quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Das tentativas

Tem dias, a gente se desculpa por nada
Engole um sapo, depois sente-se vazio
Daqueles que só mar preenche

Pensa-se em simplicidade, humildade, sabedoria...
Tantas palavras, que serviriam de travesseiros

Vem a vontade de jogar os sapatos pra longe, bem longe, muito longe
Longe sem gente

28-01-12

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Roda de Chuva

Banho na rua é como roda de samba que acontece de improviso
É atrasar a saideira
Esquecer o relógio  a semana inteira
Pra se encantar com um sorriso

27-01-10

Pingos de samba

Da chuva de verão
A gente nuca deve fugir
Ela benze ninho de passarinho

Na melancolia da árvore recém podada
Chuva de verão faz carinho

27-01-10

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tubos de ensaio

Será que somos todos protocolados?

Com o reforço de carimbos
pra que não se incluam personagens
nas entrelinhas ?

Meu bem,
tudo é tão retilíneo
Que pra sobreviver
fizemos curvas em fantasias

24-01-10

sábado, 23 de janeiro de 2010

Zoeira

É dia de festa! Do alto dos pinheiros,  anunciam as soberanas gralhas
Arruaceiros tucanos,  filhotes de canários e caturritas fazem mais barulho que um bando de pica-paus

Um  pássaro especial, nem sei seu nome,  cabeça laranja ( cor da bandeira da Holanda)
Pescoço amarelo, negro ao redor dos olhos, peito azul oceano e cauda cinza-chumbo devora as sementes da árvore nativa

Eu, que não toco nenhum instrumento musical, acumulo nova frustração
Gostaria de saber cantar como eles...

23-01-10

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Súbita

No final da tarde, a casa entre xaxins,
ciprestes, plátanos e aleluias de copas
amarelas respira aliviada.

O renovado mato abranda o mormaço, enquanto
o vale derrama sobre hortênsias a fumaça londrina

As pequenas irmãs:
Maria Clara, Maria João e Maria Eduarda
tateiam as gavetas do roupeiro em busca de agasalho e reclamam pelo chocolate quente.

20-01-10

Reisebemerkung

Man kapiert nie,
Was für eine

Kultur

Stück für Stück
stirbt Die

Natur

20-01-10

sábado, 16 de janeiro de 2010

Manha

Um dia, pra que eu possa me resgatar
Vinte e quatro horas,  não um mês.

De entre lençóis
De cama satisfeita, desarrumada.
Um apenas
Em que palavras venham desarmadas

Um duelo de brancas armas, de lâminas sem fios
Eu lhe ofereço a pele
Você acende o pavio

16-01-10

Chão de espelhos

Eu te vejo à meia luz
Olhando para o chão
Como alguém que deseja partir

Mas quem sou eu

Um mero espantalho
Com uma caneta na mão

Imagem da arte

Eu só queria entender
A sombra que te reparte...

16-01-10

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Concentração

Não quero saber dos poetas,
de seus diferentes estilos.

Hoje,
quero saber é de você.

Em que escola,
que banda você vai sair.

Se o samba é seu namorado,
deixo a tristeza de lado.

Eu também vou existir.

12-01-10

sábado, 9 de janeiro de 2010

Simples retratos que falam

Barco com jardim na proa
no centro da cidade

Sorvete na neve
andando de bicicleta

Músicos de rua com cara de Van Gogh

Café da manhã em albergue

Festivais de Blues e Rock ao ar livre
no verão

Tulipas são cores

Felicidade viaja de trem bala

09-01-10

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Som dos quintais

Cães, nas cidades-- abandonados--, espelhos humanos
Abafam seus uivos, tal qual lobas no cio do desespero

Sonoros lamentos de trompete a imitar Miles Davis


07-01-10

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mandioca com coco

Durou alguns segundos meu sonho,
não mais que trinta, penso eu

A mão subia pelo furo do bôlo,
Souza Leão, talvez

Abrindo-se,
como que esperando uma oferenda

Alcançei-lhe uma garrafa de rum,
um punhado de fios de ovos.

E ela se recolheu.

06-01-10

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

Dos tempos

Ouvi um poeta dizer,
que perdeu a ingenuidade

Que não mais ilude-se

Nas rodas de samba
a gente lamenta,
que tenha de ser assim...


03-01-10

sábado, 2 de janeiro de 2010

O baile I

Leio
Desconcentro-me

Beijo pálpebras cerradas
(como se o beijar de olhos pudesse trazer-te)

Cada página virada é como uma nova música
Cada linha, uma  dança

Um verso, um lugar
Somente teu
Onde esqueço de mim

02-01-10

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dos verões

Desgarrada,
adormece a cigarra no descanso da janela,
sobre a trilha das formigas

Longe das árvores cidadelas,
jaz, agora,
a cantante indefesa

Farta ceia do formigueiro
na dança contínua da natureza

01-01-10