terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Certezas

                      I
Somos grãos de areia nas dunas
Que o vento teima em levar

Somos nós nas agitadas espumas
Navegamos sobre olhos do mar

                   II

Irmãos dos rochedos
D'água, do sal
Corsários, se enfrentamos os medos
À mercê do bem e do mal


                   III

Somos vultos no cais do porto
Barqueiros, filhos da aurora

Somos intangíveis moluscos de agosto
Náufragos, quando ao abandono das horas

29-12-2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Cenapoema V

Trôpego
Regado à cachaça

Botas enlameadas
Pompom adernado no teto

Meio sem graça
Cumpre Noel a jornada

De saco repleto

18-12-2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Olhando nos olhos

Se, em jogo
Não estivessem bens imóveis

Se
Dívidas brotassem das cômodas

Se
Zero fosse o saldo da conta bancária

Se
Imperasse o desemprego

Se
Crédito no cartão não houver

Então
Aspirar-se-ia  com ardor
Escutar uma  voz dizendo

Meu homem, meu amor
Minha mulher

16-12-2015




domingo, 13 de dezembro de 2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Esperando trem

Blues
Nevoeiro
Passarinho

No casulo
Bebe-se
Cafezinho

10-12-2015

Fotografia, dezembro de 2015














v

Beleza da preguiça

Derramas-te no ninho
Como a arte em desabafo

Petúnia
Dormes ao sol da tarde, entrelaçada

Lindamente desordenada
Como as gavetas de teu roupeiro

10-12-2015


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Dívida de gratidão

Como anda sua demanda
Por valores que não imitam a moda...?

Afrouxe a gravata
Solte o vestido

Dobre à esquerda, na porta
Siga em frente por linhas tortas

Pegue a trilha da emoção
Onde coração leva pancada

Amigos, se poucos, que sejam de fé

Dores nas feridas
Nada de levar pra outras vidas

Sinto muito em lhe dizer
Se você nunca viveu uma paixão
Não vai dar, não

04-12-2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Academia

                    I

Seu Argemiro da Portela
Na mesa de bar

Responde pra Chico
Pra Vinícius

Não faço samba pra garrafa, agora
Porque não sinto nada por ela

                  II

Monarco a divagar
Se a mulher for embora
A gente faz um samba
E chora

                 III

Encontra uma mais bonita
Faz uma obra prima

                 IV

 No samba e no amor
Até sem querer
Brota uma rima

01-12-2015


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Poema falante

Ela carregava o fardo das horas
Vivia num penar sem fim
Parecia uma peça no teatro
Só que de texto ruim

Não se acata conselhos
Se o barco está de partida
Pra navegar na tempestade
A vela precisa ser recolhida

Novas rotas requerem desafios
A gente se move entre vidro e cristal
O curso é a sina do rio
A água, seu bem natural

24-11-2015

Aforismo XXXI

Urbanos eruditos:

Urbanos eruditos são seres humanos, que pertencem à mesma tribo
Mas não aturam um ao outro

24-11-2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Poema remanescente

Você chega, você parte
Na hora que você quer

Talvez o que me afervore
Sejam suas (in) certezas
Suas andanças de mulher

Sobrem restos, sobrem cacos
A estrada não termina
Nos ferimentos, nos cavacos

12-11-2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Portfólio

Maquia-se
Muda o cenário

Joga-se com luzes
No estúdio, invoca-se a calma

Há descompromisso com emblemas

Invoca-se do corpo
A alma

06-11-2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Por fim

Espero alcançar o momento
Em que eu encontre alguns pontos
Lado a lado, reunidos

Que o desenho deles
Não forme um círculo vicioso

Mas, sim,  um traçado não capital
Jamais retilíneo

Uma estrada
Pela qual eu possa perder-me
Na busca pelo aprendizado

04-11-2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Feitio

São palavras vivas
Folgadas
Eólicas, brincantes

Tateio-as
Mescladas ao ar

Se eu quiser catá-las
Jamais guardarão
Seus  concernentes lugares no poema

27-10-2015

domingo, 25 de outubro de 2015

Aforismo XXX

Progresso :

Progresso é uma palavra que não deve ser confundida com desenvolvimento


Observação : Ela não serve de enfeite pra bandeira.

