domingo, 29 de agosto de 2010

Farinha no saco

Pão com gergelim, sorte pra mim

Pão de centeio, tem mãe no meio

Pão de trigo, meu bem em perigo

Pão de aveia, môsca na teia

Pão de milho, nó no estribilho

Quem come pão torrado, ama dobrado, adoidado, ao quadrado......

29-08-10

domingo, 22 de agosto de 2010

A(h)orta

Zomba
Pra driblar as dores

No momento de alerta
Preocupa-se com as alfaces

Quem regará os canteiros?

Simples, humilde trabalhador
Com o corpo abalado

Segue no circo
Palhaço lutador


22-08-2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Bi-campeonadto da Libertadores das Américas

Pentelho mexicano encrava
Dói um pouco, mas logo morre


19-08-10


Retratação


Havia excluído este singelo aforismo
Dois dias após meu time se tornar Bi-campeão

Ledo engano
Como ignorar a poesia contida no berro
A qual ecoa nas vermelhas veias da paixão

21-08-10

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Casas de quadra inteira

Passeio por entre outdoors
Que estampam perfeitas peles expostas

Com joias e lingeries como ornamentos
A cidade não poderia ter mais bela opção

Das coberturas avista-se o bairro(outrora negro)
Que se chamava--ironicamente-- Mundo Novo e o cemitério

Existem preços entre o fim e o começo
E no caminho, muitos brancos jalecos

"Ora, são os compassos", diria um compositor


17-08-10

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alarme

As coisas de família ficam implícitas
No modo da gente se acomodar no sofá

Nos olhares, nos quadros
Que se afeiçoam às paredes

O alarme dispara, são quatro horas da manhã
Deve ser de algum automóvel ou cerca elétrica

"Preciso voltar pro interior, mas eu estou no interior":
Diz a voz do meu sono

"Quem sabe, o interior do interior"
Reclama o tácito em mim, semi-desperto, dependente da cidade

16-08-10

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Susan

Abandonou seu país
Porque foi proibida de pintar
Infeliz
Foi viver em outro lugar

Retratava a saudade de sua terra
Não esquecia de seus governantes
Era artista, contra a guerra

12-08-10

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Grega

Quero o futuro grafado por Sibilea
No dorso da folha de uma figueira
Que o destino
Embaralhe ao desejo do vento

E que nenhum verso alegre ou triste
De algum poeta possa mudá-lo
Eu queria
Que o acaso fosse meu alento

11-08-2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lampedesejo

O sol que desbanca o nevoeiro
Chega de mãos dadas com uma fada
De nome brisa

Pode ser um poema
Que avança para a primavera
Enquanto o inverno agoniza

10-08-10

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Trilhos

Tempo é questão de cabeça
Onde soltam-se e prendem-se amarras

Deve ser pra que a gente não esqueça
Que o danado é como um trem que não para

09-08-10

domingo, 8 de agosto de 2010

Acordes

Deveria preservá-las
As frases inesperadas

Charadas que me assolam
Acordes de blues
Que revelam-se letras

Eu, mero instrumento de sentir


08-08-2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Regata

O timoneiro de Netuno faz o barco zigue-zaguear entre os arrecifes no arquipélago das reticências

05-08-2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Vales e uvas

Onde o rio Carreiro encontra o das Antas
De cima da pedra grande, ainda domínio do primeiro
Vou cevando lambari.

Peixe daqui só aceita polenta feita em casa
Engole uva isabel de sobremesa.
Jundiá dá risada de espinhel, armado por gente da cidade

Dia desses, meu celular caiu no leito pedregoso
Um Jundiá, bem bigodudo, o devolveu na minha mão.
Em troca, pediu um gole de vinho, eu lhe atendi de bom grado

Decerto, era seu desejo ser fisgado previamente:
Semi-marinado

01-08-10