terça-feira, 29 de abril de 2014

Teatro para demônios coloridos

Sobrevoa o bairro minh'alma cigana
Ele arrebata um pedaço da história

Nas matinês de domingo
Movido pelos sonhos
Eu o visitei, andarilho que fui

Meu corpo aqui está
No sul
No extremo do longe

Pra sossegar meus demônios, oferto-lhe as aquarelas
Que se lambuzem de cores
Que se fundam às dançarinas

Até que a orgia escancare as portas da aurora
Tenho a derramar tanto teatro sobre meus porões

29-04-2014


sábado, 26 de abril de 2014

Tablado

É dança! É dança!
Quando ela anda

É folha de plátano
Que se desprende no outono

É festa! É festa!

Quando ela passa
Meu coração bate flamenco

26-04-2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vinte e poucos anos depois...

Por falta de provas, absolveram-no de tudo
Inclusive, do crime de corrupção

Olvidaram de mim, viva amostra
Testemunha de uma geração

25-04-2014

domingo, 20 de abril de 2014

Jabuticabas

O domingo lamenta-se
Parece um cantor andaluz

Na cidade não rola jazz
Tampouco jam sessions de blues

De repente, ela chega

Tão linda que, sem saber bem o porquê
O final de tarde pede perdão

Seus olhos tem a cor da jabuticaba madura

Vestido solto ao vento, salto alto
Pele de seda pura

Traz no peito a quietude da mulher inquieta

Seus desejos alimentam versos
Para que a noite descortine-se em festa

10-11-2012 + versos de 20-04-2014

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O beijo II

Não sou o vermelho que tu vestes

Nem a praia
Onde esparramam-se, em ondas, teus cabelos

Não sou as curvas que o sangue faz
Pra acompanhar tua silhueta

Nem tua voz de sexta-feira
Ou o beijo, pseudo roubado, que está por nascer

Não sou o desejo que tu negas, durante o dia
Pra manter as aparências

Nem a insônia
Que vem cobrar de ti a conta na madrugada

Não, não sou

Porque
Quem é mesmo
Não diz

06-04-2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Haicai

Curt  (s)  o , de fato
Universidoses
De anonimato

08-04-2014

Churrascada

Sou das tardes de verão
Da ponta da costela longe da brasa
Copo na mão

Meu time é de anarquistas
Sou contra torcida organizada
O samba convive a meu lado

Na fotografia, sou o Zé da portaria
Meu bom dia é selecionado

08-04-2014

sábado, 5 de abril de 2014

Pensare

No cais do porto -- a praia do mercado público --
Uma velha fragata
Condenada ao forno siderúrgico, jaz

Ela serve de casa aos pombos
Que tem, a seu dispor, um armazém de grãos

Pombo não esquenta a cabeça

De vez em quando
Na gente
Bate a vontade se ser um

05-04-2014

O baile

Apesar das perdas
Da nossa mútua matança

Haverá no ar uma música
Sempre
Um convite para a próxima dança

05-04-2014

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Lamparina

Restará chaga
Futura cicatriz

Será como carta que não chega ao destino
O envelope que permanece lacrado

Na falta de óleo
Padecerá a chama

Cumprir-se-á, enfim
O ciclo do amor

03-04-2014


Amor

Liberta-me
Porque sou pólen

03-04-2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Quase humana

Entraja meu corpo
O estampado do tecido
Entre meio-fio e calçada
(Sobre) vivo

Vistosos pingentes
Ornamentam os braços
Me pego contente
Se depreendem meus traços

Serva do vento
Sou verde, sou prata
Minha droga é o movimento
Pra carência de mata

01-04-2014

Fotografia, março de 2014