25-10-2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Vida-jogo

Tão sutil pegada
Precípete
Tão simples e complicada

Tão da sorte dependente

Esse dançar
Sobre o fio da navalha

23-10-2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Dahlia pinnata

Por causa
De um curto acento inclinado

Sombreia minimamente
O topo da letra a

Do meu nome popular

20-10-2015

Fotografia, outubro de 2015



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Expresso poético

Uma foto de abril
Uma (des) ilusão de maio
Uma festa de junho

Uma mudança de março

Há sempre um trem e um (des)  embarque

19-10-2015

Fotografia, numa rua qualquer de Amsterdam

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ritual

Restos de vivendas beijam o solo
Toda semana

Dos quintais
Caquis, laranjas, goiabas, pitangas, mexericas
Ausentar-se-ão nas colheitas vindouras

Em vez de cítricas cores
Extremos do clima

Com muita sorte
Harmoniosos planos diretores

No lugar de uma casa
Surgirá um novo, reluzente edifício

Sacrifício

14-10-2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Aforismo XXIX

Felicidade :

Felicidade é o estado no qual você se encontra
Quando não tem necessidade de mostrar , aos outros,  que está feliz

13-10-2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Cerimonial

Quando você me pede
Para eu lhe depilar na banheira

Navegam os ponteiros do relógio
À velocidade negativa
De infinitos nós

Parecemos aquele barquinho
No quadro de Edward Hopper

08-10-2015

Edward Hopper (22/07/1882, 15/05/1967)
The long leg

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Do bulbo à tulipa

Embora saibamos
Que devemos ter paciência

Sonhemos sempre
Na velocidade da luz

06-10-2015

Fotografia, maio de 2014
Jardim do Rijksmusem,  Amsterdam

domingo, 4 de outubro de 2015

Aforismo XXVIII

Reengenharia :

Reengenharia é a ação de uma pessoa, quando ela (re) organiza-se, abolindo as funções de engenheiro, no intervalo de tempo, onde o mesmo se descobre poeta.

04-10-2015

Fotografia, outubro de 2013

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Apólogo

O inverno regressa
Quer roçar-se no perfumado cerviz da primavera

Porém, tem seu coração partido

Porque ela está encantada
Com as promessas do verão

02-10-2015

Fotografia, outubro de 2015

Baunilha

As cordas do cavaquinho
O clarinete
Atestam

Ela dança
Lambuza-se no mel

Não está pra conselhos
Despreza as frases retilíneas

A vida não se parece com uma receita de doce predileto

No ambiente, fumar é permitido
Porém, o aroma de baunilha prevalece

Prazeroso é
Perder-se na noite

02-10-2015


sábado, 26 de setembro de 2015

Madrigal

Generosa, por se deixar revelar

A poesia
Chega como flor que desabrocha de modo repentino

Insinuante,  vestida pra festa

Como você
Exibe de si, apenas, a espinha dorsal

26-09-2015

Fotografia, setembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Neuroma de Morton

Soa estranho o verbo imergir

Eu imirjo?
Tu imerges
Ele imerge

Nós imergimos os membros na água gelada
Indica a fisioterapia

Fiz tudo ao contrário
Imergi as dores na cabeça do segundo metatarso na água morna

O tal do Tarso respondeu melhor
A planta do pé parou de se comportar como um papel amassado

Penso que acertou o rumo

22-09-2015



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um kit (anti-rinite alérgica)

                                   I

Pílulas, de hora em hora, contra tudo que é a favor

                                   II

Saco
Do tamanho daquele do Papai Noel

                                  III

Paciência (já vem dentro do saco)

                                  IV

Pílulas, de hora em hora, contra tudo que é contra

                                  V

El tenedero del diablo (sinônimo de tequila)
Posologia: não siga a bula

                                  VI

Coragem, no caso de suicídio
Ou não

18-09-2015




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

domingo, 13 de setembro de 2015

Felicidade contemporânea

Aparecer em qualquer mídia
No atual mundo do Eu

Aparentar que  é
Aparentar que tem

Ser assim
Para sentir-se alguém........?

