terça-feira, 29 de novembro de 2011

Tenuidade

Pelos correios
Amélia recebe a embalgem

Chocolates sortidos chegam sãos e salvos ao destino
Entende a moça, que o remetente quer comprá-la com iguarias

Então, decepciona-o
Francisco sepulta a admiração, que por ela nutria

29-11-2011

Mutação ecológica

Eu já fui gente, agora sou lagarto
Estou contente, andava farto

Não vou mais pra patente
Quando preciso, faço no mato

Como homem, poluia os rios, me achava inteligente
Agora, não mais me acho, de fato

29-11-2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Comissão de frente

Abacateiro, figueira, parreiral de uvas, jaboticabeira, limoeiro, nogueira, mamoeiro, amoreira, bananeira, Pessegueiro, limeira, laranjeira do céu, de umbigo e uma outra (cujo fruto nos dava o suco para beber e Fazer doces) habitavam os fundos da casa onde cresci.

27-11-2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Canoa

Todo escritor
Todo artista é meio a meio

Meio ele, meio personagem
Pegamos nos remos da canoa
Quando embarcamos nessa viagem

25-11-2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Segunda pele

Quando tocam no nome dele(a)
Brilham teus olhos mais que diamantes
Tua alma sai pela madrugada
A abençoar todos amantes

Se o coração sai do teu peito
Pra sambar enlouquecido
É porque a cuíca chama o nome dela(e)
Sussurra bálsamo(veneno) em teus ouvidos

O silêncio, disfarçado de amigo
Estende o tapete na tua sala
Quando deitas sobre ele
Sonhas com as letras que te embalam

24-11-2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Das dores de cada um

Se tatuagem arde? Ela responde: "A vida dói mais"

22-11-2011

Catamarã

Ao bocejar, a cidade parece rio em ebulição

Navego em catamarã
Tripulante clandestino, sigo a rota que leva à ilha dos brinquedos

No lugar de onde relutarei partir
Para onde almejarei voltar, uma singela flor pode mudar o destino

Ao espreguiçar, a cidade parece rio em ebulição

22-11-2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Ateliê dos Narcisos

Acomodada na banheira frente ao espelho, a medusa contempla a mais bela obra.

Por testemunha, o cálice de vinho sobre o balcão de mármore.

Mudos e perplexos, Baco e cristal desconhecem a linguagem dos sinais.

19-11-2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pub de aeroporto

Circula no saguão a dama, passageira do vôo 6521
Recém chegada da Ilha de Creta
Habitué no mercado de Istambul

Aterra na mesa de canto, luz discreta
Guardanapos bordados em azul

Perante os deuses do lúpulo e a bolacha do copo, reflete:
O que lhe reservaria de bom a vindoura paisagem

Na saideira, comunica ao garçom:
"Solidão também é bagagem"!

17-11-11

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mar urbano

À toa por aí, feito um cão mendigo
Vai (des)colando seus pedaços

A garrafa na mão é seu amuleto
Leva poemas debaixo do braço
Eles adornam o mapa das ruas do gueto

Cai a chuva, recorre aos goles amigos
Na retina busca o rodado de uma saia

Sob as marquises encontra seus abrigos
A areia de sua praia

14-11-2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fantasma da feira do livro

Madrugada na praça, em círculos
Ela caminha frente às estantes cerradas

Quer pagar a fiança de alguns títulos
Alçar voo sem rumo, sentir  suas asas

11-11-11

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Prefixo (51)

Eles disseram que as coisas iriam mudar
Eu refleti, porque não acreditar?

Virei minha ampulheta
Pensei que era um cara livre
Até tentar uma missão impossível:
Cancelar a linha do telefone celular

10-11-11