domingo, 14 de maio de 2017

Não queremos ser descartáveis

O Opinião, na José do Patrocínio esquina rua da República
arrastou os demais bares para a Cidade Baixa, se não me engano

Foi uma espécie de líder da cena alternativa

Era tempo de Luiz Melodia, Belchior, João Bosco, Ivan Lins, João Nogueira,
Gonzaguinha e tantos outros, dando canja depois dos shows, na Joaquim Nabuco

Havia o Chão de Estrelas, reduto dos mais versados
onde gente do Samba era também do Tango, só que em outra casa

A gente ia de um bar a outro, a qualquer hora da madrugada
Caminhávamos livres como potros selvagens

O bar do Túlio Piva chamava-se Pandeiro de Prata

Ficava na João Pessoa com  Jerônimo de Ornelas
"Porque o endereço do samba não é mais na favela" (do próprio)

Surgiram outros tantos, não tão badalados
talvez por isso, mais aconchegantes

Eles afagam minha memória, junto com os bares do Bom Fim,
Bar João, Lola, Ocidente

A Osvaldo Aranha (Osvaldo, para os íntimos)
Não merece um capítulo, merece mais de um livro

Depois, a Cidade Baixa adormeceu
O Bom Fim sossegou

Outros tempos, novas cenas

Era chegada a vez do Bar 1, do Chips, ambos no Menino Deus
do Sgt. Peppers, na rua  Dona Laura, no  bairro Moinhos de Vento

Pra quem se desloca na direção da Av. Venâncio Aires
o bar Opinião, hoje, permanece na Patrocínio, umas quadras abaixo do antigo endereço

O Bom Fim continua morno com espírito rebelde
ou seria rebelde com espírito morno?

"Lá em casa continuam os mesmos problemas", (Garotos da Rua).

A Cidade Baixa despertou  boêmia, repleta de bares e restaurantes

Só não dá pra sair a pé, na madrugada da cidade
Afinal, somos todos descartáveis, como certas músicas


14-05-2017













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