17-12-2012, 13-09-2015

sábado, 12 de setembro de 2015

Aforismo XXVI

Ponto de interrogação:

O ponto de interrogação é o sinal gráfico formado por um ponto
Que se desprende do gancho de um cabide

12-09-2015

Fotografia, setembro de 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Casa de brinquedo

Quatro quartos
Um pequeno, três maiores
Nenhum edifício nos arredores

Na porta da frente
Sete sinos de felicidade
De gosto bem duvidoso

Geladeira repleta de doces
Suco de uva feito em casa

Azaleia no jardim

Escadaria de granito
Que derrapa na chuva, mas é bonito

Horta, lá nos fundos
Um forno colonial de outro mundo

Porão, que serve de segunda casa
Quente no inverno, frio no verão
E uma enorme caixa d'água

Garagem com anexo
Churrascada aos domingos

Sanfona, cueca virada, pastel
As piadas de um pai
Uma mãe sempre sorrindo

25-04-2009 e 11-09-2015

fotografia, setembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

Premente

Prazenteiro é
Ser a caça do poema

06-09-2015

Fotografia, setembro de 2015

Times

Numa noite de futebol
Penso na biografia de um jazzista

Se uma coisa nada tem a ver com outra
Tanto melhor para a abstração

Tão rara, jorra a inspiração
Preciosa como água potável

Coração no futebol, cabeça na música
Ou será o contrário?

Uma fuga-fusão
Jogam alguns times dentro da gente

06-09-2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Aforismo XXV

Classe urbana e erudita :

Classe urbana e erudita é a classe, cujos integrantes
pertencem à mesma aldeia, mas não aturam um ao outro

03-09-2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Balada geminiana

Cada afago na tua pele
Abranda os dias em que não te vi

O caminho dos meus dedos
Espanta o tédio, educa os medos
Parece céu que vai se abrir

Se não sou o teu gigante
Perdoa, amor, o falso instante
Que, com punhais palavras, te feri

Nas noites, quando despertares
No teu ninho de abandono
Viaje a todos os lugares

De carona no teu sono
O despertar serei eu
Em ti

01-09-2015

Haicai

De vestido soltinho
Ai...ai.., pra me matar
Bem devagarinho

01-09-2015

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Atalhos

Andarilho do século dezoito
Sou mais um sem a direção de casa

Cruzo por verdes campos
Vigiado por rochas de formas, quase, humanas

Sou mel que se mescla à cachaça

A natureza me torna capaz
Incita-me

Materializo o lugar, longe deste que me envolve
Memorizar é a forma mais bonita de não perecer

Há mesas nas ruas
Noites de lua se achegam ao contexto

Perto do mar azul turquesa
Onde sinto  falta das serras
Meu peito bate feliz, bem feliz

04-06-2010, 28-08-2015


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Perguntas

Você deseja saber da sua vida
Das coisas que ela faz
Aquela libriana

Ela está bem
Seu cabelo, agora, é curto
Tornou-se senhora
Ela sorri, ela chora

Mais, eu não digo
No caminho há encruzilhadas
Ela pega as vias expressas
Eu sigo pelas calçadas

26-08-2015

domingo, 23 de agosto de 2015

sábado, 22 de agosto de 2015

Red Light Quartier

Desceu do trem
Chegava de Osnnabrück em missão de salvamento

Quem precisava ser resgatado
Era ele
Só não sabia disso, ainda

A pé, tomou o rumo da Zeedijk
Prins Hendrik Hotel,  entrou no quarto 71
Ela jazia no chão, abraçada à penumbra
Posição fetal

