salvamento

Quem precisava ser resgatado
Era ele
Só não sabia disso, ainda

A pé, tomou o rumo da Zeedijk
Prins Hendrik Hotel,  entrou no quarto 71
Ela jazia no chão, abraçada à penumbra
Posição fetal

Agachou-se, acariciou seus cabelos ruivos
"Temos de seguir em frente, sem parar"
"Pra onde vamos, cara"?
"Não sei, temos de seguir em frente"

A noite beijava as paredes homenageando o blues
Ambos sentiam o mesmo, no Old Sailor, a duas quadras dali

De ofício
Ele era um fugitivo de si

Ela
Curandeira, de New Orleans
Desde aquela noite, especialista em resgates
Só não sabia disso, ainda

22-08-2015

Fotografia, maio de 2013




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Ecos

A cada parede que escancaro
Escuto solidões
Maiores, ou iguais às minhas

Aos poucos
Aumento o volume dos fones de ouvido
Pra ver se a letra da música abafa o não

19-08-2015

sábado, 15 de agosto de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Desejo universal

Brancas bandeiras nas lajes

Negro Orfeu e Eurídice
Um samba de Noel
Blues

Quem sabe
A humanidade, humana idade
Seja tema de uma nova canção de  Dylan

Que atente-se à rouquidão de Janes Joplin

Agreguem-se notas musicais aos escritos
Para que dissolvam-se
No líquido da paz

14-08-2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Desjazzjum

Alma adentro
O jazz acomoda-se

Toma o café da manhã

De mansinho, conquista

Manteiga no pão
Talvez mel ou geleia

Com sorte
No parapeito da janela

Apareçam alguns pardais na plateia

13-08-2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sambinha

Essa dália no cabelo
Tem o branco da portela
Parece ala de baiana
Néctar de flor na passarela

Que bom, você vem
Pra encantar minha avenida
No castanhos dos seus olhos
Vejo a luz, o verso a vida

10-08-2015

sábado, 8 de agosto de 2015

Da tristura ao desfastio

Aprisionamos lágrimas
Em algum esconderijo noturno

Inconveniente é o sol
Quando fende a calma da aurora

Reunimos nossas palhas
Esparramadas por este falso chão

E, de repente
Nos reencontramos recompostos
Em uma dobra de esquina qualquer

08-08-2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Vontade de repartir

Diz-se desgostosa

Eu a vejo
Como se admirasse uma fotografia

O tédio, que a gente sente em si, é enodoado

Ela emoldura o sentimento com um coração
Que nem ouso decifrar

Aflige-me o desejo de fazer parte do quadro
Um enfado de galeria

04-08-2015


domingo, 2 de agosto de 2015

Dos ofícios

Seria bem melhor esse mundo
Se as coisas fossem assim

Antes um médico, engenheiro
Advogado, ou político a menos
Do que um ruim

02-08-2015

sábado, 1 de agosto de 2015