Agachou-se, acariciou seus cabelos ruivos
"Temos de seguir em frente, sem parar"
"Pra onde vamos, cara"?
"Não sei, temos de seguir em frente"

A noite beijava as paredes homenageando o blues
Ambos sentiam o mesmo, no Old Sailor, a duas quadras dali

De ofício
Ele era um fugitivo de si

Ela
Curandeira, de New Orleans
Desde aquela noite, especialista em resgates
Só não sabia disso, ainda

22-08-2015

Fotografia, maio de 2013




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Ecos

A cada parede que escancaro
Escuto solidões
Maiores, ou iguais às minhas

Aos poucos
Aumento o volume dos fones de ouvido
Pra ver se a letra da música abafa o não

19-08-2015

sábado, 15 de agosto de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Desejo universal

Brancas bandeiras nas lajes

Negro Orfeu e Eurídice
Um samba de Noel
Blues

Quem sabe
A humanidade, humana idade
Seja tema de uma nova canção de  Dylan

Que atente-se à rouquidão de Janes Joplin

Agreguem-se notas musicais aos escritos
Para que dissolvam-se
No líquido da paz

14-08-2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Desjazzjum

Alma adentro, o jazz acomoda-se
Toma o café da manhã

De mansinho, conquista

Manteiga no pão
Talvez mel, ou geleia

Com sorte, no parapeito da janela
Apareçam alguns pardais na plateia

13-08-2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sambinha

Essa dália no cabelo
Tem o branco da portela
Parece ala de baiana
Néctar de flor na passarela

Que bom, você vem
Pra encantar minha avenida
No castanhos dos seus olhos
Vejo a luz, o verso a vida

10-08-2015

sábado, 8 de agosto de 2015

Da tristura ao desfastio

Aprisionamos lágrimas
Em algum esconderijo noturno

Inconveniente é o sol
Quando fende a calma da aurora

Reunimos nossas palhas
Esparramadas por este falso chão

E, de repente
Nos reencontramos recompostos
Em uma dobra de esquina qualquer

08-08-2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Vontade de repartir

Diz-se desgostosa

Eu a vejo
Como se admirasse uma fotografia

O tédio, que a gente sente em si, é enodoado

Ela emoldura o sentimento com um coração
Que nem ouso decifrar

Aflige-me o desejo de fazer parte do quadro
Um enfado de galeria

04-08-2015


domingo, 2 de agosto de 2015

Dos ofícios

Seria bem melhor esse mundo
Se as coisas fossem assim

Antes um médico, engenheiro
Advogado, ou político a menos
Do que um ruim

02-08-2015

sábado, 1 de agosto de 2015

domingo, 26 de julho de 2015

Caça

Um som esganiçado anuncia a intensidade da fome

Saliente, mais que a turva luz do abajur
A sombra alada cruza pela cortina

Para alguns, perversa é a beleza da noite
Será  gavião, ou coruja?

Se eu fosse um roedor qualquer
Adiaria meu banho de lua

A sensatez chamaria pelo meu nome

26-07-2015

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Aforismo XXIV

Bud Light

Bud Light  é o ser humano ocidental, adepto aos ensinamentos do budismo
que adoraria tornar-se monge, ou monja,
sem abrir mão do conforto proporcionado pelo sistema

23-07-2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

Sílabas das tardes

Entre gretas de uma nuvem
Oferece o sol
O melhor de si como coadjuvante

Das três-marias
Balbucia o silêncio

Ele é devotado à bolinagem
No aconchego das bargas

À mágica da ambrosia
Aos voyeurs suspensos nas paredes

O silêncio deve  lealdade ao sossego

14-07-2015

Fotografia da obra (Deitada nua, de cabelos soltos, 1917)
De Amedeo Modigliani
Julho de 2015

sábado, 11 de julho de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

Galochas

Libertos de nossa momentânea cegueira
Dona de certos dias ensolarados

Mapeamos
A solidão das cidades

07-07-2015

Fotografia, julho de 2015


sábado, 4 de julho de 2015

H da hora

Na derradeira encruzilhada
Não haverá vencedores

A almejada paz, esperança latente
Assemelhar-se-á
Com uma senhora alada,  vestida de branco

Acolhedora
Abrirá as portas pra gente

04-07-2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Haicai

Repleto de "afazeres"
O teatrinho
Dos três poderes

02-07-2015

Aforismo XXI

Inverno :

Inverno é a estação do ano
Em que, durante os vinte primeiros dias, desfruta-se
Daí em diante, até seu final, sobrevive-se

Depois, no verão, bate a saudade

02-07-2015

Fotografia, julho de 2015

domingo, 28 de junho de 2015

De flor em flor

Coração e suas válvulas
A gente entrega
Como peça de lã

Em mãos
Ao morador de rua
Que deita no gélido basalto

Ele será acolhido
Como o pólen levado pelas abelhas
Livre de involuntários desvios
Sem esperar algo em troca

28-06-2014

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Bar 1

No canto, o espelho

Às minhas costas
Agitam-se coqueteleiras com gin

No extremo do bar, um sorriso luar
Um brilho no olhar

Lã e novelo
Agasalho, enfim

24-06-2015

Observações do vazio V

Prega-se o fim da pobreza
Lá do alto

Convoca-se um cabeleireiro particular
Para voar, a cada quinze dias

De São Paulo ao planalto

24-06-2015

domingo, 21 de junho de 2015

Ortovisão

Do seu jeito, a morena me diz:
"Veja os trapézios nos dentes como uma imagem lúdica"

Esqueci-me da dor
Quando me larguei porta afora
A cidade estava tomada de brinquedos

21-06-2015

Fotografia, junho de 2015


sábado, 20 de junho de 2015

Viajante noturno

Ao redor do prédio verde
Erguem-se as mais belas esculturas

Versos
Brotam como raras pinturas

Não há, nas cercanias, nenhum sorriso
Que possa enfeitar o quadro

Mesmo assim, meu dedo modela no ar
O contorno dos teus lábios

20-06-2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Observações do vazio IV

Gente que permite submeter-se à lobotomia é mais "alegre"

18-06-2015

"Trabalho"

Só três dias por semana
Nas terças, quartas e quintas

Acontece em Brasília
Um faz de conta que se pinta

Do país, zombam os nobres sacanas
Enquanto a plebe paga a tinta

18-06-2015
            
Fotografia, junho de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

domingo, 7 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Pacto

Há um cadeado
Onde estão gravados os nomes
Da poesia e meu

Em tempos de descartes banais
Comigo permanece
Ela não tem dono

Eterna
Reinará ela em mim
Sob a vigilância da cidade

Até o dia
Em que queira desprender-se
De nossa Pont des Arts

06-06-2015

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Pêndulo

Adentras nossas casas
Cansado de oscilar por aí

Andas sempre apressado
Somos espelhos de ti

Se a noite beija os lábios da aurora
Conte-nos sobre o mundo lá de fora

Relógio
Dá sentido a teu existir


04-06-2015

Fotografia, julho de 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Bilhete

Tamareira

Do fundo do meu peito
Você arrebatou
Os mais caros adjetivos

Arrastou consigo
As mais preciosas pedras palavras

Por isso
Eu lhe denuncio como ladra

Janeiro de 2014

Fotografia, junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Ofício

(Des) atar
(Des) construir

Ao vento, o pó
Ao marinheiro, o nó

Redigir, labutar

Aventurar
Fazer em aclive
O que a vida nos leva a baixar

02-06-2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Minúscula cidade

Farfalhar de folhas
Latidos de um vira-lata

Mordidas da tesoura do jardineiro

Cigarras, cujo canto não mais zizia
Pássaros sonolentos

Inação de janelas descerradas
Um gemido de La Belle D'Jour

22-03-2011, 28-05-2015

Fotografia, outono de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Aforismo XIX

UFC (Ultimate Fighting Championship):

UFC é o pior substituto para o ato sexual
Que, alguns, seres humanos denominam de esporte

25-05-2015

domingo, 17 de maio de 2015

Aforismo XVII

Cemitérios:

Cemitérios são livros abertos de história

17-05-2015

Foto da foto: sepultura de Jim Morrison
(James Douglas Morrison)

Cimetière Père-Lachaise - Paris, abril de 2000




Na lápide, abaixo do nome,
está escrito: "Kata Ton Daimona Eayatoy"
(Queime seu demônio interior)

Línguas

Acho que vou estudar francês

Só pra me bi-apaixonar
Por você

17-05-2014

sábado, 16 de maio de 2015

Observações do vazio I

O pica-pau é um pássaro
Que pula, caminhando

Caminha, pulando

Há de dar-se um nome
Para esta nova atividade esportiva

16-05-2015


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ancoração

O blues é um veleiro
Que singra no meu sangue

Quando arria as velas
Lança âncora na enseada do meu peito

Para que eu possa, de novo, ventar

15-05-2012
Descanse em paz, BB King-(16-09-1925, 14-05-2015)

Fotografia, maio de 2012

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Urdidura jamaicana

Aquele cinza no cabelo
Aquelas tranças tão tramadas

Aqueles dedos de artesã

Aquelas loucas
Longas madrugadas

11-05-2015

Fotografia, maio de 2014, em Amsterdam

sexta-feira, 8 de maio de 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sociedade

Sou sócio do clube dos passarinhos

05-05-2015

Bilhete na garrafa

Dissipa-se a névoa
Quase desapercebida

De tanto escutar
Aprendo o canto dos pássaros
Eles fogem da gélida areia da borda do mar

Surgem as estrelas, outrora, ocultas
Recém polidas, nos braços do sol

Flutuo, de onda em onda, à mercê das marés

Imito-lhes o voo
Migro para longe dos tentáculos polares

Dou ouvidos ao meu coração tropical

05-05-2015




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Canteiro

Semente sequestrada
Chega misturada
Com terra de jardim

Olho pra você, ai de mim

Acorda, todo dia, estrangeira
Na rica terra adubada
Ouro sem versos, sem nada
Além de inço e capim

Chamo, você não responde
Milho de beira de estrada

Perto de mim fez morada
Olho pra você, ai de mim

01-05-2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Registro

Hesitei, porém disse ao sabiá
"Olha lá, já  voa o teu filhotinho"

Então, fotografei-o
Perto do ninho

29-04-2015

Fotografia, abril de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Baralho cigano

Esperança
Convida o destino para a dança

Palavra
Desperta a mente adormecida

Duas cartas na manga
Nos vendavais da vida

28-04-2015

domingo, 26 de abril de 2015

Intuição

No canto do olho esquerdo
Deixou-se tatuar uma lágrima

Encarou o espelho
Fez um pacto com a tristeza

Se escutasse um certo "siga por este caminho"
Não o seguiria

O tempo lhe ensinara a sorrir

26-04-2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O parque

Chuva e outono
Tem tudo a ver

Ela vem pra lhe benzer
Ele se deleita no abandono

05-06-2014

Fotografia, abril de 2015

domingo, 19 de abril de 2015

Outono

V i o l i n o
........d..................................
..................l..........
...........a..........................
.................v..................
........i...........
...........V............................

19-04-2015

Vídeo: youtube



sábado, 18 de abril de 2015

Speranza

                      I
O verso inacabado
Parreirais

                     II

Piacere
Avere la testa nelle nuvolo

                    III

Die Flüsse
As vozes do mar

                   IV

Die Gesichtzüge, o cair do primeiro floco de neve
Sorprendersi

                    V

Profumo, maçã
Átomo, silêncio

                    VI

Il cuore
Tuo fuoco

                  VII

Os corais

18-04-2015


segunda-feira, 13 de abril de 2015